quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O QUE A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS AINDA TEM A NOS DIZER ?

O que a Transfiguração de Jesus Ainda Tem a nos Dizer?

Thomas Lieth

A Transfiguração de Jesus

Lucas 9.23-36: 23Jesus dizia a todos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. 24Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa, este a salvará. 25Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder-se ou destruir a si mesmo? 26Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, o Filho do homem se envergonhará dele quando vier em sua glória e na glória do Pai e dos santos anjos. 27Garanto a vocês que alguns que aqui se acham de modo nenhum experimentarão a morte antes de verem o Reino de Deus”. 28Aproximadamente oito dias depois de dizer essas coisas, Jesus tomou a Pedro, João e Tiago e subiu a um monte para orar. 29Enquanto orava, a aparência de seu rosto se transformou, e suas roupas ficaram alvas e resplandecentes como o brilho de um relâmpago. 30Surgiram dois homens que começaram a conversar com Jesus. Eram Moisés e Elias. 31Apareceram em glorioso esplendor e falavam sobre a partida de Jesus, que estava para se cumprir em Jerusalém. 32Pedro e os seus companheiros estavam dominados pelo sono; acordando subitamente, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. 33Quando estes iam se retirando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias”. (Ele não sabia o que estava dizendo.) 34Enquanto ele estava falando, uma nuvem apareceu e os envolveu, e eles ficaram com medo ao entrarem na nuvem. 35Dela saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido; ouçam-no!” 36Tendo-se ouvido a voz, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram isto somente para si; naqueles dias, não contaram a ninguém o que tinham visto.
O evangelista Mateus relata que “seis dias depois” Jesus levou três dos seus discípulos “em particular, a um alto monte” (Mt 17.1). O que havia acontecido seis dias antes? A resposta encontra-se na passagem imediatamente precedente. Relata-se ali que Jesus conversara com seus discípulos sobre as implicações de segui-lo. “Garanto a vocês que alguns dos que aqui se acham não experimentarão a morte antes de verem o Filho do homem vindo em seu Reino” (Mt 16.28).
Esse versículo tem provocado controvérsias. Com efeito, essa declaração do Senhor Jesus não pode referir-se à sua futura volta em poder e glória e também não ao milênio, porque então sua declaração de que alguns não experimentariam a morte até aquele evento seria difícil de explicar. Penso, por isso, que ela se refira antes à transfiguração ocorrida seis dias depois e aos eventos subsequentes. O Senhor Jesus disse algo como: “Falta pouco tempo para o reino de Deus ser apresentado aos seus olhos”. Portanto, não se trata do reino de Deus em poder e glória, mas do reino de Deus que se inicia em Jesus Cristo. Jesus falou do reino de Deus em relação à sua vida e obra na terra, como por exemplo em Lucas 17.21b: “... o Reino de Deus está no meio de vocês”. Ou então como Paulo expressa na carta aos Colossenses: “Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado” (1.13). E isso não se refere apenas ao futuro, mas já ao presente. A transfiguração ocorrida pouco depois foi algo como um primeiro passo, uma espécie de aceno de Deus: o reino de Deus está chegando! O Salvador prometido está empreendendo sua marcha triunfante.
No entanto, agora os relatos de Mateus e Marcos, de um lado, diferem daquele de Lucas, do outro, na indicação do número de dias após o qual essa transfiguração ocorreu. É verdade que para o assunto em si isso não importa, mas ainda assim quero comentar o ponto brevemente para esclarecer que não há razão para desconfiarmos das declarações da Bíblia. Mateus e Marcos falam de exatamente seis dias. Já Lucas fala de aproximadamente oito dias. Na interpretação bíblica sempre temos de levar em conta o que é e o que não é dito. Se, por exemplo, minha esposa disser que ontem eu comi macarrão, isso de modo algum significa que eu não tenha também comido batatas. Ou se alguém me perguntar por quanto tempo estarei viajando pela Alemanha em setembro, responderei: “Mais ou menos duas semanas”. Alguém poderá interpretar isso como 14 dias, outro talvez como 10 dias, meus filhos esperam que sejam 16 dias... Lucas fala aqui de aproximadamente oito dias. Portanto, ele não fornece uma indicação exata e, em contraste com Marcos e Mateus, ele talvez não tenha contado apenas os dias entre os dois eventos, mas incluído o dia em que cada um aconteceu. Não podemos saber com toda a precisão, mas não se trata de uma contradição. Não há o que abalar na Palavra de Deus. E se existirem aparentes contradições, é apenas porque não as interpretamos corretamente.
Não é de admirar que Jesus leve justamente Pedro, Tiago e João para o monte, porque esses três discípulos formavam algo como o núcleo duro dos apóstolos. Os três estiveram presentes também em outros eventos, por exemplo no jardim do Getsêmani, quando Jesus se retirou com os três e estes infelizmente adormeceram enquanto o seu Senhor e Mestre lutava em oração. Tudo indica que Tiago, João e Pedro realmente dormiam muito bem, porque dormiram não apenas no Getsêmani, mas também aqui, na transfiguração (Lc 9.32a). Também é interessante notar o simples fato de que Jesus tenha levado companhia para o monte da transfiguração. Afinal, ele também poderia ter ido sozinho. Esse procedimento lembra o princípio do testemunho no Antigo Testamento, segundo o qual uma questão requer duas a três testemunhas (Dt 17.6; 19.15). Penso que Jesus sempre deu valor a isso. Ele praticamente nunca se apresentou sem testemunhas, de modo que sua vida e obra ficaram tão bem documentadas como nenhum outro evento que aconteceu mais de 200 anos atrás.
Assim chegamos ao evento em si: “Ali ele foi transfigurado diante deles. Sua face brilhou como o sol, e suas roupas se tornaram brancas como a luz” (Mt 17.2). As diversas traduções da Bíblia usam termos diferentes para o fenômeno da transfiguração. De qualquer modo, porém, ocorreu ali algo totalmente incomum – eu diria que algo alheio à terra. Apesar disso, porém, aconteceu na terra e diante dos olhos de três testemunhas. Tentemos iluminar um pouco o fenômeno. Até então, Pedro, Tiago e João haviam conhecido Jesus exclusivamente como homem. É certo que Jesus era um homem extraordinário, mas ainda assim um homem. E agora, naquele monte, os discípulos viram pela primeira vez o seu Senhor em sua glória divina. Lucas relata que aquilo aconteceu enquanto Jesus orava. Jesus frequentemente se retirava para buscar o diálogo com o seu Pai celeste. Ele vivia continuamente em íntimo contato com Deus por meio da oração.
Muitos de nós não conseguem mais aproveitar o silêncio e o retiro em oração com Deus.
Muitos de nós não conseguem mais aproveitar o silêncio e o retiro em oração com Deus.
Como já se mencionou, os discípulos haviam adormecido. Seria esse talvez também um problema fundamental para nós, hoje? Não é frequente a fadiga nos acometer quando se trata de ir a uma reunião de oração? Não é comum desviarmos nossa atenção e deixar de orar? Não sendo cansaço, são os nossos pensamentos que de repente fogem por aí, ou é o telefone que toca, ou a correria da vida diária. Creio que muitos de nós – eu inclusive – não conseguimos mais aproveitar o silêncio e o retiro em oração com Deus. Como fica a nossa hora silenciosa com Deus? Quando digo hora silenciosa, não me refiro a leitura bíblica e oração apressadas. O Senhor Jesus quer que oremos. Ele nos convoca claramente a fazê-lo. E como o entristeceu constatar repetidamente que seus discípulos se deixavam vencer pelo sono e eram desviados de orar: “Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?” (Mt 26.40). E Jesus sabe o quanto necessitamos da oração: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação” (Mt 26.41). Estou convicto de que quanto mais um filho de Deus orar, tanto menos espaço ele dará ao pecado, e quanto mais uma igreja orar, tanto mais poderoso será o seu testemunho. Do outro lado, porém, há alguém que quer impedir justamente isso: o Diabo, que quer sufocar qualquer oração na origem. Por isso é melhor você ir ao culto sem relógio e, mais ainda, sem telefone. Jesus não só ensinou uma oração aos seus discípulos, mas também lhes deu o exemplo por meio da sua própria vida de oração.
Enquanto Jesus orava, sua face passou a brilhar como o sol e suas vestimentas se tornaram claras como a luz. Talvez essa transfiguração também tenha sido uma clara resposta do Pai à oração do seu Filho. Não temos registro daquilo que Jesus orou, mas sabemos sobre o que ele conversou com Moisés e Elias. Isso permite supor que também sua oração tenha tratado do caminho que ele tinha pela frente, mesmo porque Jesus também havia pouco antes confrontado seus discípulos com o primeiro anúncio da sua paixão. Ele vinha preparando seus discípulos – daí também a conversa sobre como segui-lo –, mas Jesus mesmo também precisava de alguém que o preparasse. Quem imagina que o Filho de Deus tenha simplesmente subido à cruz “numa boa” tem uma noção completamente errada. Sua luta em oração no Getsêmani revela muitíssimo sobre isso. Jesus buscava a proximidade do Pai, buscava forças, recursos e confirmação, e exatamente isso é o que ocorreria aqui na presença dos três discípulos. Aliás, foi a única vez antes da sua morte e ressurreição que o Senhor Jesus se manifestou em glória. Ali, na transfiguração, sua face mudou e sua divindade transpareceu majestosamente. Por um momento, Jesus não foi apenas homem, mas pela primeira vez sua natureza divina ficou visível para alguns dos seus discípulos. Para os discípulos, essa transfiguração foi uma amostra do futuro em que veriam o Senhor Jesus em toda a sua glória, tal como se lê em 1João 3.2: “... o veremos como ele é”.
Prosseguindo no texto: “Naquele mesmo momento, apareceram diante deles Moisés e Elias, conversando com Jesus” (Mt 17.3). A transfiguração em si já é extraordinária, mas o acontecimento não para por aí, porque agora também aparecem Moisés e Elias. E como se não bastasse, eles não apenas aparecem, como falam com Jesus. É claro que agora podemos tentar interpretar isso de alguma forma simbólica e dizer que Moisés e Elias constam aí apenas como exemplos e nem apareceram realmente. Muito provavelmente os discípulos apenas foram ofuscados pelo sol por trás. Não! Não precisamos reinterpretar nem humanizar nada. Ali, naquele monte e durante a transfiguração do Senhor Jesus, Moisés e Elias de fato apareceram. Tomemos o relato simplesmente da forma como nos foi transmitido.
Lucas também diz que Moisés e Elias igualmente apareceram glorificados, seja como for que aquilo se tenha apresentado na prática. Fato é que ambos se despediram da terra de forma extraordinária e ambos são considerados no judaísmo como precursores do Messias. A respeito de Moisés consta que Deus mesmo o sepultou e que seu túmulo permanece desconhecido até hoje (Dt 34.5-6). E Judas 9a relata que o arcanjo Miguel teve uma contenda com o Diabo e negociou a respeito do corpo de Moisés. Percebe-se que Deus mesmo exerce autoridade e vigilância sobre o corpo do seu servo Moisés. Tanto mais será fácil para Deus fazer Moisés aparecer glorificado no monte da transfiguração. Elias, por sua vez, foi arrebatado; portanto, Deus mesmo o buscou para junto de si no céu (2Rs 2.11). Tanto o que ocorreu com Moisés e Elias como também a transfiguração são mistérios e uma intervenção pessoal de Deus, que se sobrepõe a todas as leis da natureza e ainda mais à toda lógica humana. Trata-se da atuação visível de Deus em seu Filho.
Moisés e Elias também desempenham um papel significativo na história de Deus e dos homens, de modo que naturalmente existe um motivo para esses dois aparecerem ali e não, por exemplo, Arão e Enoque. O que Moisés representa? Moisés foi aquele a quem Deus entregou as tábuas da lei, e não é sem motivo que no judaísmo os cinco livros de Moisés são chamados de “a Lei”. Moisés é a personificação da lei. E quem representa no judaísmo muito particularmente os profetas? Elias. O único profeta que não morreu, mas foi arrebatado, o profeta que conduziu o povo para longe do culto a Baal e que também é posto em conexão com a volta do Senhor Jesus (cf. Ml 4.5). Portanto, Moisés e Elias representam a lei e os profetas. Tanto a lei como os profetas apontam para o Salvador que viria. Na verdade, a meta por excelência da lei e dos profetas é que o reino de Deus tem seu início em Jesus Cristo.
A transfiguração ilustra o fato de que a antiga aliança foi cancelada porque Jesus cumpriu a lei, e também a profecia atingiu seu alvo com a instituição da nova aliança em Jesus. Agora é a graça que ocupa o centro. Não mais Moisés e Elias, mas apenas Cristo! Ali, durante a transfiguração, Jesus é confirmado por Deus Pai como aquele do qual testificam a lei e os profetas – o Messias, o Salvador do mundo.
Lucas relata do que tratou o diálogo entre Jesus, Moisés e Elias. Eles falaram sobre “a partida de Jesus, que estava para se cumprir em Jerusalém” (Lc 9.31). Tratava-se, portanto, de um cumprimento, a saber: o cumprimento da lei e dos profetas. Tratava-se da missão do Senhor Jesus, daquilo que ainda o aguardava: a luta atroz no Getsêmani, a tortura, o escárnio, a negação, a traição, o abandono por Deus e a crucificação... Sim, tratava-se literalmente de vida e morte! Jesus estava para encarar uma luta que requeria o pleno respaldo do seu Pai. A transfiguração esclarece por um lado que se trata da absoluta vontade de Deus que seu Filho percorra esse caminho e leve a termo o que Deus começou em sua graça e amor aos homens. Por outro lado, Deus quer fortalecer e encorajar o seu Filho por meio daquilo. Por isso, Jesus também pôde testificar aos seus discípulos: “Aproxima-se a hora, e já chegou, quando vocês serão espalhados cada um para a sua casa. Vocês me deixarão sozinho. Mas eu não estou sozinho, pois meu Pai está comigo” (Jo 16.32). Jesus sabe que, mesmo sendo traído por um Judas e negado por um Pedro, seu Pai no céu segura nas mãos as pontas da história da salvação e não o deixará efetivamente só.
Apocalipse
Neste ponto também se diz que Jesus encontrará seu fim terreno em Jerusalém e não, por exemplo, em Nazaré. Por que isso seria importante? Lembro-me aí do dramático evento naquele monte em Nazaré (Lc 4.29-30). Ali a morte de Jesus não era admissível: não naquele lugar, naquele momento e daquele modo. Ele haveria de morrer em Jerusalém, durante a festa da Páscoa e na cruz, conforme predisseram a lei e os profetas (Gl 3.13; Dt 21.23). Jesus sabia disso: ele já havia anunciado sua morte: “Como vocês sabem, estamos a dois dias da Páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado” (Mt 26.2). Prever a morte não é tão difícil, mas dizer quando, onde e exatamente como já requer bem mais. Jesus sabia aonde o seu caminho o conduziria, e a transfiguração foi como uma confirmação de que esta era a única via possível e correta para a reconciliação.
Prosseguindo no nosso texto, no versículo 4: “Então Pedro disse a Jesus: Senhor, é bom estarmos aqui. Se quiseres, farei três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias”. Reação típica de Pedro: outra vez ele toma ousadamente a iniciativa e, contrariamente a todo o código de obras, ele quer remodelar o monte inteiro. Pedro não se prostra em adoração, como seria adequado naquela situação. Dos outros dois discípulos nem se fala. Obviamente, Pedro quer segurar-se na glória que ele experimenta ali. Ele deseja um paraíso na terra, mas isso nunca deu certo e também não foi prometido.
Até o fim, Pedro e os outros discípulos não entenderam bem a trajetória de sofrimento e salvação do seu Senhor. No entanto, isso não pretende ser uma acusação – creio que também nós, que temos em mãos a Palavra de Deus completa, não entendemos bem o que aconteceu e o que ainda acontecerá. Tal como em outras passagens da Escritura Sagrada, somos confrontados aqui com as debilidades humanas dos seguidores de Jesus. Na verdade, até me alegro com isso, já que me demonstra que não sou o único fracassado. E, acima de tudo, isso nos mostra que o importante não é ser perfeito no discipulado, mas sincero, honesto e fiel. E isso Pedro era. Sua intenção de erigir três tendas lembra muito fortemente práticas religiosas. Não tenho nada contra locais de adoração e de peregrinação, mas quando o que importa é apenas beijar uma pedra, acariciar a face de uma estátua ou quebrar um ramo de oliveira, então aquilo simplesmente está a quilômetros do evangelho. Jesus não quer tendas, mas o nosso coração. Deus não quer veneração de relíquias, mas obediência. Não precisamos ir até a Igreja da Natividade em Belém ou à Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém quando Deus está tão perto de nós. O que Deus quer é uma igreja viva e não uma catedral morta. Deus prefere dez adoradores sinceros em um depósito a 2.000 peregrinos apressados na Igreja do Santo Sepulcro.
Também é interessante notar que os discípulos não reconheceram apenas o Senhor Jesus transfigurado, mas também Moisés e Elias, embora obviamente nunca os tivessem visto. Não havia imagens deles, com certeza não portavam crachá nem uma rosa na lapela. Pedro, porém, nem pergunta quem seriam aquelas duas estranhas figuras, mas imediatamente as identifica como Moisés e Elias. Também aqui podemos sondar e tentar tirar conclusões. Seria possível que realmente nos reconheçamos na glória, que até reconheçamos irmãos que nunca vimos antes? Será que nós também reconheceremos Moisés e Elias? Reconheceremos os nossos parentes crentes? Sim, creio que nos reconheceremos, mas isso não quer dizer que necessariamente saibamos que aquele foi o meu pai e aquela a minha esposa, aquele outro o meu irmão irritante e esse o meu chefe injusto. Na glória seremos uma só grande família. Todos nos relacionaremos mutuamente e, principalmente, não sentiremos falta de nada. Trata-se de um lugar de eterna bem-aventurança (cf. Is 65.17s).
Reconheceremos os nossos parentes crentes? Sim, creio que nos reconheceremos.
Reconheceremos os nossos parentes crentes? Sim, creio que nos reconheceremos.
Em Mateus 17.5 lemos: “Enquanto ele ainda estava falando [Pedro com seu projeto de construção], uma nuvem resplandecente os envolveu...”. Nessa nuvem Deus está presente, que acaba com todas as ideias humanas e religiosas, e toma a palavra. E como já foi antes no batismo do Senhor Jesus, também aqui o Pai enfatiza e confirma sua autoridade e identidade: “Este é o meu Filho amado de quem me agrado. Ouçam-no!”. Isso é exatamente o que o Deus onipotente já havia ordenado de antemão ao povo de Israel por intermédio de Moisés: “O Senhor, o seu Deus, levantará do meio de seus próprios irmãos um profeta como eu; ouçam-no” (Dt 18.15). Por meio da transfiguração confirma-se agora que Jesus Cristo é esse profeta (cf. Jo 6.14). Pedro se equivocou tremendamente quando pensou poder nivelar Jesus, Moisés e Elias por meio da construção de tendas. Deus não disse de dentro da nuvem: “Este é um profeta especial”, mas: “Este é o meu Filho amado”. Em princípio, ainda poucos dias antes o próprio Pedro havia confessado essa posição especial do Senhor Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16).
Em última análise, Jesus não é ninguém menos que o próprio Deus! Tudo o que Deus diz aqui com toda a clareza lembra muito nitidamente as palavras de Deus em Isaías a respeito do Servo de Deus, que personifica o sacrifício sofredor e propiciatório (p.ex. Is 42). Se então encararmos essa via de salvação, também fica claro que o propósito de Pedro em erigir três tendas recebeu aqui uma inequívoca reprovação. Isso volta a demonstrar que Deus não se agrada de religiosidade. Com certeza a intenção de Pedro era boa, mas seu propósito é a via da religião e a necessidade era que Jesus fosse à cruz. É uma situação similar àquela em que Jesus falou da sua morte iminente e o mesmo Pedro disse: “Nunca, Senhor! Isso nunca te acontecerá!”, e Jesus respondeu rispidamente: “Para trás de mim, Satanás!” (Mt 16.22-23). A ida à cruz foi absolutamente necessária e forçosa. Nada deveria impedir Jesus – nem o Diabo, nem os discípulos. Por incrível e incompreensível que pareça, esta foi a irrevogável vontade de Deus, que seu Filho subisse ao madeiro da maldição – por você e por mim.
“Ouçam-no!”. Isto se dirige a todos os homens em todos os tempos e lugares. É a Jesus Cristo que devem ouvir, e somente a ele! Moisés e Elias sabiam que também a sua salvação dependia da paixão do Senhor Jesus. Por mais irracional que possa parecer, Elias e Moisés devem ter desejado acima de tudo que Jesus persistisse em sua ida ao Calvário e que completasse a obra do seu Pai. É que não se trata apenas da sua e da minha salvação, mas daquela do mundo inteiro. Sem a morte do Senhor na cruz, sem o seu sangue derramado e sem a sua ressurreição, também Moisés e Elias teriam ficado presos em seus pecados (cf. Jó 4.17; Rm 3.10). Todo homem precisa de uma morte vicária, e Jesus é esse nosso substituto, também para os homens da antiga aliança (cf. Hb 9.15; Rm 3.25-26). Para remir a nossa culpa, Deus permitiu que seu próprio Filho derramasse seu sangue na cruz. Até então, Deus havia suportado em sua paciência os pecados dos homens, para agora perdoá-los por amor de Jesus e assim demonstrar a sua justiça. Fica assim estabelecido que somente Deus é justo e que só absolverá de sua culpa aquele que crer em Jesus.
No versículo 6 lemos a reação dos discípulos: “Ouvindo isso, os discípulos prostraram-se com o rosto em terra e ficaram aterrorizados”. Ficaram estarrecidos diante da santidade de Deus. Creio que se fôssemos confrontados diretamente com a face de Deus, ou mesmo só com a sua voz, também estremeceríamos em reverência. Quanto mais ela destruirá intimamente o homem que não tiver salvação em Jesus Cristo! O mais duro dos homens se desfará diante da face de Deus e desejará acima de tudo se esconder. Como ficou o apóstolo João quando Deus revelou a ele as coisas futuras? “... ouvi por trás de mim uma voz forte, como de trombeta... Voltei-me para ver quem falava comigo. Voltando-me, vi... entre os candelabros alguém ‘semelhante a um filho de homem’... Sua face era como o sol quando brilha em todo o seu fulgor. Quando o vi, caí aos seus pés como morto” (Ap 1.10-17). João já tinha visto muito ao longo da vida – a transfiguração, a crucificação, o Jesus ressurreto e sua ascensão. O que ainda poderia abalar esse homem? E ainda assim a santidade de Deus o faz cair como morto em reverência. Como são então consoladoras as palavras do Senhor que ele diz a João: “Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: ‘Não tenha medo’” (Ap 1.17). Talvez naquele momento João tenha lembrado da transfiguração do seu Senhor e Salvador, porque também naquela ocasião Jesus havia encorajado os seus discípulos: “Mas Jesus se aproximou, tocou neles e disse: ‘Levantem-se! Não tenham medo!’” (Mt 17.7).
Em Jesus não precisamos ter medo do Deus capaz de destruir tanto a alma como o corpo no inferno (Mt 10.28). Em Jesus também não precisamos temer o mundo porque nele vencemos o mundo (1Jo 5.4-5). Essa palavra de Jesus é um consolo tanto para a vida presente como esperança para o futuro: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31).
Com isso chegamos ao último versículo do nosso texto: “E erguendo eles os olhos, não viram mais ninguém a não ser Jesus” (Mt 17.8). Os três discípulos haviam subido o monte com o homem Jesus e ali foram testemunhas da sua divindade. Além disso, apresentaram-se diante deles os representantes máximos da lei judaica e dos profetas – Moisés e Elias. Os discípulos ouviram a assustadora voz de Deus e o testemunho vinculado a ela: “Este é o meu Filho amado de quem me agrado. Ouçam-no!”. Não tiveram coragem de olhar para cima, mas então sentiram as mãos do Senhor Jesus e ouviram sua voz que dizia: “Não tenham medo!”. É a mão cheia da graça de Deus que toca neles, e é seu apelo a confiar nele. Jesus nos permite levantar e até nos possibilita olhar para a face da glória de Deus.
Aqui, na transfiguração, coloca-se literalmente diante dos olhos dos discípulos aquilo que importa: eles não viram mais ninguém além de Jesus. Aonde se dirige o nosso olhar? Que o Senhor nos conceda também jamais perdermos de vista o essencial – a graça em Jesus Cristo tão somente! Amém!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

ELIAS E O FIM DOS TEMPOS

Elias e o fim dos tempos

Ludwig Schneider
O profeta Elias, Eliyahu em hebraico, é até hoje o profeta mais popular entre os judeus, pois nenhum profeta está tão intimamente ligado à expectativa do Messias como Elias. Todo judeu que aguarda a vinda do Messias olha primeiro para o profeta Elias, pois ele não só anuncia a vinda do Messias em palavras, mas de fato a precede/antecede.
Jesus enxergou Elias em João Batista, que foi à sua frente na primeira vinda (Mt 11.10-14). Assim, Jesus disse em Mateus 17.12: “Mas eu digo a vocês: Elias já veio, e eles não o reconheceram”. Em Malaquias 4.5 diz que Elias também precederá a segunda vinda do Messias.
É sempre uma questão de saber se Deus compartilha ou não o mistério conosco. Durante três anos os discípulos tiveram em Cristo o modelo mais puro e o melhor professor. Mas quando Pedro chegou ao entendimento – “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” –, Jesus respondeu: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não foi revelado a você por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus” (Mt 16.13-20). Isso significa que não podemos concluir nem estudar nada, apenas o que é dado por Deus.
Também o dia e a hora (que Jesus retornará) não podemos descobrir em nenhum seminário bíblico. Pois Jesus diz, quando os discípulos se preocupavam com a questão de quando ele viria construir seu reino, em Marcos 13.33: “... somente o Pai”. Ou seja, não saberemos o dia e a hora. Tudo o que nos é revelado é a estação. Com isso quero dizer a estação da história da salvação, que pode ser lida no sermão sobre o fim dos tempos de Jesus, em Mateus 24.32, Marcos 13.28 e Lucas 21.30. “Aprendam a lição da figueira: quando seus ramos se renovam e suas folhas começam a brotar, vocês sabem que o verão está próximo.” Aqui é apenas uma questão de ramos e folhas. Assim, não devemos esperar de Israel nenhum fruto em nosso tempo, mas apenas o crescimento externo.
A existência do Estado de Israel, no entanto, diz que o Messias está à porta e devemos abri-la para Elias, para que ele conduza adentro o Messias. Em todas as festas os judeus aguardam a chegada do profeta Elias, que antecede a vinda do Messias, e por isso abrem suas portas de casa. Quando consideramos os eventos atuais em Israel no olhar do fim dos tempos, vemos que a nossa época é a época de Elias, significando que vivemos no período de Eliyahu, que é a era antes da vinda do Messias.
Aqui deve-se saber que há sete eras no plano de salvação de Deus. O número 7 é o número da completude. Deus sempre usa o número 7 se quiser nos apontar o seu plano temporal. (Ele já fez isso no sonho do Faraó, quando lhe mostrou 7 espigas e 7 vacas.) Isso começa com os 7 dias em que Deus criou os céus e a terra e vai até o Apocalipse de João: 7 igrejas, 7 taças, 7 selos, 7 trombetas... sempre 7.
A sétima carta em Apocalipse 3 é dirigida à igreja em Laodiceia. “Laodiceia” é chamada de “povo justo – democracia” no sentido de “a voz do povo é a voz de Deus”. Mas o povo de Israel, escolhido por Deus, e a igreja comprada por Cristo pertencem a uma dimensão diferente, e assim eles pensam e esperam em outras dimensões. Por isso eles não vão ignorar Elias e sua era, isto é, os 2.000 anos depois de Cristo terminam com a sétima era, a era de Eliyahu.
Essa era antes da vinda do Messias é marcada pelo retorno dos judeus a Sião. A recuperação do deserto também é um dos sinais dos tempos finais. E Deus deu a Israel a força de Davi. Assim como Davi derrotou Golias em nome do Senhor, Israel derrotou os árabes em todas as guerras entre eles.
O fim desse período pertence à luta dos muçulmanos na praça do templo. Já agora Jerusalém está se tornando um baluarte para os vizinhos muçulmanos de Israel e um cálice de tontear para as nações da terra. Elias já está aqui e abre cada vez mais a porta para o Messias – por isso, estejam preparados! (israeltoday.co.il)

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A PAZ QUE TODOS NÓS PROCURAMOS


  Paz
Como posso encontrar paz? A Bíblia diz em Jó 22:21 “Apega-te, pois, a Deus, e tem paz, e assim te sobrevirá o bem.” 
Paz significa estar bem com Deus. A Bíblia diz em Romanos 5:1 “Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” 
A paz é um dom de Deus. A Bíblia diz em João 14:27 “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” 
A paz é um resultado da obediência às leis de Deus. A Bíblia diz em Salmos 119:165 “Muita paz têm os que amam a tua lei, e não há nada que os faça tropeçar.” 
A paz é um objetivo que vale a pena alcançar. A Bíblia diz em Romanos 14:19 “Assim, pois, sigamos as coisas que servem para a paz e as que contribuem para a edificação mútua.” 
Paz significa proteção. A Bíblia diz em Salmos 122:6-7 “Orai pela paz de Jerusalém; prosperem aqueles que te amam. Haja paz dentro de teus muros, e prosperidade dentro dos teus palácios.” 
Quando encontrar a paz, como posso mantê-la? A Bíblia diz em Isaías 26:3-4 “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna.” 
Podemos ser felizes quando fazemos um esforço em manter paz nas nossas relações pessoais. A Bíblia diz em Mateus 5:9 “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.”

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

FAKE NEWS E FALSO FUTURO

Fake News e Falso Futuro

Wilfred Hahn
Em tempos recentes, “fake news” e a “mídia falsa” chegaram ao conhecimento do público. Por que recentemente? Notícias falsas e os chamados “fatos alternativos” foram reputados como sendo fatores importantes no resultado das eleições recentes nos Estados Unidos. Um sentido maleável da verdade criou falsas realidades e uma “cobertura midiática” que serviu às agendas políticas. Inverdades e propensões foram amplamente aceitas como táticas políticas, contanto que, logicamente, essas se alinhassem com a causa e as perspectivas preferidas de tal pessoa.
Como tal, muitos aparentemente chegaram à lamentável conclusão de que não existe algo como “a verdade” na arena pública do discurso; tampouco “um relato do fato como ele é”.
Repórteres de notícias e legisladores, portanto, já não podiam ser confiáveis para transmitir fatos livres de tendências e vernizes. Em vez disso, a mídia era mais comumente vista como tendo se vendido a opiniões tendenciosas, número de espectadores e lucros. É claro que os candidatos políticos de todas as bandeiras também buscavam influência com tendências e apresentação de informações de um determinado modo, especialmente um modo favorável. Nesse sentido, as notícias e os políticos se davam muito bem. De fato, eles realmente precisam um do outro.
Fake news não é notícia, embora pareça que ela está se tornando muito mais aceita e difundida atualmente. Mas será que podemos dizer que estas tendências são novas? O analista Chris Hedges, do Truthdig, diz que os jornalistas e as empresas midiáticas abandonaram há muito tempo o relato de notícias. Citando-o diretamente: “A paisagem da mídia na América é dominada pelas ‘fake news’. Tem sido assim há décadas. Essas fake news não emanam do Kremlin. É uma indústria de bilhões de dólares por ano”.[1]
A Bíblia tem uma outra palavra para “fake news”; é chamada “mentira”. Como tal, logicamente, as falsas notícias foram originadas há muito tempo. Elas têm estado circulando de uma forma ou de outra desde o início dos tempos.
A Bíblia tem uma outra palavra para “fake news”; é chamada “mentira”.
Contudo, vamos nos voltar novamente para os tempos mais recentes. A fake news na mídia escrita de fato só veio a existir na mesma ocasião em que as notícias começaram a ser amplamente divulgadas. Isso foi por volta da época em que Johannes Gutenberg inventou a imprensa, em 1439. Quase que imediatamente, e desde lá até agora, houve questões sobre ética jornalística ruim, confusão sobre o que era verdadeiro e o que era falso e “notícias de aluguel”.
Enquanto a mídia impressa hoje toma muitas formas, a concentração da propriedade é, contudo, prevalecente na maioria dos canais – não apenas domesticamente, mas também globalmente.
Atualmente, o negócio da mídia é, globalmente, uma grande indústria, e a propriedade tem se tornado cada vez mais concentrada nas últimas décadas. Isto é verdadeiro globalmente bem como domesticamente na maioria dos países de alta renda.
Por exemplo, considere que 7 companhias, ou menos, controlam mais do que 50% da mídia impressa dos EUA hoje em dia. De acordo com um levantamento feito em 2016 pela revista Forbes, 15 bilionários no EUA controlam toda a indústria da mídia. Negociações visando fusões estão em andamento.
Deveras, a ambição e a motivação para o lucro certamente têm um forte papel, assim como o viés político. Não pode haver dúvida de que as empresas de mídia mais importantes são devedoras a seus acionistas. Isto se aplica a todo o modelo de lucro corporativo. Neste sentido, os negócios de mídia não são mais culpáveis do que qualquer outra corporação pública. Na verdade, as empresas de mídia falam sem restrições sobre isso.
Como certa vez falou o chefe da Westinghouse (que, naquela época, era dono da CBS, a rede de televisão): “Estamos aqui para servir aos anunciantes. Esta é a nossa razão de ser”.[2] Outros chefes da mídia estavam em amplo acordo. Rubin Frank (ex-presidente da NBC News) disse: “Notícia é algo que alguém quer suprimir. Tudo o mais é publicidade”.
Rubin Frank (ex-presidente da NBC News) disse: “Notícia é algo que alguém quer suprimir. Tudo o mais é publicidade”.
À medida que a cultura corporativa chegou à dominação e a competição entre diferentes mídias foi aquecida, aumentou a pressão para “produzir” a notícia que as pessoas vão querer ler. Novamente citando Chris Hedges: “Os jornalistas há muito tempo desistiram de tentar descrever um mundo objetivo, ou a dar voz a homens e mulheres comuns. Eles se tornaram condicionados a atender as demandas corporativas”.
De fato, muitos jornalistas trabalham abertamente como escribas para os poderosos e influentes... remodeladores e fiadores das novas “frases de efeito” para satisfazer agendas alternativas de talvez lobbies, indústrias ou mesmo pessoas ricas individuais.
Como resultado de todas as tendências acima mencionadas, George Friedman (o intrépido analista geopolítico e fundador de Geopolitical Futures [Futuros Geopolíticos]) diz: “A imprensa de prestígio, como costumávamos chamá-la, esbanjou sua herança vinda de gerações anteriores de jornalistas e perdeu seu direito de pronunciar a verdade”.[3]
Ao longo do caminho, também observamos que o que é chamado notícia hoje é geralmente nada mais do que histórias para entretenimento. Grande parte do conteúdo das notícias populares é trivial – acontecimentos de Hollywood e novidades da vida dos ricos e famosos. Os profissionais dos noticiários dos canais de notícias populares tendem a ter aparência e maquiagem de estrelas e astros de cinema. Mulheres jornalistas são apresentadas sentadas em banquetas altas e vestidas com saias curtas. Falatórios sem importância fazem sucesso.
A notícia real, passada, presente e futura, recebe menção restrita, limitada. Da mesma forma, a notícia internacional equilibrada continua a desaparecer do domínio público, inclusive durante esses tempos de atividades antiterroristas estrangeiras. A notícia internacional que realmente chama a atenção dos canais de mídia em massa ou é superficial ou é selecionada para entretenimento ou propaganda.

Ilusão é Verdade

A ideia de que a ilusão e as falsidades podem passar por verdades – até mesmo convencendo uma sociedade inteira a descartar a realidade – é velha. Foi uma ideia primeiramente promovida no jardim do Éden. “Foi isto mesmo que Deus disse...?” (Gn 3.1). Satanás promoveu uma mentira torcendo a verdade.
Todavia, de maneira geral, as pessoas tendem a gostar de acreditar em mentiras. Por quê? Porque a mensagem das mentiras parecerá agradável às pessoas. Mesmo sabendo que são mentiras, elas serão aceitas.
De maneira geral, as pessoas tendem a gostar de acreditar em mentiras.
O profeta Zacarias confirma, em suas duas visões registradas em Zacarias 5, que “mentira e roubo” definirão a essência da sociedade humana nos últimos dias. Mas como alguém pode realizar a tarefa de fazer com que todos creiam em mentiras?
Adolf Hitler, mesmo sendo um homem perverso como era, foi um mestre observador da psique humana. (Assim também é Satanás, o “pai da mentira” – João 8.44.) Citando Hitler: “Toda propaganda tem que ser popular e tem que acomodar-se à compreensão dos menos inteligentes dentre aqueles que ela procura alcançar”. Ele usou esse entendimento para causar grandes males e celebrou essa vulnerabilidade, dizendo: “Que sorte dos governantes que os homens não pensam”.
Mas, o que é a propaganda? É qualquer coisa que escolhe manipular a verdade. No entanto, seus mercados atualmente estão virtualmente em toda parte, especialmente devido às novas tecnologias: o amplo alcance da internet, mídia comercial e social (i.e.: Twitter, Facebook, Instagram, etc.).
O que é popular, ou o que vai ser “viral”, não é necessariamente verdadeiro e provavelmente não é uma notícia importante. Contudo, essa “corrente” de blogs, novos sites, postagens no Facebook e no YouTube (para mencionar apenas alguns dos mais importantes sites sociais) produzem um tipo de nova realidade compartilhada para as sociedades.
Richard Sennett, em seu livro O Declínio do Homem Público, faz a observação que uma “personalidade coletiva [é agora] gerada pela fantasia comum [...] e aqueles que podem manipular e moldar essas fantasias determinam as direções tomadas pela ‘fantasia coletiva’”. Endossar (i.e., aceitar como a visão de vida e de mundo de alguém) a “personalidade coletiva da fantasia comum” é francamente ser enganado, corrompido e descrente.

Pensamentos para Reflexão

A Bíblia diz que todo aquele que busca conforto nas coisas e perspectivas terrenas constrói sobre a areia. São as palavras de Cristo que devemos ouvir e praticar, não as fantasias do mundo (Mt 7.26). Tiago diz: “Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus” (Tg 4.4).
Endossar a “personalidade coletiva da fantasia comum” é francamente ser enganado, corrompido e descrente.
Cito o senador John McCain, que, na ocasião estava preocupado com os possíveis efeitos da contínua concentração da mídia, disse algo que se alinhava com a capacidade da profecia bíblica (embora ele talvez nem estivesse consciente disso): “Em algum ponto, você terá muitas vozes – e um ventríloquo”.
Com a busca comum aos lucros e a contínua concentração da mídia e das notícias, provavelmente haverá um grupo ainda menor – de fato, talvez constituído por apenas um indivíduo – que poderá controlar todo o sistema de mensagens na mídia em algum momento no futuro. Este resultado pode estar a alguma distância no tempo; ou talvez não.
A Bíblia identifica duas criaturas que podem ser futuros candidatos para o papel do tal “ventríloquo de um mundo só” – o Anticristo e o Falso Profeta.
Como as “fake news” têm em sua origem o pai de todas as mentiras, seu reino de iniquidade sobre o mundo tem verdadeiramente prosperado. George Friedman faz uma ampla observação sobre tal sociedade, que já vemos em grande escala atualmente: “Portanto, as mentiras florescem, acusações depreciativas são feitas, e alguns de cada lado ficam livres para crer no que eles quiserem crer [...]. Censores e prestação de contas já não existem mais. O Twitter é o lugar onde pessoas mal-intencionadas, com tempo à mão, podem falar mentiras”.
Como as “fake news” têm em sua origem o pai de todas as mentiras, seu reino de iniquidade sobre o mundo tem verdadeiramente prosperado.
Mas há uma dimensão adicional da fake news que os leitores não devem deixar de saber. Daniel Boorstin, em seu livro The Image: A Guide to Pseudo-Events in America [A Imagem: Um Guia para Pseudo-Acontecimentos na América], faz alusão à ela: “Os mesmos avanços que tornaram as imagens possíveis também fizeram as imagens – embora planejadas, artificiais ou distorcidas – mais vívidas, mais atraentes, mais impressionantes e mais persuasivas do que a própria realidade”.[4]
Mais persuasivas? Será que isso é possível? Uma imagem que é mais persuasiva do que a própria realidade? Isso poderia ser um processo perigoso, na medida em que o real então não pode mais ser discernido de uma imagem. A verdade seria inteiramente não discernível para os ímpios em um mundo desse jeito. Os valores seriam desconectados, desarticulados dos fatos e da verdade.
Em Apocalipse, lemos a respeito de uma imagem que é evocada para enganar o mundo todo: “Por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar em nome da primeira besta, ela [a segunda besta] enganou os habitantes da terra. Ordenou-lhes que fizessem uma imagem em honra à besta que fora ferida pela espada e contudo revivera. Foi-lhe dado poder para dar fôlego à imagem da primeira besta, de modo que ela podia falar e fazer que fossem mortos todos os que se recusassem a adorar a imagem” (Ap 13.14-15).
Podemos Confiar da Bíblia?
Que mensagens sairiam de uma imagem falsa como essa? Não sabemos exatamente. Entretanto, sabemos que “o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. Portanto, não é surpresa que os seus servos [tanto humanos quanto demônios] finjam ser servos da justiça” (2Co 11.14-15). É possível que o mal seja manipulado para que pareça bem... as mentiras podem imitar a verdade (Is 5.20).
Já estamos enfrentando hoje essas preocupações e desafios?
2.000 anos atrás, muito tempo antes que existisse a imprensa escrita e a internet, o apóstolo Paulo já estava preocupado a respeito do engano do Diabo em torcer a verdade. “O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo” (2Co 11.3).

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O CONHECIMENTO DO ATEUS

Thomas Lachenmaier
Deus se revelou a cada pessoa ainda antes que esta tivesse algum interesse por ele. Sobre ateus e seu envolvimento com o conhecimento latente a respeito de Deus.
Há um conhecimento correndo subliminarmente através do mundo que não precisa ser transmitido apenas na escola. O homem o domina mesmo que nunca tenha se esforçado em adquirir esse conhecimento latente. O filósofo Robert Spaemann fala de um “conceito de que há um Deus que criou tudo”. Para um dos seus sábios livros ele deu o título “O boato imortal: a questão de Deus e a superstição da modernidade” (Editora Klett-Cotta). E há ainda um segundo conhecimento colocado no coração da pessoa: que ela deve se manter firme ao primeiro. Sobre isso ela precisa responder com uma decisão tomada livremente. Bob Dylan formulou isso da seguinte maneira, em uma canção: “You’re gonna have to serve somebody. Well, it may be the devil or it may be the Lord” (“Você vai ter que servir alguém. Pois bem, poderá ser ao Diabo ou ao Senhor”).
Também a Bíblia fala algo em Eclesiastes 3.11 sobre esse conhecimento de Deus e também de que são colocadas limitações à capacidade de reconhecimento do homem: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim” (RA).
Provavelmente muitos cientistas, que acreditavam ter descoberto “o princípio” através da teoria da Evolução, tinham uma noção oculta de que algo não conferia nessa teoria. De onde procede toda a informação que é a base do cosmos e da vida?
A gama de informações que se manifesta no mundo físico é tão imensa que ultrapassa totalmente qualquer capacidade de imaginação. De onde ela provém, e como é possível que ela tenha uma conexão interna e complexa?
Um dos que se impressionou com esse fato e, assim, passou a crer em Deus é o laureado e mundialmente renomado biólogo e geneticista americano, prof. dr. John C. Sanford. Ele é o inventor do chamado “canhão de genes”, com o qual é possível introduzir material genético em uma célula. Os seus estudos chegaram à conclusão de que os mecanismos através dos quais deve ocorrer a evolução de Darwin (mutação e seleção) não permitem que ocorra um desenvolvimento superior.
O conhecimento de Deus está no mundo e também nas pessoas. Você pode ver pelas suas reações defensivas que elas se isolam do conhecimento que secretamente possuem.
Outro cientista, o prof. dr. Jerry Bergman, da Universidade Biola, Califórnia, também queria descobrir exatamente tudo e passou a examinar todas as mutações documentadas disponíveis. Ele encontrou 453.732 delas na literatura existente. Não houve uma sequer que possibilitasse o acréscimo de informação no genoma. Também, de onde essa informação surgiria?
Ainda não foi observado acréscimo algum de informação no genoma. Esta seria a condição imprescindível para a ocorrência de um desenvolvimento superior evolucionário. Os cientistas sabem que a informação pode ser duplicada (copiada), mas não aumentada. Não é possível que uma nova informação surja no decorrer de um processo químico ou físico. Ao contrário do surgimento de informação por meio de mutação e seleção, é possível comprovar que, com o aumento da frequência de mutações, ocorre a diminuição de informação. Elas agem de maneira destrutiva e não construtivamente. Todos os genomas de qualidade maior acabam degenerando, isso é inevitável. E, à luz da Bíblia, é justamente isto o que se espera.
Antes de qualquer coisa, o mundo é informação. A informação existente não surgiu por si mesma, ela vem de Deus. No início do evangelho de João, lemos: “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus e era Deus. Ele estava com Deus no princípio”. Essa realidade é visível. É como a Bíblia diz: “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Rm 1.20). Essa visibilidade pode conduzir ao conhecimento – mas esse conhecimento também pode ser reprimido.
Muitos cientistas podem estar sentindo em seu íntimo que esses conhecimentos inegáveis (dos quais eles têm ciência) e que contrariam ao paradigma da Evolução (no qual eles acreditam) os aproximam de conclusões bem específicas, ou seja, de que eles apontam para o Criador.
Edgar Gärtner, um jornalista científico que crê em Deus, além de químico e estudioso político, certa vez escreveu: “A realidade é algo primário de natureza espiritual. Por isso todos os materialistas vivem fora dessa realidade, ou pelo menos à beira dela”. Muitos materialistas sabem em seu íntimo que, mediante aquilo que eles postulam, conseguem apenas arranhar a superfície da realidade.
Talvez diante disso também se explique o furor com que os novos ateístas atacam a fé em Deus. O empenho e a fúria com que um ateu como Richard Daw­kins luta contra a fé em Deus é algo espantoso. Se, como Dawkins alega, Deus não existe, afirmando que isso é algo fora de questão e evidente: onde então estaria o problema? Ele poderia tranquilamente confiar que esse conceito se impõe rapidamente no processo evolucionário com a “sobrevivência do mais apto”.
Quem tem olhos para ver e inteligência para pensar, esse reconhecerá (como faz um cientista) que na natureza agem leis que são absolutamente consistentes. Elas não conhecem exceção, nenhum “talvez”. Na física, evidentemente, existe uma inegável verdade absoluta, mesmo que a ciência não conseguiu, nem conseguirá jamais, compreendê-la plenamente. A física, no entanto, sabe da existência de tal verdade, um “é assim”.
Quanto às coisas espirituais, o homem pós-moderno se acostumou a acreditar que aqui não existe nenhuma verdade. Considera que tudo é subjetivo, relativo, que pode ser assim ou de outro modo, resumindo: a verdade não existe. E nosso físico pensador?
Não deveria ele estar pensando que de fato precisa ser assim, que para a existência da verdade das leis da natureza (que ele conhece) também deveria ter uma verdade espiritual correspondente? Isso convence o entendimento humano. É o que a Bíblia também diz. Ela fala dessas duas verdades.
Não é necessário ser cientista para perceber indicativos sobre a existência de Deus. Muitos que gostam de ler bastante, mas não querem saber de crer em Deus, ao lerem uma passagem dos Salmos, chegaram à constatação: “Essas frases são chocantes. Eu nunca conseguiria escrever algo assim. Ninguém consegue escrever assim”. Até aos dias de hoje as pessoas descobrem que as palavras da Bíblia têm algo muito especial, singular. Assim, muitas passagens dos Salmos possuem um tremendo poder e força, mas ao mesmo tempo são amorosas e belas. Elas são simples, mas também possuem uma complexidade inesgotável. Muitos leitores ficaram admirados com isso e, como o prof. Sandford, ficaram cismados sobre a origem da informação, chegando ao reconhecimento final: “Sim, de fato ninguém consegue escrever desse modo. Pessoa alguma poderia escrever assim, se Deus não tivesse colocado essas palavras no coração dela. Eu preciso procurar esse Deus, me abrir diante dele, confiar nele”.
O conhecimento de Deus está no mundo e também nas pessoas. Você pode ver pelas suas reações defensivas que elas se isolam do conhecimento que secretamente possuem. Woody Allen, que não se cansa de explicar que ele não acredita em Deus, por ocasião de seu 75º aniversário, disse: “Eu odeio aniversários. Eles me levam mais perto do horrível ‘nada’”. Horrível “nada”? Como algo que não existe pode ser horrível? Se ele confiasse em suas próprias palavras (“não apenas Deus não existe, mas tente encontrar um encanador aos fins de semana”), então ele poderia tranquilamente ir ao encontro da não-existência. No entanto, ele tem noção de que sua alma não é temporária.
Woody Allen tornou a supressão de suas noções sobre Deus como se fosse uma profissão. Ele se esforça nessa repressão, mas mesmo assim ele sente: diante de Deus não existe neutralidade.
O que para um é uma noção semiconsciente, para outro é uma certeza, mas que apesar disso ele rejeita. Os praticantes do ocultismo não negam a existência de Deus. No entanto, eles tomaram sua decisão. Eles sabem a quem estão servindo.
Apocalipse
Um exemplo especialmente bizarro de uma tomada de decisão é o caso dos dominadores muçulmanos do Monte do Templo, em Jerusalém. Eles honram Alá e, em consequência, não dão credibilidade às profecias bíblicas. Será que eles sabem a verdade, mas tomaram sua decisão como fizeram os seguidores do ocultismo?
Solimão I é aquele que estava diante de Viena por ocasião da primeira ocupação turca, em 1529, e tomou conhecimento das palavras proféticas da Bíblia, segundo as quais o Messias entrará na cidade pela porta oriental. Em 1541 ele ordenou que essa porta, também chamada de “Dourada”, fosse fechada com um muro. Para ficarem totalmente seguros de que o Messias prometido não entrará por essa porta, os muçulmanos ainda implantaram um cemitério à frente da porta, considerando que o Messias não passará por cima de túmulos.
Ninguém constrói um muro para fechar um portão com a finalidade de evitar que passe alguém que não existe. Quem age assim está convencido da existência da pessoa anunciada. Ele, no entanto, tomou a decisão da qual Bob Dylan fala em sua canção. — Thomas Lachenmaier — factum-magazin.ch

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O SOL DA JUSTIÇA

O sol da justiça

Norbert Lieth
Para vocês que reverenciam o meu nome, o sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas. E vocês sairão e saltarão como bezerros soltos no curral” (Ml 4.2). Uma interpretação profética e de aconselhamento.
Faz muito bem ver o sol nascer nas manhãs de verão, fazendo a natureza despertar – as flores desabrocham, os passarinhos cantam e nos sentamos no terraço para tomar café e apreciar a manhã. E quando, na Europa, os camponeses soltam na primavera os bezerros para o ar livre e o sol, estes pulam e saltam de alegria. Não é sem motivo que se fala de um sol “risonho”. Talvez o brilho do sol também seja o motivo pelo qual os habitantes das regiões mais próximas ao Equador sejam em geral mais alegres e despreocupados. O sol faz bem à alma. Sem o sol, a vida seria impossível na terra.
A vitamina D é gerada numa proporção de 90% na pele e na retina dos olhos por efeito dos raios ultravioleta, o que é particularmente importante logo após o inverno. A carência de vitamina D pode propiciar várias doenças, como câncer, diabetes, distúrbios circulatórios, osteoporose e depressões. Também nisso a Bíblia revela sua veracidade, quando diz: “A luz é agradável, é bom ver o sol” (Ec 11.7).
Quando uma das nossas filhas nasceu prematuramente no Uruguai e os pulmões ainda não estavam bem desenvolvidos, os médicos nos instruíram a deitar a criança todos os dias despida por dez minutos ao sol. Portanto, o sol é algo positivo. Ele traz saúde sob suas asas.
Jesus é o sol da justiça. Ele nos trouxe a saúde plena. Nele, Deus nos presenteou com tudo. Quem nele crê, pode alegrar-se. Com ele começa um novo dia, com ele acende-se a luz, com ele tudo floresce e cresce espiritualmente. Além disso, todos os que creem no seu nome e o levam a sério brilharão em sua justiça quando ele voltar e se rejubilarão diante dele: “Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação” (1Pe 1.6).
Passamos por sofrimento e tristeza, somos mal compreendidos, talvez hostilizados, e temos medo e dores. Os cristãos são perseguidos, torturados e até mortos. Contudo, depois entram no descanso e na alegria eternos, na glória da luz de Deus (cf. 2Ts 1.6-10). Quando Jesus Cristo retornar, o sol se levantará, a justiça e a cura brilharão e nós saltaremos de alegria no coração.
Alguém disse: “Uma pessoa que crê em Jesus não vive mais ao encontro da morte, mas morre ao encontro da vida”. Todo sofrimento é no máximo o penúltimo evento que nos espera – o último é uma alegria bem-aventurada: “O choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria. Mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste de alegria” (Sl 30.5,11).
No entanto, o versículo de Malaquias 4 citado acima refere-se primariamente ao futuro de Israel. Antes de tudo, o remanescente de Israel terá de passar pela grande tribulação: “ardente como uma fornalha” (Ml 4.1). No entanto, esse remanescente se converterá e sobre ele se levantará o sol da justiça, trazendo cura sob as suas asas quando o Messias retornar.
Isaías também aponta para esses eventos futuros: “‘O Redentor virá a Sião, aos que em Jacó se arrependerem dos seus pecados’, declara o Senhor. Levante-se, refulja! Porque chegou a sua luz, e a glória do Senhor raia sobre você. Olhe! A escuridão cobre a terra, densas trevas envolvem os povos, mas sobre você raia o Senhor, e sobre você se vê a sua glória. As nações virão à sua luz e os reis ao fulgor do seu alvorecer” (Is 59.20; 60.1-3).
Aqui também se pode recorrer a Romanos 11.26: “E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: ‘Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade’”.
Podemos imaginar muito bem com que intensidade os judeus crentes no Messias ansiarão durante a grande tribulação pela revelação do seu Redentor e, com esta, pelo surgimento do Sol da Justiça com o qual irromperá a nova era do reino messiânico: “Espero pelo Senhor mais do que as sentinelas pela manhã; sim, mais do que as sentinelas pela manhã! Ponha a sua esperança no Senhor, ó Israel, pois no Senhor há amor leal e plena redenção. Ele próprio redimirá Israel de todas as suas culpas” (Sl 130.6-8).
O último capítulo da Bíblia também aponta para o rompimento de um novo dia: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para dar a vocês este testemunho concernente às igrejas. Eu sou a Raiz e o Descendente de Davi, e a resplandecente Estrela da Manhã” (Ap 22.16).
A estrela da manhã anuncia a iminência do nascer do sol, o início de um novo dia. Jesus é tanto a estrela da manhã como também o sol da justiça. Cristo retorna em glória e trará sua luz a este mundo. Naquele dia se rejubilarão os que esperavam sua vinda.
“Aquele que dá testemunho destas coisas diz: ‘Sim, venho em breve!’ Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20)

terça-feira, 25 de setembro de 2018

JUSTAMENTE UM JUMENTO

Justamente um jumento

Wolfgang Schuler
O jumento caracteriza-se por ser um animal paciente mas também teimoso, e, como tal, ele desempenha um papel de destaque na Bíblia. Nas bênçãos que Jacó profere sobre os seus filhos, ele é amarrado ao “ramo mais seleto” da videira.
As bênçãos que Jacó profere ao fim da sua vida sobre os seus filhos são familiares para todos nós, especialmente as declarações proféticas sobre o seu filho Judá (Gn 49.8-12), que culminam nas palavras: “O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que venha aquele a quem ele pertence, e a ele as nações obedecerão”.
A tribo de Judá perdeu o cetro e o bastão de comando no ano 6 d.C., quando, sob o imperador romano Tibério e o governador Pôncio Pilatos, a Judeia foi oficialmente declarada província romana. Pouco depois, Jesus de Nazaré reivindicou no templo pela primeira vez, aos 12 anos de idade, ser o Messias, para espanto dos seus pais e mais ainda dos escribas e fariseus: “Não sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai?” (Lc 2.49).
No entanto, qual seria o papel do jumento na bênção de Jacó nos versículos subsequentes? “Ele amarrará seu jumento a uma videira; e o seu jumentinho, ao ramo mais seleto; lavará no vinho as suas roupas; no sangue das uvas, as suas vestimentas. Seus olhos serão mais escuros que o vinho; seus dentes, mais brancos que o leite” (Gn 49.11-12). O que significará isso? É raro algum intérprete ocupar-se desses belos, porém misteriosos versículos.
Sandra Oster Barras, gerente do escritório israelense da Christian Friends of Israeli Communities (CFOIC) no centro das terras bíblicas e no coração de Israel, as regiões “ocupadas” da Judeia e da Samaria, trata detalhadamente da bênção de Jacó em seu estudo bíblico de cinco partes em DVD The Choosing of a Chosen People (A Escolha de um Povo Escolhido), mas também ela omite a passagem que fala do jumento. Em um diálogo pessoal, ela admitiu que alguns intérpretes também atribuem um sentido messiânico a essa passagem.
Apocalipse
Chama atenção que o jumento ocupa uma posição de destaque nas Escrituras Sagradas. Apenas um grupo restrito de animais é aceito para uso nos sacrifícios. São aqueles que (tal como o Messias) se submetem docilmente às mãos do homem, mesmo quando este pretende sacrificá-los, ou seja, matá-los: bovinos, carneiros, cabras e pombos mansos. O jumento é expressamente excluído desse grupo. Todo primogênito de jumento pertencia a Deus e precisava ser resgatado por meio de um cordeiro; caso contrário, teria de ser morto (literalmente “desnucado”) – uma palavra muito violenta (Êx 13.13). Balaão ouve as palavras proféticas de Deus justamente da boca de um jumento, o que salvou sua vida e lhe deu mais tarde a oportunidade – ainda que a contragosto – de proferir algumas das mais extraordinárias profecias sobre o povo de Israel e o seu Messias (Nm 23–24).
A montaria real de Davi era um jumento, sobre o qual ele introduziu seu filho Salomão em Jerusalém para apresentá-lo como seu sucessor de direito em sua velhice. Zacarias anunciou o Messias como alguém que, como Davi, entra em Jerusalém montado num jumento, filhote de uma jumenta (Zc 9.9), e é exatamente isso que Jesus faz sob os hosanas do Seu povo pouco antes de celebrar Sua última Páscoa. Muitos jumentos possuem em seu lombo uma grande e escura cruz no pelo – uma longa faixa longitudinal e outra mais curta, transversal, na altura das patas dianteiras.
Muitos jumentos possuem em seu lombo uma grande e escura cruz no pelo.
Os jumentos eram apreciados por sua docilidade e paciência, mas eles também conseguem ser bem teimosos. Deus repetidamente confirma Seu amor e Sua eterna fidelidade a Israel apesar de todos os desvios e da obstinação desse povo. A Escritura Sagrada refere-se no mínimo nove vezes à obstinação de Israel.
Pode ser que o jumento não fosse aceitável como animal sacrificável por ser tão semelhante a Israel, o “primogênito” que Deus não quer sacrificar, mas resgatar por meio do Cordeiro. Seria por isso também que a primeira cria do jumento deveria ser resgatada por um cordeiro? Seria que Judá deveria amarrar o seu “jumento” – sua própria “cabeça dura” – à mais nobre das videiras (Jo 15.1; o Texto afirma: Ele fará!) para não fugir dela e não perder a bênção que lhe foi designada?
Suas vestes serão lavadas pelo “sangue das uvas” daquela videira, prossegue o versículo 11 de Gênesis 49. Um tanto à margem, ele também constata que o suco dessa nobre videira parece ser excelente. Os olhos “escuros“ revelam que ele bebeu abundantemente desse suco. A única referência bíblica além desta em que aparece a palavra hebraica que significa “escuro” ou “avermelhado“ é Provérbios 23.29-30, que trata do abuso do consumo de vinho. Nessa passagem, a melhor tradução seria algo como “inebriado de vinho”.
Com isso proporciona-se a Judá não só uma purificação externa, mas também interna, e o seu coração se enche de alegria como por um bom vinho. Os olhos inebriados (não avermelhados) refletem isso, e os dentes brilhantemente brancos (“mais brancos que o leite”) são um sinal exterior de que essa purificação interna se realizou.
Assim, essas palavras proféticas de Jacó interpretam de forma simpática, até bem-humorada, aquilo que mais tarde Ezequiel anunciaria detalhadamente (Ez 36.25-28) e o que Paulo confirma em Romanos 11.26 a respeito do povo judeu, fazendo referência a Isaías 59.20: “Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade”. Ele cita Isaías de acordo com a Septuaginta, que se desvia aqui do texto massorético em dois pontos. Como a Septuaginta é mais antiga que o texto massorético redigido, ela parece ser mais confiável. E Deus se mantém fiel à Sua Palavra! — Wolfgang Schuler (factum-magazin.ch)