sábado, 26 de maio de 2018

O CHAMADO DE ABRÃO

O Chamado de Abrão

Thomas Lieth

Israel, Um Povo Muito Especial - Parte III

Em Gênesis 12.1-3 lemos: “Então o Senhor disse a Abrão: ‘Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção. Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados’.”
Essa aliança com Abraão é significativa também para a Igreja de Jesus, não só para Israel, já que nós, gentios que cremos em Jesus Cristo, fomos incluídos nas promessas de bênção dessa aliança por meio de Jesus, o Messias judeu (vide a Carta aos Gálatas). Agora, porém, passarei a tratar desta importante aliança apenas visando à história de Israel, já que é por meio dela que começa a história propriamente dita do povo de Deus.
Aproximadamente no ano de 2000 a.C., Deus escolheu para o Seu propósito um homem de Ur na Caldeia, chamado Abrão. O objetivo do Senhor com isso foi criar a partir de Abrão um povo para Si. Deus queria fazer história não apenas com Abrão, mas também com seus descendentes. Esse povo proveniente de Abraão teria a função de glorificar no mundo o único Deus verdadeiro (Is 43.21). Seria de certa forma o representante ou embaixador de Deus na terra, por meio do qual o restante do mundo enxergaria quem é Deus (Is 49.3).
A santidade de Israel, ou seja, seu procedimento e seu culto, demonstraria ao mundo caído em pecado a sua impureza e necessidade de redenção. Lembremo-nos da queda em pecado do primeiro casal humano, dos pecados da humanidade nos tempos de Noé e também logo depois do dilúvio que assolou o mundo. Lembremo-nos da construção da Torre de Babel, da devassidão dos povos e da sua idolatria. Havia muito que os povos da humanidade haviam esquecido quem era o Deus que os criara; há muito haviam confeccionado para si seus próprios deuses inúteis e mortos. Tudo isso combinou-se com homicídios, matanças e grande medo, assim como ainda hoje se observa em parte em “tribos primitivas” que se embriagam e flagelam de medo de demônios e dos seus “deuses”. Sacrificavam até mesmo seus próprios filhos aos deuses mortos a fim de aplacar a ira deles. Israel deveria abrir os olhos a esses povos para que reconhecessem quem os criara. E o mundo deveria enxergar por meio de Israel o que Deus quer e requer, e qual é Seu conceito de um homem justo (Dt 4.5-8).
As doze tribos de Israel, que afinal descendiam de Abraão, deveriam ter transmitido aos outros povos da terra a redenção eterna. O povo de Israel habitaria no meio da população mundial para alcançar os povos com a Palavra de Deus a partir dessa posição central. Essa escolha representava para os judeus uma elevada posição, mas também uma grande responsabilidade – uma grande honra para esse povo, mas também um pesado fardo (Am 3.1-2).
Casamento
Certamente muitos judeus teriam preferido não pertencer ao povo eleito de Deus. Não só isso implica grande responsabilidade, como Deus, nosso Criador, não é apreciado por todos, e sempre que alguém se rebelar contra Deus, será necessariamente também adversário de Israel. Assim como dificilmente poderá contar com grandes simpatias um embaixador que represente no exterior os interesses do seu país possivelmente muito malvisto ali, por mais amável que seja pessoalmente. Assim também muitos judeus poderiam pensar: “Estaríamos bem melhor se não fôssemos o povo eleito: pelo menos nos deixariam em paz”. De fato, creio que esse povo seria tratado com muito mais simpatia se Satanás não lutasse ao mesmo tempo contra Deus e assim também contra seus embaixadores e representantes.
Dificilmente alguém se engajará pelos direitos dos coptas no Egito ou pelo direito dos curdos e armênios na Turquia. Ninguém se importa com os índios da América do Norte e do Sul, com os aborígenes australianos e os mouros do Líbano. Esta lista ainda poderia ser ampliada à vontade. No entanto, o veemente empenho mundial a favor dos palestinos não resulta de amor ao próximo ou sequer de compaixão com os palestinos, mas de oposição a Israel. Se o inimigo dos curdos não fosse a Turquia, mas Israel, o mundo daria muito mais atenção às “reivindicações dos direitos” deles. Israel foi arrastado para dentro desta luta entre Deus e Satanás.
No entanto, o povo judeu não reconheceu coletivamente sua incumbência missionária e até hoje não a cumpriu. Salvo por algumas poucas exceções, ele até hoje não atendeu a essa elevada responsabilidade. Em vez de guardar os mandamentos e os estatutos de Deus e ser testemunha desse Deus Criador diante dos outros povos, ele seguiu seus próprios caminhos. Somente quando todo o Israel se converter ao seu Messias Jesus ele também será sem exceção uma bênção e um embaixador digno para todos os povos da terra. Ao que parece, isto só acontecerá por ocasião do Reino Milenar.
Voltemos a Abraão. Deus escolheu um homem, Abrão, que mais tarde se tornou Abraão, para iniciar com ele uma nova etapa da história da redenção. Deus estabeleceu uma aliança com esse eleito. Entre outras coisas, essa aliança incluiu a promessa a Abraão de que ele se tornaria pai de grandes nações, que seriam abençoados aqueles que o abençoassem, e que sua semente (descendente) proporcionaria a salvação da humanidade. Por um lado podemos dizer que a descendência de Abraão, ou seja, os judeus, representaram uma grande bênção para a humanidade apesar das suas falhas. Não fosse por outra coisa, o simples fato de os judeus nos terem legado a Bíblia. Os judeus apresentaram a nós, os gentios, o único Deus Criador verdadeiro. Todavia, muito mais significativo ainda é o fato de que desse povo proveio o Salvador, o Redentor e Ungido: Jesus Cristo! Ele é a semente já anunciada no Antigo Testamento, que traria a salvação da humanidade, como de fato trouxe (Gl 3.16).
Deus prometeu a Abraão um herdeiro, e isso apesar de naquele momento Abrão já ser idoso e não ter filhos (Gn 15.2-5). É verdade que Abrão ganhou um filho como resultado da impaciência de sua esposa Sarai, que não engravidava. Assim, o filho não foi de sua própria esposa, mas de sua serva egípcia Hagar. Esse filho chamava-se Ismael (Gn 16), e também ele recebeu promessas. Portanto, também a descendência de Ismael seria muito numerosa, mas ele não foi considerado herdeiro de Abraão (Gn 17.15-21).
De Ismael acabaram provindo os povos árabes beduínos. Abraão, por sua vez, recebeu uma confirmação da promessa de que teria um filho, mas agora de sua própria esposa, e este então seria seu herdeiro. — Thomas Lieth

sábado, 12 de maio de 2018

O QUE JESUS FARÁ APÓS SEU RETORNO ?

O que Jesus fará após o Seu retorno?

Mark Hitchcock
Cremos que, algum tempo após o nosso arrebatamento ao céu, Jesus Cristo voltará conosco à terra. O que o Senhor fará então? Eis uma breve exposição a respeito.
A Bíblia cita seis atos essenciais que Jesus executará após o Seu retorno à Terra.
1) Cristo vencerá o Anticristo e seus exércitos (Ap 19.19-21). Conta-se que alguns soldados do exército do imperador romano Juliano, o Apóstata (332-363 d.C.) torturaram um cristão durante um deslocamento deles à Pérsia. Cansados da sua brincadeira cruel, olharam para sua pobre vítima e perguntaram-lhe zombando: “Onde está agora o seu deus carpinteiro?” O homem olhou para eles com seu rosto ensanguentado e disse: “Está construindo um caixão para o imperador de vocês”. Quando o Senhor Jesus retornar, o Anticristo e todos os outros líderes ímpios serão aniquilados pelo Deus de quem zombaram.
2) Cristo reunirá o Israel fiel para restaurá-lo (Rm 11.26). A promessa talvez mais citada no Antigo Testamento é a de que um dia Deus reunirá e restaurará o povo de Israel (Is 43.5-6; Jr 30.10; 33.6-9; Ez 36.24-38; 37.1-28). O processo de reunião de Israel começou em 1948, quando nasceu o atual Estado de Israel, e prossegue até hoje, devendo continuar até a Segunda Vinda de Cristo. Durante o período da Tribulação, Israel será disperso pela última vez (Zc 14.1-2), e na sua Segunda Vinda Cristo reunirá os judeus crentes para restaurá-los como Seu povo (Is 11.11-16; Ez 39.25-29). Mateus 24 descreve a dispersão dos judeus durante a Tribulação (24.15-21) e sua subsequente reunião sob o Messias: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com grande som de trombeta, e estes reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus (Mt 24.30-31).
3) Cristo julgará os que estiverem vivos. Por ocasião da Sua vinda, todos os homens de todas as nações que tiverem sobrevivido à Tribulação comparecerão diante Dele. Nessa ocasião se verificará se eles poderão entrar em Seu reino (Mt 25.31-46). Esse julgamento é chamado de “separação das ovelhas dos bodes”. Cristo também reunirá todos os judeus vivos do deserto para determinar quem entrará no Seu reino (Ez 20.33-38).
4) Cristo ressuscitará os mortos. Um dos eventos subsequentes à Sua Segunda Vinda será a ressurreição dos crentes do Antigo Testamento e da Tribulação. Eles serão ressuscitados e premiados para reinarem com Cristo (Ap 20.4-6; ver também Dn 12.1-4). Os crentes neotestamentários oriundos da Era da Igreja não participarão desta ressurreição porque os crentes que morrerem durante a presente era (o período da Igreja) já ressuscitarão por ocasião do Arrebatamento que ocorrerá sete anos antes.
5) Cristo prenderá o Diabo (Ap 20.1-3). Será a primeira providência de Jesus após o Seu retorno. Um poderoso anjo o agarrará e o lançará por mil anos no abismo. Após esse período, ele será solto brevemente.
6) Cristo assumirá o Seu reinado (Ap 19.16). Cristo retornará como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Ele se assentará em Seu maravilhoso trono e reinará sobre a Terra (Dn 2.44; Mt 19.28; Lc 1.32-33).
Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todos os povos da terra se lamentarão por causa dele. Assim será! Amém (Ap 1.7). — Mark Hitchcock

sábado, 5 de maio de 2018

MUITAS COISAS BOAS ACABAM MAL

Muitas Coisas Boas Acabaram Mal

Wilfred Hahn
Ah, se todos nós pudéssemos viver num mundo de “leite e mel”. Todo mundo sabe o que significa essa expressão – uma terra sem cuidados, de abundância e vida fácil. Nesta presente era de pilhas de riquezas cada vez maiores e uma classe média encolhida, a maioria se contentaria com apenas isso.
No entanto, de onde surgiu esta expressão – “leite e mel”? Muito, muito tempo atrás no Antigo Testamente. Hoje, muitos milênios depois, ela continua sendo uma expressão comumente usada. A etimologia (o estudo da origem das palavras) e os idiomas podem revelar conexões fascinantes com antigas sociedades.
A expressão “leite e mel” aparece pela primeira vez em Êxodo 3.8, onde o Senhor Jeová diz a Moisés: “Por isso desci para livrá-los [meu povo] das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde há leite e mel com fartura: a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus”.
Jeová tinha revelado a Abraão já há muito tempo (e muitas vezes) que ele possuiria a terra de Canaã, e “toda a terra que você está vendo” (Gn 13.15). Essa terra foi prometida por Jeová para ser dada a Abraão e seus descendentes como “propriedade perpétua” (Gn 17.8).
Porém, a primeira vez que a expressão “leite e mel” aparece na Bíblia foi uma revelação e um lembrete a Moisés, de que esta Terra Prometida estava cheia de grandes recompensas. Pode-se supor que, como Abraão já tinha vivido naquela terra, não havia a necessidade de prometer “leite e mel” a ele. Ele saberia que esse é o caso. Moisés, muitos anos depois, talvez precisasse de um incentivo de “leite e mel” – uma cenoura numa vara, por assim dizer – para seduzir os hebreus a deixarem o Egito e embarcarem no êxodo para esta nova Terra Prometida.
É certamente significante que a expressão “leite e mel” apareça exatas 21 vezes (três vezes sete) no Antigo Testamento. Com certeza é uma promessa que será mantida pelo próprio Deus (pois ainda não ocorreu plenamente).

Uma terra de excessos

Ao longo da história, a humanidade tem ativamente impulsionado o crescimento econômico através de vários meios e ganhos de produtividade. O crescimento da produção econômica (o que hoje chamamos popularmente de Produto Interno Bruto ou PIB) tornou-se uma medida geopolítica muito importante da riqueza e o indicador-chave do chamado “progresso humano”. É a essência básica do humanismo. Como tal, vivemos hoje em uma era onde muitas nações sofrem de excessos... não escassezes. Por quê?
Há muita oferta e uma demanda insuficiente. De fato, em muitos países é mais fácil comprar algo do que vender. Naturalmente, existem partes do mundo onde comprar é muito mais difícil do que vender e onde há escassez de comida. Isso não precisa ser o caso em nossos dias. Ganância, corrupção, cleptocracia e conflitos humanos, seja pela guerra ou pela competição política, são as razões de tais casos.
Não obstante, seria válido destacar que a industrialização e a motivação para o lucro, incorporada na busca do comércio e da troca, criaram um mundo de excedentes em relação aos bens de consumo e às calorias. Existem muitas provas. Com certeza, no que diz respeito a um “excesso de calorias”, uma epidemia mundial de obesidade (como anunciada pela Organização Mundial da Saúde) é uma evidência parcial (embora de modo algum deseje simplificar este complexo problema).
O “excesso de comida” me faz lembrar de um velho conto de fadas alemão. Quando criança, eu fui exposto à popular história chamada Mecki in Schlaraffenland. Anos depois, eu encontrei uma versão traduzido para o inglês, a qual eu li para os meus netos. Como com a maioria dos antigos contos de fada (irmãos Grimm, Wilhelm Busch... etc.), eles são considerados um tanto macabros para as jovens crianças dos nossos dias. De qualquer caso, Mecki vive em Schlaraffenland, que é uma terra de excessos. Leite e mel em todos os lugares... para não mencionar bacon, bolos e todos os alimentos saborosos que você possa querer comer.
Neste conto, tudo desde bacon até galinhas assadas voam direto para a boca da pessoa, se ela descuidadamente deixá-la aberta.
No entanto, um excesso de qualquer coisa não é ideal. Longe disso. Os efeitos colaterais podem incluir perda de saúde, vício, destruição da rentabilidade... etc. Nós, seres humanos, de fato temos uma propensão para grandes apetites e ambições, mas apenas uma limitada capacidade para cumpri-los. Saciedade modesta e balanceada é apreciável, mas excessos – mesmo de itens saborosos e de luxo – levam a problemas.

Inundado de leite e mel

Hoje, acredite ou não, as indústrias de leite e mel estão sofrendo de excesso de oferta. Ambas as commodities estão sendo produzidas em quantidades esmagadoras. Considere esta citação sobre a indústria do leite: “Se você já sentiu vontade de chorar pelo leite derramado, agora é a hora. Produtores de leite nos Estados Unidos derramaram mais de 43 milhões de galões de leite entre janeiro e agosto de 2016. Esse leite foi derramado em campos, lagoas de esterco e na alimentação dos animais, ou para dentro do dreno em usinas de processamento. De acordo com o Wall Street Journal, essa quantidade de leite é suficiente para encher 66 piscinas olímpicas e é a maior desperdiçada nos últimos 16 anos”. [1]
Casamento
Aparentemente, há tanto excesso de leite que se poderia literalmente permitir que as pessoas se banhassem nele. Na verdade, essa era uma prática dos ultrarricos séculos atrás. Um banho de leite quente deixava a pele macia.
“O problema é que os Estados Unidos estão no meio de um massivo excesso de leite”, diz o artigo. Existe uma condição similar na Europa, que também se estende a enormes estoques de queijo. Assim como os canadenses, que, embora o suprimento de leite seja controlado, têm muito mais capacidade do que demanda.
Acredite ou não, o mundo até mesmo sofre de muito mel. (Pode haver demais de uma coisa boa?) A América está realmente transbordando de mel. No Canadá, um afluxo de mel importado da China, Zâmbia, Vietnã (e outros países) está fazendo com que muitos apicultores fechem suas lojas. O preço por atacado do mel diminuiu pela metade nos últimos anos.
A terra de “leite e mel” que estava no olhar dos antigos hebreus é hoje nada mais do que uma história pitoresca em nosso tempo de excesso. Certamente não há escassez de excessos e abundâncias.

Acumular versus Emanar

Como mencionado, excessos também podem levar a problemas. Considere estocar e acumular. Tiago comenta sobre o aparecimento, no fim dos tempos, do acúmulo: “Vocês acumularam bens nestes últimos dias” (Tg 5.3). A NTLH usa a expressão “amontoaram”. A riqueza acumulada (que deve significar um abismo cada vez maior entre “os que têm e os que não têm”) é aqui citada claramente como uma condição dos últimos dias. O armazenamento é repudiado em toda a Bíblia quando envolve negação de oferta ou ganância. Aqui, encontramos uma conexão significativa com o uso do Antigo Testamento da expressão “leite e mel”.
A economia de Deus é composta principalmente por emanações, e não por armazéns cheios de dinheiro ocioso.
Mas primeiro, preciso fazer uma admissão. Anteriormente, mencionei que a expressão “leite e mel” é encontrada exatamente 21 vezes na Bíblia. Na verdade, isso está errado. Para ser exato, é a frase “terra que mana leite e mel” (ARA) que aparece 21 vezes. Em todos os casos que “leite e mel” é mencionado, está no contexto de uma “terra” na qual “leite e mel” estão emanando.
Isso é significativo. Por quê? Por uma série de razões. No entanto, queremos nos concentrar em por que a palavra “mana” é sempre incluída. A palavra “mana” implica algo sendo usado ou ativo, ou sendo distribuído. Não é algo “armazenado”. A Terra Prometida que “mana leite e mel” não era para ser um depósito de leite e mel. Leite e mel não estão sendo estocados ou acumulados, mas emanados. Eles deveriam ser consumidos e disponibilizados a todos.
A Bíblia promove emanações. Considere que a Oração do Senhor solicita especificamente que o Senhor “dá-nos hoje o nosso pão de cada dia” (Mt 6.11). Não somos instruídos a pedir uma despensa de pão que vai durar um mês, mas sim apenas para um dia. Semelhantemente, notamos que os israelitas recebiam o maná diariamente e de uma forma que não pudessem armazenar (com a exceção da porção dobrada para o Sabbath).

Pensamentos para reflexão

Os cristãos devem ser “pessoas emanantes” e não acumuladores.
A economia de Deus é composta principalmente por emanações, e não por armazéns cheios de dinheiro ocioso. Assim como Deus é amor em movimento – amor vivido –, assim deve ser com o dinheiro. É claro que precisamos economizar para as nossas necessidades antecipadas e financiar as atividades dos nossos negócios e sustento. No entanto, chega um momento em que o ato de guardar torna-se armazenar. Nesse sentido, para os santos, todo o guardar deve ser feito em um espírito de mordomia.
Em contraste, o mundo promove o espírito de acumulação; a busca da riqueza terrena como medida de sucesso; um baluarte de segurança; para satisfazer o orgulho. A maioria dos dons de Deus para nós, sejam eles dons do Espírito ou recursos materiais, são destinados para compartilharmos e abençoarmos outros através da nossa doação. Nós mesmos podemos ser uma fonte que “mana” leite e mel para aqueles que precisam.
Seja uma pessoa emanante, não uma acumuladora.
Todos os cristãos (embora talvez não sejam “israelitas”) têm a simbólica promessa de uma “terra que mana leite e mel”. Algum dia, quando chegarmos à Nova Jerusalém, “ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou. Aquele que estava assentado no trono disse: ‘Estou fazendo novas todas as coisas!’” (Ap 21.4-5). — Wilfred Hahn