terça-feira, 25 de setembro de 2018

JUSTAMENTE UM JUMENTO

Justamente um jumento

Wolfgang Schuler
O jumento caracteriza-se por ser um animal paciente mas também teimoso, e, como tal, ele desempenha um papel de destaque na Bíblia. Nas bênçãos que Jacó profere sobre os seus filhos, ele é amarrado ao “ramo mais seleto” da videira.
As bênçãos que Jacó profere ao fim da sua vida sobre os seus filhos são familiares para todos nós, especialmente as declarações proféticas sobre o seu filho Judá (Gn 49.8-12), que culminam nas palavras: “O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que venha aquele a quem ele pertence, e a ele as nações obedecerão”.
A tribo de Judá perdeu o cetro e o bastão de comando no ano 6 d.C., quando, sob o imperador romano Tibério e o governador Pôncio Pilatos, a Judeia foi oficialmente declarada província romana. Pouco depois, Jesus de Nazaré reivindicou no templo pela primeira vez, aos 12 anos de idade, ser o Messias, para espanto dos seus pais e mais ainda dos escribas e fariseus: “Não sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai?” (Lc 2.49).
No entanto, qual seria o papel do jumento na bênção de Jacó nos versículos subsequentes? “Ele amarrará seu jumento a uma videira; e o seu jumentinho, ao ramo mais seleto; lavará no vinho as suas roupas; no sangue das uvas, as suas vestimentas. Seus olhos serão mais escuros que o vinho; seus dentes, mais brancos que o leite” (Gn 49.11-12). O que significará isso? É raro algum intérprete ocupar-se desses belos, porém misteriosos versículos.
Sandra Oster Barras, gerente do escritório israelense da Christian Friends of Israeli Communities (CFOIC) no centro das terras bíblicas e no coração de Israel, as regiões “ocupadas” da Judeia e da Samaria, trata detalhadamente da bênção de Jacó em seu estudo bíblico de cinco partes em DVD The Choosing of a Chosen People (A Escolha de um Povo Escolhido), mas também ela omite a passagem que fala do jumento. Em um diálogo pessoal, ela admitiu que alguns intérpretes também atribuem um sentido messiânico a essa passagem.
Apocalipse
Chama atenção que o jumento ocupa uma posição de destaque nas Escrituras Sagradas. Apenas um grupo restrito de animais é aceito para uso nos sacrifícios. São aqueles que (tal como o Messias) se submetem docilmente às mãos do homem, mesmo quando este pretende sacrificá-los, ou seja, matá-los: bovinos, carneiros, cabras e pombos mansos. O jumento é expressamente excluído desse grupo. Todo primogênito de jumento pertencia a Deus e precisava ser resgatado por meio de um cordeiro; caso contrário, teria de ser morto (literalmente “desnucado”) – uma palavra muito violenta (Êx 13.13). Balaão ouve as palavras proféticas de Deus justamente da boca de um jumento, o que salvou sua vida e lhe deu mais tarde a oportunidade – ainda que a contragosto – de proferir algumas das mais extraordinárias profecias sobre o povo de Israel e o seu Messias (Nm 23–24).
A montaria real de Davi era um jumento, sobre o qual ele introduziu seu filho Salomão em Jerusalém para apresentá-lo como seu sucessor de direito em sua velhice. Zacarias anunciou o Messias como alguém que, como Davi, entra em Jerusalém montado num jumento, filhote de uma jumenta (Zc 9.9), e é exatamente isso que Jesus faz sob os hosanas do Seu povo pouco antes de celebrar Sua última Páscoa. Muitos jumentos possuem em seu lombo uma grande e escura cruz no pelo – uma longa faixa longitudinal e outra mais curta, transversal, na altura das patas dianteiras.
Muitos jumentos possuem em seu lombo uma grande e escura cruz no pelo.
Os jumentos eram apreciados por sua docilidade e paciência, mas eles também conseguem ser bem teimosos. Deus repetidamente confirma Seu amor e Sua eterna fidelidade a Israel apesar de todos os desvios e da obstinação desse povo. A Escritura Sagrada refere-se no mínimo nove vezes à obstinação de Israel.
Pode ser que o jumento não fosse aceitável como animal sacrificável por ser tão semelhante a Israel, o “primogênito” que Deus não quer sacrificar, mas resgatar por meio do Cordeiro. Seria por isso também que a primeira cria do jumento deveria ser resgatada por um cordeiro? Seria que Judá deveria amarrar o seu “jumento” – sua própria “cabeça dura” – à mais nobre das videiras (Jo 15.1; o Texto afirma: Ele fará!) para não fugir dela e não perder a bênção que lhe foi designada?
Suas vestes serão lavadas pelo “sangue das uvas” daquela videira, prossegue o versículo 11 de Gênesis 49. Um tanto à margem, ele também constata que o suco dessa nobre videira parece ser excelente. Os olhos “escuros“ revelam que ele bebeu abundantemente desse suco. A única referência bíblica além desta em que aparece a palavra hebraica que significa “escuro” ou “avermelhado“ é Provérbios 23.29-30, que trata do abuso do consumo de vinho. Nessa passagem, a melhor tradução seria algo como “inebriado de vinho”.
Com isso proporciona-se a Judá não só uma purificação externa, mas também interna, e o seu coração se enche de alegria como por um bom vinho. Os olhos inebriados (não avermelhados) refletem isso, e os dentes brilhantemente brancos (“mais brancos que o leite”) são um sinal exterior de que essa purificação interna se realizou.
Assim, essas palavras proféticas de Jacó interpretam de forma simpática, até bem-humorada, aquilo que mais tarde Ezequiel anunciaria detalhadamente (Ez 36.25-28) e o que Paulo confirma em Romanos 11.26 a respeito do povo judeu, fazendo referência a Isaías 59.20: “Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade”. Ele cita Isaías de acordo com a Septuaginta, que se desvia aqui do texto massorético em dois pontos. Como a Septuaginta é mais antiga que o texto massorético redigido, ela parece ser mais confiável. E Deus se mantém fiel à Sua Palavra! — Wolfgang Schuler (factum-magazin.ch)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

MULHERES LOUVANDO AO SENHOR

DIA DE CULTO DE LOUVOR AO SENHOR, OPORTUNIDADE DAS SENHORAS DE LOUVAR AO SENHOR. LOUVADO SEJA NOSSO DEUS POR ESSE MOMENTO TÃO ESPECIAL, AMÉM !

APOSTASIA, ANJOS E JUÍZO

Apostasia, Anjos e Juízo

Renald E. Showers
Quero, pois, lembrar-vos, embora já estejais cientes de tudo uma vez por todas, que o Senhor, tendo libertado um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu, depois, os que não creram; e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia; como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição. Ora, estes, da mesma sorte, quais sonhadores alucinados, não só contaminam a carne, como também rejeitam governo e difamam autoridades superiores. Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda! Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas coisas se corrompem. Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá” (Judas 5-11).
A apostasia não é algo novo. Embora ela possa parecer pior hoje do que em anos anteriores, ela tem estado por aí desde quase sempre; e ela colhe o juízo de Deus.
Apóstata é aquela pessoa que abandona a religião, os princípios, o grupo ou a causa aos quais era associada e cujos ensinamentos professava anteriormente.[1] O livro de Judas dá exemplos de apóstatas dos tempos do Antigo Testamento e do juízo divino que esses apóstatas colheram.

Apóstatas do Antigo Testamento

O primeiro exemplo envolve o povo de Israel, a quem Deus havia trazido do Egito sob a liderança de Moisés (Jd 5). Todos ficaram muito satisfeitos em ser libertados da escravidão e do sofrimento que haviam experimentado durante muitos anos. Mas os incrédulos entre os israelitas ficaram satisfeitos meramente por motivos egoístas, em vez de ser pela honra e glória de Deus. Como conseqüência, Deus, “destruiu, depois, os que não creram” (Jd 5).
O segundo exemplo de Judas envolve um grupo de anjos, a quem Deus criou para um domínio angélico especial, ou esfera de influência (v.6).[2] Aparentemente, esses anjos ficaram satisfeitos com seu poder sobrenatural de influência, mas decidiram usá-lo por motivos egoístas em vez de ser para os propósitos de Deus. O pecado dos anjos consistiu em quatro ações:
1. Abandonar o domínio que lhes havia sido ordenado por Deus, ou sua esfera de influência, a fim de se tornarem parte de um domínio diferente.
2. Abandonar “seu próprio domicílio” (v.6). Esses anjos desertaram da habitação ordenada por Deus para os anjos nos céus,[3] a fim de viverem em outro local.
3. Entregar-se à “prostituição” (v.7). O versículo 7 começa, dizendo: “Como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas”. Alguns intérpretes afirmam que o versículo 7 não tem nenhuma relação com os anjos do versículo 6.[4] Eles insistem que as palavras “como aqueles”, no versículo 7, se referem às cidades de Sodoma e Gomorra e não aos anjos do versículo 6, e que Judas estava dizendo que as cidades ao redor de Sodoma e Gomorra se entregaram à imoralidade sexual de maneira semelhante às de Sodoma e Gomorra.
No entanto, a palavra “cidades” em grego é feminina. Diferentemente, as palavras gregas traduzidas por “como aqueles” no versículo 7, e “anjos” no versículo 6 são ambas masculinas. Assim, “como aqueles” no versículo 7 deve referir-se aos anjos do versículo 6, e não às cidades de Sodoma e Gomorra.[5] Judas estava dizendo que Sodoma e Gomorra e as cidades ao redor destas pecaram como os anjos do versículo 6, cometendo imoralidade sexual.
Todavia, isto não significa que os anjos se entregaram ao mesmo tipo de imoralidade sexual que os homens daquelas cidades perversas. A palavra grega traduzida por “prostituição” no versículo 7 se refere a qualquer tipo de relacionamento sexual proibido por Deus.[6] A imoralidade sexual dos homens de Sodoma e Gomorra, e das cidades da circunvizinhança, envolvia irem atrás de “outra carne”. Ir “após outra carne” significa “ter relações sexuais antinaturais”.[7] Os homens se envolveram em relações sexuais não-naturais uns com os outros, embora Deus tenha criado seres humanos masculinos para serem sexualmente alheios a outros seres humanos masculinos (Lv 18.22; Lv 20.13; Dt 23.17.
4. Ir “após outra carne” (v.7). A imoralidade sexual dos anjos também envolvia ir atrás de “outra carne”. Deus criou anjos como seres espirituais, sem corpos físicos de carne e osso. Assim, os anjos do versículo 6, contrariamente à sua natureza e ao que Deus pretendia, buscaram ter relações sexuais com carne física. O final do versículo 6 indica que Deus puniu esse pecado quádruplo confinando-os a um lugar lúgubre de trevas, onde Ele os mantém até o juízo final deles no fim da história desta Terra: Ele os reservou em “algemas eternas” para o juízo do grande dia.
Podemos Confiar da Bíblia?
O apóstolo Pedro tinha em mente esses mesmos anjos quando escreveu:
Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo. E não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas” (2Pe 2.4-5).
Várias coisas devem ser observadas relativamente a estes comentários: Primeiro, Pedro estava se referindo a um grupo de anjos a quem Deus havia confinado e acorrentado em um terrível lugar de trevas no passado.
Segundo, embora a tradução chame esse lugar de “inferno”, Pedro não usou a palavra do Novo Testamento para “inferno” (Hades) nesta passagem. Em vez disso, ele usou a palavra Tártaro. O mundo antigo entendia Hades e Tártaro como duas coisas distintas. Tanto os escritores apocalípticos gregos como judeus consideravam Tártaro como “um lugar subterrâneo, mais baixo que o Hades, onde o castigo divino era executado”.[8] O capítulo 22, versículo 2, do Livro Apócrifo de Enoque apresenta o Tártaro como o lugar de punição para os anjos caídos. Pedro estava indicando que esses espíritos maus estão aprisionados no mais profundo abismo das trevas.
A Segunda Carta de Pedro 2.4 é o único texto no Novo Testamento em que esse lugar de juízo é mencionado com seu próprio nome. Várias outras passagens se referem a ele através de seu termo descritivo, como o “poço do abismo” (literalmente “o abismo”). A palavra “abismo” significa “impenetravelmente profundo”. Escritores apocalípticos judeus o chamavam de “o lugar onde espíritos andarilhos [fugitivos, vagabundos], estão confinados” (Jub. 5:6ss; Eth. En. 10:4ss; 11ss; 18:11ss; Jd. 6; 2 Pe 2.4).[9]
Terceiro, o Tártaro é somente um lugar temporário de juízo para os anjos ali confinados. No final da história desta terra, eles, juntamente com Satanás e os anjos caídos, serão destinados a um outro lugar de juízo: o eterno Lago de Fogo (Mt 25.41; Ap 20.10).
Quarto, Pedro deixou bem claro que esses anjos já estavam no Tártaro por causa de um pecado que cometeram antes que a carta fosse escrita. Esse pecado não foi o pecado angelical original, a saber, a rebelião contra Deus porque, se o fosse, então todos os anjos – inclusive Satanás – estariam ali confinados. Em vez disso, tinha que ser um pecado mais repugnante, cometido por esse grupo de anjos depois da rebelião original dos anjos contra Deus.
Antes e depois do tempo de Cristo na Terra, o entendimento sobre Gênesis 6.1-4 era de que “os filhos de Deus” (Gn 6.1) eram anjos que haviam se casado com “filhas dos homens” humanas, produzindo descendentes gigantes, que se tornaram “varões de renome” antes do Dilúvio. Esses anjos abandonaram sua esfera de influência designada e esvaziaram a residência dos anjos nos céus.
A Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento hebraico, produzida por estudiosos judeus dos séculos II e III antes de Cristo, indica que “os filhos de Deus” de Gênesis 6 eram anjos.[10] O Livro de Enoque (o qual Judas cita nos versículos 14-15) e o Livros dos Jubileus, literatura judaica produzida nos séculos II e III antes de Cristo, apresentavam a mesma visão.[11] O mesmo fez Josefo, o famoso historiador judeu do século I d.C.[12] Esta visão também foi a posição histórica da Igreja primitiva até o século IV d.C.
O juízo de Deus sobre os homens de Sodoma e Gomorra, e das cidades circunvizinhas, serve como exemplo daqueles que sofrerão a punição do fogo eterno (Jd 7).

Apóstatas do Novo Testamento

Começando no versículo 8, Judas aplicou o exemplo dos apóstatas do Antigo Testamento aos apóstatas do versículo 4, que haviam se infiltrado enganosamente para dentro das igrejas. Eram falsos profetas que afirmavam “ter visões e sonhos”,[13] criam que a graça de Deus permitia imoralidade sexual e desprezavam a autoridade do senhorio de Cristo em suas vidas. Além disso, como meros humanos, eles acharam que poderiam repreender os anjos.
Judas contrastou as ações deles com as de Miguel, o arcanjo (um anjo de alta posição), que, quando em disputa com Satanás acerca do corpo de Moisés, disse: “o Senhor te repreenda!” (v.9), em vez de ousar ele mesmo repreender Satanás. Judas usou esse exemplo para aconselhar os apóstatas a terem cuidado em repreenderem os anjos, que são muito mais poderosos que eles.
No versículo 10, Judas acusou esses apóstatas de blasfemarem sobre coisas que eles ignoravam e, como animais irracionais, se corromperem com coisas que entendiam por instinto natural.
No versículo 11, Judas declara: “Ai deles!”, por causa de três coisas que haviam feito:
1. “Porque prosseguiram pelo caminho de Caim”, rejeitando a ordem de Deus e a autoridade de Seu senhorio a fim de fazerem o que queriam.
2. “Movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão”. Assim como Balaão usou gananciosamente seu ministério profético para enriquecer, esses homens enganosamente afirmavam ter visões significativas em sonhos a fim de ficarem ricos.
3. “E pereceram na revolta de Corá”. Assim como Corá pereceu por causa de sua rebelião contra Moisés (Nm 16), esses apóstatas também pereceram por causa da rebelião contra os líderes da Igreja designados por Deus.
Deus certamente é rápido em perdoar e lento para se irar, mas finalmente Ele tratará da apostasia. (Renald E. Showers — Israel My Glory — Chamada.com.br)

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

GALARDÕES E RECOMPENSAS DOS FIÉIS

Estudo Bíblico Os Galardões e Recompensas dos Fiéis


Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus a Paz do Senhor!

Nós estaremos desenvolvendo um tema superimportante que é a recompensa dos fiéis, pois há diferentes graus de recompensa no céu, dependendo de nossa fidelidade a Cristo na terra. Jesus disse: "E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras" (Ap 22:12).

Paulo disse que a obra de cada crente vai ser provada pelo fogo e, "se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão" (1 Co 3:14).

Em 2 Coríntios 5 está escrito que todos nós haveremos de aparecer perante o tribunal de Cristo, "para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito" (v. 10)

A distinção entre dádiva e recompensa (galardão) nas Escrituras é bem clara.

A Graça é imerecida; é Dom Gratuito de Deus, recebida pela fé, sem dinheiro e sem preço.

Na Graça o melhor serviço é sem valor, a obrigação não é reconhecida e o valor não é considerado.

Porém, o Galardão é merecido; é o salário pelo serviço prestado, recebido pelas obras através do labor e sacrifício. No Galardão o menor serviço é lembrado, a obrigação é reconhecida e o valor é considerado.

O Galardão depende totalmente do crente; a Graça depende totalmente de Cristo. O Galardão olha para a fidelidade de crente; a Graça olha para a fidelidade de Deus. O galardão reconhece o mais simples serviço; a Graça ignora o melhor serviço.

A linguagem do Galardão é: “Vosso trabalho de amor.” A linguagem da Graça é: “não vem de vós.” A mensagem do Galardão é: “Servi ao Senhor.”

A mensagem da Graça é: “Àquele que não trabalha.” A voz do Galardão é: “Fostes fiel no pouco.” A voz da Graça é: “Nisto está o amor.”

Jesus disse que Ele está vindo de repente, e quando vier, Ele trará consigo recompensas para dar aos homens de acordo com o que fizeram. Isso nos ensina que haverá um tempo de galardão para os Cristãos.

Em 2 Timóteo 4, lemos as palavras de Paulo ao terminar seu ministério: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”.

A distribuição das recompensas será logo depois da vinda de Cristo para arrebatar Sua igreja. Deixaremos esse mundo, encontraremo-nos com Jesus Cristo nos ares, iremos à casa do Pai e então haverá um momento para os galardões.

Apenas as obras que sobreviverem o fogo de purificação de Deus vão ter valor eterno e serão dignas de galardão. Aquelas obras preciosas são conhecidas como “ouro, prata, pedras preciosas” (1 Co 3:12) e são essas obras que foram construídas sobre o alicerce de fé em Cristo.

As obras que não serão recompensadas são chamadas de “madeira, feno, palha” na mesma passagem em Coríntios e representam não obras ruins, mas sim atividades superficiais, sem nenhum valor eterno.

Os galardões serão distribuídos no “Tribunal de Cristo”, um lugar onde as vidas dos crentes serão avaliadas apenas com o propósito de distribuir as recompensas. O julgamento dos crentes nunca se refere à punição do pecado.

Jesus Cristo foi punido pelo nosso pecado quando Ele morreu na cruz, e Deus disse: “Pois, para com as suas iniqüidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Hb 8:12). Que pensamento glorioso!

O Cristão nunca precisa temer punição, mas pode antecipar coroas de galardão que poderemos colocar aos pés de nosso Salvador.

A palavra grega que encontramos no Novo Testamento em grego, transliterada (escrita em caracteres da nossa própria língua) para galardão é misthós, que significa salário (Rm4.4) ou recompensa (Mt 5.46).

Galardão, portanto, pode ser entendido como recompensas que os salvos receberão na glória porvir, de acordo com suas obras (2 Co 5.10).

Devemos lembrar que a recompensa é como espada de dois gumes: “Vós, servos, obedecei... sabendo que do Senhor recebereis a recompensa da herança; servi a Cristo, o Senhor” porque “quem faz injustiça receberá a paga da injustiça que fez; e não há acepção de pessoas” (Cl 3:22-25).

Vejamos algumas das coisas que o Senhor há de retribuir naquele dia:

a) Piedade e Conduta Semelhantes de Deus: “Amais os vossos inimigos, fazei o bem, emprestai, nunca desanimado; e grande será a vossa recompensa e serei filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus” (Lc 6:35).

Aqui a recompensa gira em torno da conduta e caráter à semelhança do nosso Pai celestial. Devemos amar a todos indistintamente assim como faz nosso Pai. Agindo assim é que seremos “filhos” (Ruiós = filhos maduros, grego) do Altíssimo.

b) Devoção Secreta: “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”(Mt 6:6). Tal oração será respondida e recompensada.

c) Nossa Atitude de Coração: “Não julgueis e não sereis julgados... perdoai e sereis perdoados” (Lc 6:37).

Um servo do Senhor disse que “nossa vida está colocando, palavra por palavra, à sentença sobre nós nos lábios de Cristo.

A bondade e a glória são apenas parte de um todo: a bondade é o lado do sofrimento da glória e a glória é o lado resplandecente da bondade” .

d) Nosso Serviço: “E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um destes pequeninos, na qualidade de discípulo, em verdade em verdade vos digo que de modo algum perderá a sua recompensa”(Mt 10:42). Todo serviço que prestarmos ao Senhor será recompensado.

As medidas da recompensa serão devidamente pesadas pelo Senhor: “Quem recebe um profeta na qualidade de profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá a recompensa de justo” (Mt 10:41)

Estas declarações manifestam de forma clara a tremenda e bendita verdade conhecida como a “lei da semeadura”: “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque quem semeia na sua carne, na carne ceifará corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna” (Gl 6:7, 8).

Lamentavelmente, quando lemos estas palavras nossas mentes se voltam para o problema do pecado. Entretanto, o sentido aqui é mais amplo, pois Paulo continua dizendo... “façamos o bem a todos, principalmente aos domésticos da fé” (v. 10), e no versículo 6 ele disse: “E o que está sendo instruído na palavra, faça participante em todas as boas coisas aquele que o instrui.”

Está claro que o contexto aqui é semear o bem através das boas obras. A expressão “levai as cargas uns dos outros” (v.2) está intimamente ligada com a questão das nossas posses.

Podemos entender que existem várias categorias de galardões. A Bíblia os menciona em Mateus 10.41 através das expressões "galardão de profeta" e "galardão de justo" essa divisão em categorias. Entretanto ela não especifica quais são os galardões que pertencem a que categoria.

Encontramos também a explicação de COROAS que indicam “prêmios” recebidos (galardão) por desempenhar determinadas tarefas.

No mundo antigo, a coroa tinha mais significado que hoje, claro porque havia mais reis! Mas em competições, por exemplo, o vencedor recebia uma coroa de louros ou depois de uma vitória em uma guerra havia vários tipos de coroas para identificar o grau de envolvimento e a intensidade da vitória alcançada.

Assim, fica mais fácil de entender porque é usada essa forma de explicação para “recompensas” que os seres humanos receberão por ter desempenhado uma tarefa ou não, já que o texto Bíblico mostra que as pessoas receberão galardões de acordo com sua atitude, positivas ou não, galardões considerados bons ou não.

Existe até uma forma de classificar os “galardões positivos” e como são alcançados, de acordo com o que segue:

Coroa Como Ganhar Fonte Bíblica

Alegria Ganhando almas (1Ts 2.19 ;Fp 4.1)

Vida Suportando provas, aflições e tentações, e mesmo assim permanecer fiel (Tg 1.12;Ap 2.10)

Incorruptibilidade Negando-se a si mesmo (1Co 9.25)

Glória Cuidando do rebanho (1Pe 5.4)

Justiça Ansiando pela volta de Cristo (2Tm 4.8)

A palavra grega para galardão é misthós , que significa salário (Rm.4:4) ou recompensa (Mt.5:46). Galardão, portanto, são as recompensas que os salvos receberão na glória porvir, de acordo com suas obras (2 Co 5:10).

A doutrina do galardão não é nenhum absurdo; ela encontra apoio escriturístico suficiente, tanto no Antigo Testamento (2 Cr 15:7; Is 40:10; Is 62:11), quanto no Novo Testamento (Mt 16:27; 1 Co 3:8,14; Ef 6:8; Ap 2:23; 11:18; 22:12).

Ocorre outra palavra grega no Novo Testamento que dá apoio a esta doutrina. Trata-se da palavra grega antapódosis cujo sentido é o de retribuição. Esta palavra é usada tanto no sentido positivo de recompensa (Cl 3:24; Lc 14:12) como no sentido negativo de punição (Rm11:9).

Existem várias categorias de galardões. A Bíblia os menciona em Mateus 10:41, através das expressões "galardão de profeta" e "galardão de justo". Entretanto ela não especifica quais são os galardões que pertencem a categoria de profeta ou de justo.

AS COROAS

Outras passagens do Novo Testamento mencionam os galardões, fazendo referência apenas aos seus nomes e à forma como se consegue obtê-los. São as coroas que se constituem em número de cinco: Coroa da Alegria, Coroa da Vida, Coroa da Incorruptibilidade, Coroa da Glória e Coroa da Justiça.

Coroa da Alegria (1Ts 2:19; Fp.4:1): Esta Coroa será concedida aos ganhadores de alma. Paulo se refere aos irmãos que ele levou à Cristo como sendo a sua alegria e coroa. Portanto aqueles que ganham muitas almas receberão a Coroa da Alegria. Às vezes a coroa é símbolo de alegria (Is 28:1; Ct 3:11; Ez.23:42), e a Bíblia declara que há alegria no céu quando uma alma é ganha para Cristo (Lc 15:7).

Coroa da Vida (Tg 1:12; Ap 2:10): Esta Coroa não é a vida eterna como pensam muitos cristãos. O galardão é dado com base nas obras; a salvação é dada exclusivamente com base na graça de Deus. De maneira nenhuma a vida eterna poderia ser concedida ou obtida por meio da fidelidade dos cristãos nos momentos de tribulação, embora se requeira tal fidelidade como prova de genuína salvação.

O fato é que muitos cristãos são reprovados em suas provações (Hb.12:5), mas apesar disso continuam salvos pela graça de Deus. Esta coroa, então, está vinculada à fidelidade nas tribulações. Aqueles que suportam provações e sofrimentos nesta vida, por causa do nome de Cristo, e permanecem fiéis no seu amor a Deus, receberão como prêmio a Coroa da Vida.

Coroa da Incorruptibilidade (2 Co 9:25,27): Esta Coroa será concedida àqueles que procuram viver uma vida incorruptível, de auto abnegação (Lc.9:23), renegando ao pecado, as obras da carne, e vivendo uma vida íntegra diante de Deus e dos homens.

Coroa da Glória (1ª Pe 5:2-4): Esta coroa será concedida aos pastores que desempenharem bem seus ministérios e também àqueles que liderarem com fidelidade sobre o povo de Deus, procurando sempre o bem das ovelhas de Cristo, sempre com intuito de fazê-las crescer, alimentando-as na fé e no amor de Deus.

Coroa da Justiça (2 Tm.4:8): Receberão esta Coroa aqueles cujas vidas foram entregues inteiramente em prol do reino de Deus (Mt.6:33), e àqueles que demonstram uma ardente expectativa pela volta de Cristo e a desejam ardentemente.

São estes aqueles que oram com intensidade no espírito: Maranatha (Ap 22:17,20).

PARA QUÊ COROAS?

Há quem pense que as Coroas devem ser desprezadas porque a salvação não é um evento competitivo, cujos ganhadores poderão exibir seus prêmios nos céus.

Tal raciocínio, no entanto, é errôneo, pois satisfazer-se somente com a salvação em si desvinculada de recompensas não é uma atitude cristã, embora pareça que os tais assim agem movidos apenas pelo amor a obra de Cristo, não visando prêmios nem interesse pessoal, exceto a própria salvação.

Os galardões serão oferecidos a Cristo (Ap 4:10,11; Rm 11;35,36), pois as obras que os cristãos realizam no Espírito, são também frutos da graça de Deus (Is 26:12; Fp 2:13; Hb 13:20,21).

Cada palavra, pensamento ou ato nosso é como uma semente que lançamos no solo. Um dia a colheita surgirá: será ela linda ou alarmante? Por isso devemos semear no Espírito e não na carne.

Devemos considerar seriamente estes quatro pontos: quando semeamos, os que semeamos, quanto semeamos e o porquê semearam.

“OLHAI POR VÓS MESMOS, PARA QUE NÃO PERCAIS O FRUTO DO VOSSO TRABALHO, ANTES RECEBEI A PLENA RECOMPENSA” (2 Jo 8).

Cada um de nó devemos fazer a obra de Deus da melhor maneira possível pois Deus não haverá de recompensar-nos pelas quantidade de obras realizadas e sim pela qualidade delas.

Ele irá considerar as obras cujas motivações foram sinceras e verdadeiras; porém aqueles que ao fazer algo para o Senhor tocam a trombeta já receberam o seu galardão aqui na terra não restando algo a receber nos céus.

A nossa oração a Deus é no sentido de que cada um de nós façamos a obra do Senhor para a Glória de Deus. Amém!
|  Autor: Jânio Santos de Oliveira  |  Divulgação: estudosgospel.com.br |

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O CONCÍLIO APOSTÓLICO E O FUTURO DE ISRAEL

O concílio apostólico e o futuro de Israel

Norbert Lieth
Deus promete por meio do profeta Amós, no Antigo Testamento: “Naquele dia, levantarei a tenda caída de Davi. Consertarei o que estiver quebrado, e restaurarei as suas ruínas. Eu a reerguerei, para que seja como era no passado” (Am 9.11). No Novo Testamento, Tiago lança mão dessa profecia e diz por ocasião do concílio apostólico em Jerusalém: “Concordam com isso as palavras dos profetas, conforme está escrito: ‘Depois disso voltarei e reconstruirei a tenda caída de Davi. Reedificarei as suas ruínas e a restaurarei’” (At 15.15-16).
É um tanto raro que uma casa em ruínas seja reconstruída. Em geral ela é simplesmente demolida por inteiro e então se constrói uma nova casa no lugar. Quando assim mesmo um edifício em ruínas é restaurado, a razão muitas vezes é que ele tem valor histórico. Deseja-se dar novo destaque àquelas antiguidades e torná-las novamente vistosas – e é exatamente isso que Deus também fará com Israel.
As duas passagens citadas acima estão entre as indicações mais impressionantes de que Israel ainda tem um futuro no reino messiânico.
Tiago era meio-irmão do Senhor e líder da igreja em Jerusalém. Era, portanto, uma autoridade reconhecida (Gl 1.19; 2.9). Concordando com Pedro, Tiago declarou que os gentios seriam agora incluídos oficialmente na comunidade dos judeus: “Simão nos expôs como Deus, no princípio, voltou-se para os gentios a fim de reunir dentre as nações um povo para o seu nome” (At 15.14, cf. v. 5-9).
Antes de Deus retomar o curso com Israel como nação, ele “primeiro” reuniu dentre as nações um povo para o seu nome. Com isso, Tiago explica ser essa a razão por que Israel não tem mais a prerrogativa, mas precisa retrair-se. Para dizer isso, Tiago lança mão da declaração do profeta Amós.
Só “depois disso”, ou seja, depois de se encerrar a era da igreja, o Senhor Jesus Cristo retornará em glória para voltar a se inclinar a Israel e para reconstruir a tenda caída de Davi (v. 16). Isto comprova que ele não cancelou a promessa a Israel, mas apenas a postergou.
Para que então “o restante dos homens busque o Senhor, e todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas” (v. 17). Ou seja: quando o povo de Israel tiver sido restaurado no reino messiânico, também as nações ainda remanescentes serão alcançadas pelos israelitas agora crentes.
A sequência ficará então assim:
  1. Israel sob a lei.
  2. Os gentios são acrescentados à igreja.
  3. Encerramento da era da igreja.
  4. Retorno e restauração de Israel.
  5. As nações ainda remanescentes são alcançadas no reino messiânico.
No versículo 18, Tiago ainda enfatiza que Deus conhece suas obras desde a eternidade. Tudo emana do plano de salvação do Senhor e se submete à maravilhosa deliberação do Onipotente. Não há limite para a nossa gratidão e o nosso louvor por sermos incluídos nesse maravilhoso plano. Por essa razão também não estamos sujeitos às leis da aliança do Sinai que Deus celebrou com Israel (v. 19-20). Fomos chamados para uma lei mais elevada e perfeita: a lei de Cristo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

REFORMA PROTESTANTE E O PRÉ-MILENISMO

A Reforma Protestante e o Pré-Milenismo

Martinho Lutero (e os outros reformadores protestantes do século XVI) causou uma transformação imensurável à igreja ao exigir reforma. Eles declararam que a teologia da igreja na Europa Ocidental era um desvio do ensinamento bíblico apostólico. O chamado de mobilização dos reformadores foi sola Scriptura, que significava que somente a Bíblia era a autoridade sobre eles, em contraste com o papa, os concílios eclesiásticos ou a tradição. Ao chamarem a igreja para viver tendo somente a Bíblia como autoridade sobre ela, os reformadores não tentaram transformar sua escatologia.
A negligência em aplicar os princípios de sola Scriptura a toda a Escritura resultou em muitos cristãos negando uma interpretação plena e literal da Bíblia. Por exemplo, as porções históricas da Bíblia são consideradas alegóricas, e as seções proféticas das Escrituras sofrem um destino ainda pior.
A negligência em aplicar os princípios de sola Scriptura a toda a Escritura resultou em muitos cristãos negando uma interpretação plena e literal da Bíblia.
A Reforma (1500-1650) foi uma revolução teológica e a interpretação bíblica também testemunhou uma transformação por causa da revolução teológica. Ramm escreveu: “Embora os historiadores admitam que o Ocidente estivesse maduro para a Reforma devido às várias forças em atuação na cultura europeia, houve uma Reforma hermenêutica que precedeu a Reforma eclesiástica”.[1] Zuck explicou as forças em atuação como “a abordagem literal da Escola de Antioquia e dos vitorinos”.[2] O legado do escolasticismo também foi um fator que contribuiu para a Reforma, uma vez que as línguas bíblicas foram reavivadas durante aquele período. Homens como Lutero e Calvino retornaram ao texto bíblico e à atratividade natural da interpretação mais cientifica e literal das Escrituras.
A importância que Lutero dava à interpretação literal também significou uma ênfase sobre as línguas originais. Rejeitando alegorias, Lutero enfatizava o sensus literalis. Ele afirmou: “Não conseguiremos preservar por muito tempo o evangelho sem as línguas. As línguas são a bainha na qual esta espada do Espírito está contida”.[3] Não obstante, uma pessoa deve ser mais do que um filólogo, um historiador, ou mesmo um teólogo; o Espírito Santo deve iluminar a mente do intérprete. “Lutero exigia uma leitura ‘simples’ ou ‘literal’ das Escrituras, que não se baseava nem em distinções filosóficas nem em distinções complicadas, argumentações teológicas formalizadas de objeções e respostas”.[4]
Os escritos de Lutero estavam repletos de escatologia, mas ele não foi um revolucionário (diferentemente de alguns dos anabatistas do século XVI). Ele interpretava os acontecimentos do seu tempo como profecias sendo cumpridas. Assim, eventos da época, tais como as chamadas aparições de 1529, a onda de calor subsequente ao eclipse solar de 1540, a disseminação da sífilis e a mudança do nível da água de uma das hidrovias comerciais da Europa central foram interpretados como sinais do retorno de Cristo.[5] O papado era considerado o Anticristo e os turcos foram tidos como os servos do Anticristo.[6] A identificação que Lutero fez do Anticristo significava que “os últimos dias estão às portas” e o fim da história está próximo. Lutero via seu tempo presente como o da grande tribulação, que teria seu clímax, sem demora, através do retorno de Jesus Cristo.[7] Às vezes ele espiritualizava o milênio, enquanto que em outras ocasiões Lutero afirmava que o milênio já havia passado. Lutero não estabeleceu datas para o final dos tempos, e na maior parte do tempo ele cria estar em algum lugar entre o milênio e o final da era.[8] João Calvino também acreditava que o papado fosse equivalente ao Anticristo.[9]

Como a escatologia não era uma questão de importância maior durante a Reforma, os reformadores não tiveram a oportunidade de aplicar sua hermenêutica consistentemente; todavia, quando a aplicaram, esse fato levou ao reavivamento do pré-milenismo.
Lutero não desenvolveu suas visões escatológicas sistematicamente porque a sua ênfase estava nas questões soteriológicas; desta forma, ele pôde manter a perspectiva amilenar (agostiniana) do catolicismo romano. Os reformadores abandonaram o método alegórico de interpretação (característico do catolicismo) em todas as áreas, exceto na escatologia. O amilenismo é o ponto de vista profético da Igreja Católica, e foi também o ponto de vista profético dos grandes reformadores. O motivo pelo qual os reformadores retiveram o amilenismo do catolicismo foi a época em que viveram. Eles abraçaram, sim, uma interpretação gramático-histórica das Escrituras relativamente à soteriologia e à eclesiologia. Como a escatologia não era uma questão de maior importância, os reformadores não tiveram a oportunidade de aplicar sua hermenêutica consistentemente.
No final dos anos 1500 e início dos anos 1600, os intérpretes pré-milenistas começaram a prosperar em consequência da interpretação bíblica durante o período final da Reforma. Durante o século XIX, a Revolução Francesa e as ações de Napoleão angustiaram os cristãos, o que fez com que alguns temessem que o imperador pudesse ser o Anticristo; desta forma, desenvolveu-se um interesse renovado pela profecia bíblica. Por exemplo, Lady (Theodosia) Powerscourt realizou uma dentre muitas reuniões que buscavam tratar das preocupações proféticas. John Nelson Darby (1800-1882) foi convidado para as Conferências de Powerscourt de 1831 a 1833, que tiveram uma influência duradoura sobre ele. A transição daquela época da igreja para o reino milenar, no qual Israel tinha proeminência sob o governo de Cristo, era entendida através da interpretação da septuagésima semana de Daniel 9 como sendo futura. Baseado em uma crença resoluta em uma interpretação literal das Escrituras, ele desenvolveu um desenho preciso para os acontecimentos escatológicos. Darby acreditava em uma distinção entre Israel e a igreja que se estendia pela eternidade. Ele também ensinava que as dispensações são economias de Deus e que a era da igreja é um parêntese. Darby começou primeiro a articular suas visões sobre um arrebatamento pré-tribulação e a desenvolver seu pensamento dispensacionalista durante sua convalescença (dezembro de 1826 a janeiro de 1827). Em 1833, ele desenvolveu uma sistematização completa de escatologia, ou daquilo que é conhecido como dispensacionalismo pré-milenista.
Embora o dispensacionalismo não tenha sido sistematizado como doutrina até os anos 1800, com John Nelson Darby, houve indivíduos em toda a história da igreja que afirmavam um sistema dispensacionalista de uma certa variedade. Dois dos primeiros proponentes do dispensacionalismo incluem o batista James R. Graves (1820-1893) e o presbiteriano James H. Brookes (1830-1897). O dispensacionalismo foi comunicado amplamente por meio de conferências bíblicas tais como a Conferência Bíblica de Chicago (1878-1909), e por meio de numerosas publicações. Uma faculdade de teologia ou um instituto bíblico de pós-graduação que articulava os ensinamentos do dispensacionalismo podia ser encontrado em quase que todas as principais regiões metropolitanas dos Estados Unidos. Inicialmente, o dispensacionalismo foi ensinado entre os batistas, as igrejas bíblicas e as igrejas independentes, além de um número significativo de congregações presbiterianas. Muitas das denominações pentecostais, tais como as Assembleias de Deus e a Igreja do Evangelho Quadrangular, adotaram o dispensacionalismo, e este foi também dominante em meio ao movimento carismático durante os anos 1960-1970. Embora o dispensacionalismo ainda seja amplamente ensinado entre os evangélicos e os fundamentalistas, sua influência começou a se dissipar dentro da academia primeiramente nos anos 1950-1960. O ensino dispensacionalista também declinou nos anos 1980, à medida que mais carismáticos, evangélicos e pentecostais se tornaram preocupados com questões sociais.
Aspectos não desenvolvidos da teologia dispensacionalista podem ser identificados anteriormente ao século XIX, especialmente em meio à igreja primitiva e muitos séculos antes de Darby. O dispensacionalismo clássico (em torno dos anos 1878-1940) é um termo que denota a teologia dos dispensacionalistas – tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido – entre os escritos de Darby e os de Lewis Sperry Chafer (especialmente os vários volumes denominados Teologia Sistemática, escritos por este último). As notas interpretativas dentro da Bíblia de Estudo Scofield são representativas do dispensacionalismo clássico.
Um aspecto significativo do dispensacionalismo clássico foi a noção dualística da redenção, relativamente a propósitos celestiais e terrenos. O dispensacionalismo revisado (modificado) (em torno de 1950-1970) é uma designação adotada a partir da revisão de 1967 da Bíblia de Estudo Scofield. Dispensacionalistas revisados rejeitaram a distinção dualista eterna entre os povos terrenos e os celestiais, com ênfase, em vez disso, nos dois povos de Deus (Israel e a igreja), cada um com diferentes responsabilidades no que se refere à dispensação, porém ambos eternamente salvos da mesma maneira. Outra ênfase importante foi a rejeição de duas novas alianças, uma para o Israel nacional (Jr 31.31-34; Hb 8.7-12) e uma para a igreja (Lc 22.20). O dispensacionalismo progressivo (desde os anos 1980 até o momento presente) denota um desenvolvimento recente que é considerado como anormal ao dispensacionalismo clássico (tradicional), particularmente uma vez que esses dispensacionalistas também afirmam um aspecto de “já, ainda não” ao reino davídico de Jesus Cristo, que significa que o reinado do Senhor “já” foi inaugurado (uma vez que ele reina sobre o trono de Davi nos céus), embora o cumprimento completo do reino de Davi seja “ainda não”, uma vez que aguarda o futuro reino milenar; portanto, o trono do Pai e o trono de Davi são sinônimos.
Calendários 2019
Por toda a história do dispensacionalismo, tem havido um desenvolvimento sistemático desde os tempos de Darby. Os dispensacionalistas modernos continuam a desenvolver e a refinar o dispensacionalismo; entretanto, o dispensacionalismo progressivo permanece controvertido por introduzir mudanças fundamentais ao dispensacionalismo, à medida que os dispensacionalistas progressivos são vistos como tendo se separado do refinamento das visões dos dispensacionalistas anteriores e introduzindo uma revisão drástica. No início do século XX, o dispensacionalismo se tornou o mais popular sistema evangélico de teologia.

Conclusão

Os reformadores suportaram tão incrível perseguição por parte da Igreja Católica que foi natural que espiritualizassem as Escrituras e entendessem que o papa era o Anticristo (é, portanto, compreensível por que os reformadores desenvolveram suas conclusões!). Os reformadores abandonaram o método alegórico de interpretação (característico do catolicismo romano) em todas as áreas, exceto na escatologia. O amilenismo é o ponto de vista profético da Igreja Católica, e um milênio não literal foi também o ponto de vista profético dos reformadores protestantes. O motivo pelo qual muitos dos reformadores mantiveram o amilenismo do catolicismo foi a época em que eles viveram. Eles abraçaram, sim, uma interpretação gramático-histórica das Escrituras relativamente à soteriologia e à eclesiologia. Como a escatologia não era uma questão de importância maior durante a Reforma, os reformadores não tiveram a oportunidade de aplicar sua hermenêutica consistentemente; todavia, quando a aplicaram, esse fato levou ao reavivamento do pré-milenismo (que originalmente era apoiado extensivamente pela igreja primitiva). À medida que a igreja celebra o quingentésimo aniversário da Reforma, os crentes podem ser gratos pelo reavivamento que sobreveio em reafirmar o evangelho da graça por meio da fé somente em Cristo, e como a revitalização interpretativa levou à renovação do antigo pré-milenismo.

Notas

  1. Bernard Ramm, Protestant Biblical Interpretation: A Textbook of Hermeneutics, 3rd rev. ed. (1970; reimpresso, Grand Rapids: Baker, 1997) 51-52.
  2. Roy B. Zuck, Basic Bible Interpretation (Colorado Springs: Victor, 1991) 44.
  3. Theodore G. Tappert, ed. e trad., Luther’s Works, ed. geral Helmut T. Lehmann (Filadélfia: Fortress Press, 1967) 4:114-115.
  4. Marit Trelstad, “Scholasticism as Theological Method,” em Encyclopedia of Martin Luther and the Reformation, 2 vols., ed. Mark A. Lamport (Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2017) 2:694.
  5. Luther’s Works, 54:134.
  6. Ibid. 54:346.
  7. Ibid. 54:134.
  8. Richard G. Kyle, The Last Days Are Here Again (Grand Rapids: Baker, 1998) 61; Gordon H. Johnston, “Reformation Hermeneutics,” em Dictionary of Premillennial Theology, ed. geral Mal Couch (Grand Rapids: Kregel, 1996) 164.
  9. John Calvin, Commentary on First John [online] (Christian Classics Ethereal Library, acessado no dia 29 de junho de 2017) disponível em http://www.ccel.org/c/calvin/comment3/comm_vol45/htm/ v.iii.vi.htm.