quarta-feira, 23 de outubro de 2019

JESUS, O CENTRO ENTRE OS ESTREMOS

Jesus, o centro entre os extremos

Norbert Lieth
Ao montar um cavalo é possível cair para os dois lados dele. Os israelitas se portavam de duas maneiras extremas tanto à época do primeiro quanto do segundo templo, sendo um exemplo para os nossos dias.
Durante sete anos Salomão construiu o primeiro templo de Israel com muita sabedoria, iniciativa e competência. A oração de Salomão por ocasião da inauguração do templo foi fervorosa e sincera, e Deus aprovou o templo quando caiu fogo do céu sobre o sacrifício do altar e quando a glória de Deus se manifestou (2Cr 7.1). Mais tarde, porém, a dedicação de Salomão enfraqueceu, pois ele começou a honrar outros deuses além do Deus de Israel e a erigir santuários para eles. Muitos dos reis sucessores, e o próprio povo, seguiam de maneira cada vez mais extrema o seu exemplo e ruína. O profeta Jeremias exortava o povo, conforme o teólogo Karl-Heinz Vanheiden traduziu: “Não se acostumem com o estilo dos povos” (Jr 10.2). Mas foi justamente isso que os israelitas fizeram em seguida.
No templo apareceram maus sacerdotes e falsos profetas. O povo, liderado por mulheres, começou a oferecer sacrifícios de holocausto e de libação à rainha do céu, com os homens assistindo e tolerando tudo isso (Jr 44). Na casa do Senhor, no Santo dos Santos, subitamente surgiram ídolos que os homens veneravam; as mulheres se lamentavam diante de outros deuses, à entrada do templo, magoando o Deus de Israel (Ez 8).
No decorrer dos anos, os israelitas simplesmente desobedeceram às exortações de não se amoldarem ao etilo de vida dos gentios. A casa de Deus foi gradativamente aberta para assuntos mundanos e foi usada para fins mundanos: “‘Este templo, que leva o meu nome, tornou-se para vocês um covil de ladrões? Cuidado! Eu mesmo estou vendo isso’, declara o Senhor” (Jr 7.11).
A óbvia consequência trágica que se poderia esperar é que o Deus que eles não mais consideravam como o centro abandonaria sua casa e a entregaria à destruição (Ez 10–11). Assim, o belo e magnífico templo de Salomão foi consumido pelas chamas e completamente destruído pelos babilônios. Os seus tesouros e utensílios foram levados junto para a Babilônia.
Essa história trágica também pode ser aplicada à atual igreja de Jesus: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; pois o santuário de Deus, que são vocês, é sagrado” (1Co 3.16-17).
Muitas igrejas locais ou associações inteiras de igrejas foram criadas com muito amor e dedicação, com muito espírito de sacrifício e oração. O Senhor era considerado o centro. Sua Palavra servia de candelabro e o Espírito Santo operava em suas fileiras. Com o passar do tempo, porém, as pessoas tornaram-se mais superficiais, a pregação tornou-se menos profunda, a Palavra de Deus recebia menos espaço e a doutrina foi preenchida com coisas diferentes. Coisas secundárias que deveriam apenas complementar os cultos tornaram-se o assunto principal, e o assunto principal passou a ser apenas algo secundário. Com a supressão da Palavra de Deus, o próprio Deus foi suprimido. O mundo e o pecado foram crescentemente tolerados e muitas vezes silenciosamente suportados ou até defendidos. Diante disso, o apóstolo Pedro nos exorta: “Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância” (1Pe 1.14).
Esse foi um dos lados do cavalo. Podemos reconhecer o outro lado quando tratamos dos judeus que retornaram do exílio babilônico. Comandados por Esdras, Neemias, Zorobabel, Ageu etc., eles construíram o segundo templo. Este não poderia ser comparado ao primeiro, mas os judeus afinal tinham um novo templo. Posteriormente ele foi completamente reconstruído por Herodes, o Grande. Flávio Josefo relata que, olhando de longe, o mármore branco reluzente do templo parecia ser como a neve sobre uma montanha. E o templo em si, o ponto central sagrado da edificação, estava revestido com placas de ouro, que, sob o brilho do sol, brilhavam de tal maneira que era necessário proteger os olhos.
Boa Semente 2020
Após o retorno à terra prometida, parecia que os judeus estavam definitivamente curados de sua idolatria; no entanto, agora surgia algo diferente no seu lugar, e que não era melhor: a tradição. À época do primeiro templo eles foram atingidos pelo mundanismo, mas agora foram as tradições que não os abandonavam. Os fariseus e escribas estavam tão amarrados às suas tradições que não se dispuseram a abrir mão delas. Elas eram mais fortes do que a Palavra de Deus, o que finalmente levou os judeus a rejeitarem o Filho de Deus. Eles se blindaram totalmente às mudanças que o Senhor Jesus pretendia trazer juntamente com o Novo Testamento (cf. Mt 15.1-3,6; Mc 7.8-9).
O resultado final foi semelhante ao do primeiro templo: o templo deles novamente se transformou em um “covil de ladrões”. “E [Jesus] lhes disse: ‘Está escrito: “A minha casa será chamada casa de oração”; mas vocês estão fazendo dela um “covil de ladrões”’” (Mt 21.13). O Senhor Jesus abandonou o templo caminhando para o monte das Oliveiras, na mesma direção em que a glória do Senhor havia saído ao abandonar o primeiro templo. O resultado foi novamente que o templo pegou fogo e foi completamente destruído, inclusive no mesmo dia que anteriormente o primeiro templo.
Tanto o mundanismo como a manutenção das tradições que colocamos acima da Bíblia contêm em si o mesmo perigo. Ambos podem sufocar a Palavra de Deus e restringir o espaço que é devido a ela.
Houve igrejas inteiras que sucumbiram diante de superficialidade e do mundanismo, mas igualmente por se prenderem ferrenhamente a tradições, as quais, consciente ou inconscientemente, eram mais valorizadas do que a Palavra. Não havia disposição para mudanças ou redirecionamento porque, afinal, “sempre fizemos assim”. Surge então o espanto quando as igrejas não crescem mais, quando jovens não são mais atraídos e aqueles que se imagina que estão firmes acabam desaparecendo. Não existe disposição de promover renovação e mudanças urgentes que seriam espiritualmente adequadas; afinal, temos orgulho em “pertencer ao grupo dos fiéis”. Essa era também a ideia dos fariseus, mas eles não imaginavam o quanto estavam errados.
Alguém afirmou certa vez que costumes, hábitos e usos podem ser mais poderosos do que a verdade. E a ideia que um Duque de Bedford tinha sobre tradições arraigadas era: “Tradicionalismo é um velho distribuidor de sal do qual não sai sal algum”.
Precisamos tomar cuidado para que o nosso sal não se torne insípido nem perca a força, e que sempre o tenhamos conosco (Mt 5.13; Cl 4.6). O centro de tudo deve e precisa ser unicamente Jesus. Devemos colocá-lo sempre em evidência e estar espiritualmente orientados para ele. Não se trata de viver hoje como se vivia há cem anos e de celebrar os cultos exatamente da mesma maneira como naquele tempo.
Quando surgiu o rádio, muitos o consideraram como algo diabólico. Outros tiraram proveito dessa nova possibilidade tecnológica e por meio dela proclamaram o evangelho. Em alguns círculos cristãos, atualmente a internet é considerada como o maior dos males. No entanto, também existe a possibilidade de Deus nos questionar de por que determinadas possibilidades não foram utilizadas para a causa de Deus, mas enterradas.
Nosso lema deveria ser: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Não devemos trazer o mundo para os salões das nossas igrejas, mas também não devemos nos agarrar teimosamente a velhos costumes. Devemos, sim, procurar pela vontade de Deus por meio da renovação de nossa mente e estar abertos ao agir dele. Para isso é necessário ter muita sabedoria, oração, comunicação e tato sensível. Que o Senhor nos conceda isso, pois trata-se da sua causa e não da nossa.
O próximo exemplo pode ilustrar a respeito: nos EUA havia um fundador de igrejas que tinha uma paixão muito grande por jovens em situações vulneráveis. Ele os procurava, se importava por eles, os convidava, os trazia para ouvir a Palavra de Deus, e muitos se converteram. Isso era um incômodo para alguns membros nas igrejas, porque de início esses jovens não se portavam necessariamente como cristãos. Certa vez um hippie chegou à reunião da igreja com seus cabelos longos e pés descalços, e, com estes, sujou um tapete. Os membros da igreja se alteraram e pediram que o jovem fosse retirado da igreja, mas o pastor respondeu: “Não, levaremos o tapete para fora”. Esta foi a decisão correta e mostrou ter sido uma grande bênção, pois um desses menosprezados hippies hoje é missionário e fundador de igrejas na Alemanha...

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

QUIAS SÃO AS ÊNFASES DO APOCALIPSE?

Quais são as ênfases de Apocalipse?

Norbert Lieth
As opiniões que circulam por aí sobre o último livro da Bíblia são incontáveis, mas o primeiro capítulo deixa claro onde se situa o centro de gravidade propriamente dito de Apocalipse e o que isso significa para a nossa vida.
Período pré-natalino na escola. O professor pergunta a um garoto: “O que você mais gostaria de ganhar no Natal?”. O garoto pensa num retrato emoldurado do pai dele. Ele não está mais presente e o garoto sente sua falta. Ele responde baixinho: “Gostaria que meu pai saísse da moldura e voltasse a estar conosco”.
Jesus Cristo retirou-se de nós e retornou ao céu. Na Bíblia temos sua imagem diante de nós, mas virá o dia em que ele sairá da moldura do céu e retornará a nós. Até lá, sentiremos saudades dele como o garoto por seu pai. O livro de Apocalipse nos mostra como Jesus sai da moldura para entrar novamente em nosso mundo.
O Apocalipse é um livro de esperança. Esperança significa uma expectativa feliz. O Senhor vitorioso certamente retornará e o reino de Deus com certeza será estabelecido. Assim, Apocalipse trata do cumprimento do reino messiânico anunciado no Antigo Testamento, nos evangelhos e nos primeiros capítulos do livro de Atos dos Apóstolos.
“O sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve fortes vozes nos céus, que diziam: ‘O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo... Graças te damos, Senhor Deus todo-poderoso, que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e começaste a reinar’” (Ap 11.15-17). “Aleluia!, pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso” (Ap 19.6).
Trata-se da reivindicação de poder do nosso Senhor Jesus Cristo. O conteúdo do Apocalipse esclarece como Deus leva adiante a série dos profetas do Antigo Testamento, principalmente em conexão com o livro de Daniel, mas também com Ezequiel, Zacarias, Isaías e Moisés. O livro revela a trajetória de Deus com Israel e as nações nos tempos finais. É o livro da restauração de Israel e de todas as coisas: o cumprimento final das declarações dos profetas.
“Mas, nos dias em que o sétimo anjo estiver para tocar sua trombeta, vai cumprir-se o mistério de Deus, como ele o anunciou aos seus servos, os profetas” (Ap 10.7). “O anjo me disse: ‘Estas palavras são dignas de confiança e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer. Eis que venho em breve! Feliz é aquele que guarda as palavras da profecia deste livro’” (Ap 22.6-7). Assim o Apocalipse estabelece a relação com os profetas do Antigo Testamento. De modo impressionante, ele nos expõe a fidelidade do Deus que cumpre todas as promessas e chega com Israel ao alvo do reino messiânico.
O profeta Isaías enfatizou em sua época: “Mas Israel será salvo pelo Senhor com uma salvação eterna; vocês jamais serão envergonhados ou constrangidos, por toda a eternidade” (Is 45.17). Clareza maior é impossível. E essa declaração – bem como muitas outras similares – se cumprirá nos tempos de Apocalipse.
“Aquele que estava assentado no trono disse: ‘Estou fazendo novas todas as coisas!’ E acrescentou: ‘Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança’. Disse-me ainda: ‘Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim’” (Ap 21.5-6a).
Pedro, que era o “apóstolo aos circuncisos [judeus]” (Gl 2.8), confirmou essa verdade ao chamar o povo de Israel do seu tempo ao arrependimento dizendo: “Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados, para que venham tempos de descanso da parte do Senhor, e ele mande o Cristo, o qual lhes foi designado, Jesus. É necessário que ele permaneça no céu até que chegue o tempo em que Deus restaurará todas as coisas, como falou há muito tempo, por meio dos seus santos profetas” (At 3.19-21).
Os israelitas não se arrependeram nos dias dos apóstolos, por isso sua restauração se dará somente quando chegar o tempo do arrependimento, e isso, por sua vez, ocorrerá quando o Apocalipse começar a se cumprir.
O livro de Apocalipse tem um caráter inequivocamente hebreu. As muitas visões, imagens, números, objetos e anjos lembram o Antigo Testamento e Israel, e há inúmeros paralelos com as declarações proféticas da antiga aliança. Os primeiros versículos do Apocalipse mostram sobre o que o livro se concentra.
“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos o que em breve há de acontecer. Ele enviou o seu anjo para torná-la conhecida ao seu servo João” (Ap 1.1; cf. 22.6). A palavra grega para revelação utilizada no texto original significa “remover o véu” ou “descobrir” (apocalipse). “Revelação” é a primeira palavra neste livro. Revela-se o futuro, porque o Apocalipse todo é profético. Ele nos mostra os planos de Deus para os últimos dias.
As “palavras desta profecia” (Ap 1.3; 22.7) são a “revelação de Jesus Cristo” (Ap 1.1). Deus deu ao seu Filho glorificado a revelação de todos os eventos finais. É sua revelação. A ele o Pai instituiu como Juiz e Rei (At 17.31). Deus Pai entregou todo o juízo a Deus Filho (Jo 5.22). O Apocalipse e todos os eventos nele descritos não pertencem a nenhum outro senão a Jesus Cristo. O fim está nas suas mãos.
A igreja é o corpo do Senhor Jesus Cristo. Por ocasião do Apocalipse, ela estará arrebatada ao céu (1Ts 4.13–5.9) e participará a partir do céu dos eventos apocalípticos (cf. 1Co 6.2-3; Ap 1.16,20). “Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória” (Cl 3.4).
Deus Pai deu a revelação ao Filho para “mostrar aos seus servos”, ou seja, a revelação destina-se a mostrar aos sevos de Deus nas igrejas “o que em breve há de acontecer” (Ap 1.1,4; 22.6,16). A igreja deverá estar informada sobre o plano de Deus (Ap 22.16). No entanto, trata-se também daqueles que viverão como servos de Deus nos tempos apocalípticos. Para estes, esse registro será infinitamente importante.
Na antiga aliança, Israel é chamado de “servo”: “Cantem de alegria, ó nações, com o povo dele, pois ele vingará o sangue dos seus servos; retribuirá com vingança aos seus adversários e fará propiciação por sua terra e por seu povo” (Dt 32.43). E o Apocalipse diz: “Pois verdadeiros e justos são os seus juízos. Ele condenou a grande prostituta que corrompia a terra com a sua prostituição. Ele cobrou dela o sangue dos seus servos” (Ap 19.2; cf. Lv 25.42,55; Lc 1.54,69; Is 65.8-16). Foram principalmente os profetas e aqueles que serviam dedicadamente a Deus no povo judeu que receberam o título de “servo” (Ne 1.6; Lc 2.29; Ap 10.7; 11.18; 15.3). Os apóstolos também chamavam a si mesmos de “servos” do Senhor (Fp 1.1; 2Pe 1.1).
A palavra grega para revelação utilizada no texto original significa “remover o véu” ou “descobrir” (apocalipse). “Revelação” é a primeira palavra neste livro. Revela-se o futuro, porque o Apocalipse todo é profético. Ele nos mostra os planos de Deus para os últimos dias.
Nos discursos de Jesus sobre o fim dos tempos é frequente o termo “servo” referindo-se a Israel (Mt 21.34-36; 22.3-4; 24.45-50; 25.14,19,21; Lc 12.38). Já Apocalipse chama os 144.000 israelitas das doze tribos de “servos do nosso Deus” (Ap 7.3). Também os mártires no céu recebem este título (Ap 6.11). Todo o livro de Apocalipse dirige-se constantemente aos servos de Deus.
Pelo estilo do seu enunciado, Apocalipse 1.1 nos remete aos livros do Antigo Testamento, como por exemplo ao profeta Amós, que escreve: “Certamente o Senhor, o Soberano, não faz coisa alguma sem revelar o seu plano aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). É exatamente disso que o Apocalipse trata.
O Apocalipse mostra aquilo “que em breve há de acontecer” (Ap 1.1), ou seja, o que acontecerá “com brevidade”. Trata-se de eventos em rápida sequência, de um período compacto que, uma vez iniciado, se desenrolará rapidamente. “Eu sou o Senhor; na hora certa farei que isso aconteça depressa” (Is 60.22).
Deus precisa julgar este mundo, e ele o fará por meio de Jesus Cristo. Nosso Senhor punirá este mundo em tempo breve e rapidamente para então estabelecer uma bênção longa e permanente. As dores de parto sobrevêm subitamente, de forma muito violenta e, uma vez iniciadas, cada vez mais rápidas. No entanto, em comparação com uma vida humana, são breves. Assim também se diz a respeito do sofrimento que os cristãos suportam: “Pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles” (2Co 4.17).
Foi um anjo que “tornou conhecida” para João a revelação (Ap 1.1; cf. 22.16). Esse anjo é um mensageiro pessoal do Senhor que acompanha João no decurso das suas visões e vai passando instruções. Mais tarde João quer adorá-lo, o que, porém, o anjo recusa (Ap 19.9-10; 22.8-9,16).
Boa Semente 2020
Ou seja: Deus Pai confiou a revelação ao seu Filho. Jesus Cristo a transmite ao seu anjo. Esse anjo a mostra a João. E João a registra para nós. Por isso ele diz de si mesmo que “dá testemunho de tudo o que viu, isto é, a palavra de Deus [o Pai] e o testemunho de Jesus Cristo [o Filho]” (Ap 1.2).
João pode ter escrito a introdução de Apocalipse por último, já que está redigida em tempo passado. Ou seja: primeiro João registrou as visões que o anjo lhe transmitia da parte do Pai e do Filho e depois redigiu a introdução do texto, antepondo-a a ele.
Anjos são espíritos serviçais para os eleitos, ou seja, para a igreja (Hb 1.14). Porém, com muita frequência apresentam-se anjos como servos e portadores de mensagens para Israel (At 7.53; Gl 3.19; Hb 2.2). Hoje, na época da graça, a igreja não é instruída por anjos, mas pelo Espírito Santo. Ocorre até o contrário: não é a igreja que aprende com os anjos, mas anjos aprendem da igreja: “A intenção dessa graça era que agora, mediante a igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornasse conhecida dos poderes e autoridades nas regiões celestiais” (Ef 3.10; cf. 1Pe 1.12).
O apóstolo Paulo até adverte a igreja a não seguir anjos: “Não permitam que ninguém que tenha prazer numa falsa humildade e na adoração de anjos os impeça de alcançar o prêmio. Tal pessoa conta detalhadamente suas visões, e sua mente carnal a torna orgulhosa” (Cl 2.18).
Até hoje continuam a surgir pessoas afirmando que algum anjo apareceu e transmitiu mensagens ou visões para elas. Muitas vezes se gabam afirmando que Deus teria enviado o anjo, mas isso é muito perigoso, porque “o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz” (2Co 11.14).
As sete igrejas são aquelas às quais se dirigem as sete cartas. Como o número sete é um número da perfeição, ele aponta para a igreja inteira de todos os tempos.
Deus chama de “feliz” aquele que atenta para a revelação: “Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo está próximo” (Ap 1.3). A mesma mensagem é repetida perto do final de Apocalipse: “Feliz é aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” (Ap 22.7b).
Não são poucos os cristãos e as igrejas que praticamente rejeitam esta preciosa promessa ao não se ocuparem com Apocalipse. Pode até parecer que muitos crentes não sabem ler direito e por isso entendem as palavras do Senhor assim: “Feliz é aquele que não lê as palavras da profecia e não as guarda, porque afinal aquilo ainda está longe...”.
A doutrina da volta de Jesus Cristo e do estabelecimento do seu reino é um dos principais temas da Bíblia. A Palavra de Deus fala cerca de três vezes mais sobre sua volta do que sobre sua primeira vinda. Os apóstolos esperavam que o Senhor Jesus retornasse ainda durante o seu período de vida. Por isso o professor bíblico William MacDonald nos adverte: “Não basta nos apegarmos à verdade sobre o retorno dele – é preciso que essa verdade se apegue a nós”. Deveríamos nos orientar com grande expectativa para a volta de Jesus!
O Apocalipse descreve o fim e o objetivo de Deus com sua Criação. Ela é o ponto culminante do plano de Deus com o mundo por meio de Jesus Cristo. O Apocalipse é o triunfo final dos efeitos da primeira vinda de Jesus, de sua morte e ressurreição. Por isso se diz que ele é o primogênito dentre os mortos, tendo dado o seu sangue para a redenção (Ap 1.5), que ele é aquele que é, que era e que virá (v. 4,8), que esteve morto mas vive, e possui a chave da morte (v. 18).
“João às sete igrejas da província da Ásia: A vocês, graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono e de Jesus Cristo, que é a testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos e o soberano dos reis da terra. Ele nos ama e nos libertou dos nossos pecados por meio do seu sangue, e nos constituiu reino e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai. A ele sejam glória e poder para todo o sempre! Amém” (Ap 1.4-6).
As sete igrejas são aquelas às quais se dirigem as sete cartas. Como o número sete é um número da perfeição, ele aponta para a igreja inteira de todos os tempos. Os sete espíritos são uma imagem da plenitude do Espírito Santo, do seu sétuplo ministério (Is 11.2), também representado no candelabro de sete braços, a Menorá (Zc 4.2-6). “O Espírito do Senhor repousará sobre ele, o Espírito que dá sabedoria e entendimento, o Espírito que traz conselho e poder, o Espírito que dá conhecimento e temor do Senhor” (Is 11.2).
Há quem defenda a ideia de que esses sete espíritos seriam sete seres angelicais, já que as Escrituras também descrevem os anjos como espíritos (Hb 1.14), e, por se encontrarem diante do trono, parecem ocupar uma posição subalterna. Isto não se pode afirmar do Espírito Santo, que, afinal, é Deus. (Ao mesmo tempo, porém, também se poderia dizer que os sete espíritos diante do trono realmente são equiparados a Deus, já que João transmite às igrejas “graça” e “paz” igualmente do Pai, do Filho e dos sete espíritos.) Se, de acordo com o versículo 20, as sete estrelas representam os anjos das sete igrejas e os sete candelabros, as sete igrejas, os sete espíritos poderiam por isso talvez também indicar sete anjos especiais enviados a todo o mundo (Ap 5.6). Ambas as interpretações – plenitude do Espírito Santo ou sete príncipes angelicais – parecem razoáveis.
De qualquer forma, logo no primeiro capítulo o Apocalipse deixa clara a primazia e a natureza única do Senhor Jesus: ele é o que é, era e há de vir. Ele é Deus desde a eternidade. Ele esteve neste mundo e retornará (Ap 1.8). Quando ele se intitula “o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22.13), ele mesmo se declara Deus, pois este é um título divino: “Eu sou o primeiro e eu sou o último, além de mim não há Deus” (Is 44.6; cf. 41.4; 48.12). Deus se revelou em Cristo Jesus (Ap 4.9; 11.17).
Jesus é a testemunha fiel que nesta terra serviu como homem submisso a Deus Pai (Is 55.4; Jo 4.34; Lc 22.42). Como tal, ele é o primogênito dentre os mortos, que nunca mais morrerá (Cl 1.18). Ele é o soberano dos reis da terra, o futuro soberano da terra.
Por meio dele recebemos “graça”, um favor divino sem mérito nosso. Por meio dessa graça alcançamos “paz” com Deus. Assim ele nos concede o seu amor por ter se entregado por nós e derramado o seu sangue para o nosso perdão.
E esse Jesus, nosso Senhor e Redentor, voltará: “Eis que ele vem com as nuvens e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todos os povos da terra se lamentarão por causa dele. Assim será! Amém” (Ap 1.7).
Já no Antigo Testamento o profeta Daniel escreve que o Senhor voltará com as nuvens (Dn 7.13). Cristo mesmo também testifica que retornará sobre as nuvens do céu com poder e glória (Mt 24.30; 26.64). Uma nuvem o recebeu quando subiu ao céu a partir do monte das Oliveiras (At 1.9-11), e da mesma forma ele também retornará à terra (Zc 14.4).
Todos o verão – também e especialmente Israel, a saber: “todos os povos da terra” (Ap 1.7). Esse enunciado deriva da profecia de Zacarias 12.10-12: “E derramarei sobre a família de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de ação de graças e de súplicas. Olharão para mim, aquele a quem traspassaram, e chorarão por ele como quem chora a perda de um filho único e se lamentarão amargamente por ele como quem lamenta a perda do filho mais velho. Naquele dia, muitos chorarão em Jerusalém, como os que choraram em Hadade-Rimom no vale de Megido. Todo o país chorará, separadamente cada família com suas mulheres chorará: a família de Davi com suas mulheres, a família de Natã com suas mulheres...”
É por isso que Apocalipse 1.7 aponta principalmente para Israel, o povo dos judeus “que o traspassaram”. Deus derramará sobre eles um espírito de graça e súplica, e eles se lamentarão sobre aquele Senhor (Zc 12.10; Mt 24.30) que desprezaram tão completamente ao longo de dois milênios.
A doutrina da volta de Jesus Cristo e do estabelecimento do seu reino é um dos principais temas da Bíblia. A Palavra de Deus fala cerca de três vezes mais sobre sua volta do que sobre sua primeira vinda.
João recebe as visões de Apocalipse no “dia do Senhor”: “No dia do Senhor achei-me no Espírito e ouvi por trás de mim uma voz forte, como de trombeta, que dizia: ‘Escreva num livro o que você vê e envie a estas sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia’” (Ap 1.10-11).
Muitos enxergam nesse “dia do Senhor” uma indicação para o domingo como dia da ressurreição de Jesus Cristo. No entanto, é mais provável que João se refira aqui ao dia do juízo do Senhor, várias vezes citado nas Escrituras Sagradas, o qual ele vivencia no espírito e no qual medita como profeta. Esse dia ele viu (cf. Ap 4.2). Por isso também Apocalipse 1.11 instrui João a escrever o que vê “no Espírito”. O “dia do Senhor” é anunciado várias vezes no Antigo e no Novo Testamento como dia do juízo (Jl 1.15; 2.31; Is 13.6,9; Ml 4.5; 1Ts 5.2; 2Pe 3.10). Em Apocalipse esse dia se cumpre.
No Novo Testamento, o dia da ressurreição sempre é chamado de “primeiro dia da semana” (Mt 28.1; At 20.7 etc.). Se João estivesse fazendo referência ao dia da ressurreição, seria mais provável que usasse esse enunciado, tal como consta no evangelho de João e como era prática dos outros autores bíblicos da época (cf. Jo 20.1,19). Foi só mais tarde na história da igreja que o termo “dia do Senhor” foi identificado com o dia da ressurreição e o domingo. O contexto bíblico é sempre a chave para a interpretação.
Literalmente deveria ser dito: “Eu me encontrava no Espírito no dia pertencente ao Senhor”, ou “Encontrava-me no Espírito no dia do Senhor”. Trata-se do dia que pertence ao Senhor e que Deus transferiu ao seu Filho: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu” (Ap 1.1). A revelação é o dia do Senhor e pertence integralmente ao Senhor Jesus.
“... o Pai a ninguém julga, mas confiou todo julgamento ao Filho. E deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem” (Jo 5.22,27). É justamente como “Filho do homem” que o Senhor é apresentado também em Apocalipse 1.13 em conexão com o “dia do Senhor”. Cristo mesmo confirma que esse dia futuro lhe pertence: “Pois o Filho do homem no seu dia será como o relâmpago cujo brilho vai de uma extremidade à outra do céu” (Lc 17.24).
Assim, o “dia do Senhor” é o dia que lhe pertence, e João vivencia esse dia “no Espírito” como profeta. A expressão “no Espírito” remete ao profeta Ezequiel, que teve a mesma experiência: “Então o Espírito de Deus ergueu-me e em visão levou-me aos que estavam exilados na Babilônia. Findou-se então a visão que eu havia tido” (Ez 11.24). E: “A mão do Senhor estava sobre mim, e por seu Espírito ele me levou a um vale cheio de ossos” (Ez 37.1).
“Voltei-me para ver quem falava comigo. Voltando-me, vi sete candelabros de ouro e entre os candelabros alguém ‘semelhante a um filho de homem’...” (Ap 1.12-13).
Não encontramos nenhuma vez a expressão “Filho do homem” nas cartas do apóstolo Paulo às igrejas; no entanto, encontramos ela em Daniel 7.13, repetidamente nos evangelhos (quando o Senhor fala ao povo de Israel) e uma vez em Atos 7.56 (nas últimas palavras de Estêvão ao povo judeu, quando estava à morte). Hebreus 2.6 também menciona o “filho do homem”, mas ali se trata de uma citação do Salmo 8 e se refere ao homem em geral.
O título “Filho do homem” refere-se ao reinado terreno do Senhor. O Apocalipse dirige-se à igreja, mas seu grande tema é o juízo sobre o mundo e Israel (Ap 1.7).
Esse Filho do homem usa “uma veste que chegava aos seus pés e um cinturão de ouro ao redor do peito. Sua cabeça e seus cabelos eram brancos como a lã, tão brancos quanto a neve, e seus olhos eram como chama de fogo. Seus pés eram como o bronze numa fornalha ardente e sua voz como o som de muitas águas. Tinha em sua mão direita sete estrelas, e da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes. Sua face era como o sol quando brilha em todo o seu fulgor” (Ap 1.13-16).
Essa descrição do Senhor Jesus reflete a imagem do Senhor no Antigo Testamento (p. ex. em Sl 93; Dn 7.9; 10.5-6,9; Ez 1.1–2.2 etc.). O Apocalipse é a continuação e o definitivo cumprimento de todas as declarações dos profetas do Antigo Testamento. O teólogo Robert Haldane disse certa vez a respeito disso: “Não se pode subtrair do povo de Israel aquilo com que ele [Deus] se comprometeu diante deles”.
João vê símbolos daquilo que o Senhor é; de sua majestade, seus ministérios e suas características. A longa veste expressa dignidade. O cinturão de ouro em torno do seu peito aponta para o sumo sacerdócio celeste, divino e eterno. Sua cabeça branca e os cabelos brancos são como a luz branca que apareceu na Shekinah, a nuvem da glória de Deus no Tabernáculo. Além disso, a cor branca aponta para sua justiça incorruptível – assim como o trono branco do juízo (Ap 20.11). Seus olhos como chama de fogo indicam que seu olhar penetra e julga tudo. Só o que for “à prova de fogo” poderá prevalecer diante dele: ouro, prata e pedras preciosas. “Sua obra será mostrada, porque o Dia a trará à luz; pois será revelada pelo fogo, que provará a qualidade da obra de cada um” (1Co 3.13). “Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem haveremos de prestar contas” (Hb 4.13).
Seus pés semelhantes ao bronze resplandecente como numa fornalha ardente lembram o altar dos holocaustos. Deus mesmo é um fogo consumidor que consome tudo que é anti-divino. Sua voz como a de muitas águas significa que sua palavra preenche e domina tudo. Quando Cristo fala, tudo o mais emudece.
As sete estrelas em sua mão direita simbolizam as sete igrejas destinatárias da mensagem de Apocalipse (Ap 1.20). O que o Senhor segura em sua mão direita pertence a ele e é somente ele que decide a respeito. Jesus é o braço direito do Senhor, o braço da salvação e da redenção eterna. “Quem creu em nossa mensagem? E a quem foi revelado o braço do Senhor?” (Is 53.1). Ninguém pode arrancar sua propriedade da sua mão (Jo 10.28-29).
A espada de dois gumes que sai da boca do Senhor simboliza o quanto sua palavra é cortante. Ela separa e corta: “Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e as intenções do coração” (Hb 4.12). Sua palavra também julgará as nações (Ap 19.15). E sua face, que brilha como o sol em seu poder, lembra-nos a transfiguração do Senhor Jesus: “Ali ele foi transfigurado diante deles. Sua face brilhou como o sol, e suas roupas se tornaram brancas como a luz” (Mt 17.2; cf. 2Pe 1.16-21).
Essa linguagem figurada inspirada do Antigo Testamento também nos mostra que o Apocalipse tem a ver com a redenção de Israel e o retorno em glória do seu Messias Jesus.
O contexto bíblico é sempre a chave para a interpretação.
“Quando o vi, caía aos seus pés como morto. Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: ‘Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último. Sou Aquele que Vive. Estive morto, mas agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do Hades” (Ap 1.17-18).
Você já viu alguma vez alguém tombando ao chão ao sofrer um infarto cardíaco ou um ataque epiléptico? Foi mais ou menos o que aconteceu com João – e, por sinal, da mesma maneira reagiram também Ezequiel e Daniel diante da glória celeste (Ez 1.28–2.2; Dn 10.9). Homem nenhum pode prevalecer diante do Deus vivo. Ninguém poderá permanecer ereto diante dele. Ninguém poderá justificar-se. Ninguém poderá se impor. Desde a ressurreição do Senhor Jesus, a morte precisa temê-lo.
Agora, porém, vemos a reação do Senhor diante daquele que crê nele e é seu servo: “Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: ‘Não tenha medo’” (Ap 1.17). Todos os salvos por Jesus Cristo podem considerar-se felizes. Esses não precisam ter medo de Deus. Eles são erguidos e consolados.
Ele, o Primeiro e o Último e de natureza divina (Ap 1.8) – que ressuscitou dos mortos, que vive de eternidade a eternidade, que tem nas mãos o poder sobre a morte, a quem pertence a revelação e que tem autoridade sobre todos os eventos futuros – guarda e consola todos os que lhe pertencem. Eles não precisam temer. A vida e a morte deles estão em suas mãos. Eles não estão abandonados ao destino. Pertencem a ele e ao seu mundo.
Para o crente em Jesus Cristo, isso significa que, aconteça o que acontecer, sejam quais forem suas experiências, não há o que temer!
Assim, João recebe a seguinte ordem: “Escreva, pois, as coisas que você viu, tanto as presentes como as que acontecerão. Este é o mistério das sete estrelas que você viu em minha mão direita e dos sete candelabros: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros são as sete igrejas” (Ap 1.19-20).
O versículo 19 marca como o Apocalipse divide a si mesmo: “as coisas que você viu” abrangem o capítulo 1; “as presentes”, os capítulos 2–3; e “as que acontecerão”, os capítulos 4–22. Isto nos mostra que somos chamados e vocacionados a anunciar tudo o que Deus determinou – seu evangelho e a palavra bíblico-profética do seu retorno, até que ele venha. “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: ‘Sim, venho em breve!’ Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).