sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

HISTÓRIA DO NASCIMENTO DE JESUS


 

A História do Nascimento de Jesus

Thomas Lieth

A Bíblia contém dois relatos do nascimento do Senhor Jesus – nos evangelhos de Mateus e de Lucas. Se compararmos esses dois relatos, nota-se que não coincidem plenamente, o que, afinal, não deixa de ter sua lógica; caso contrário, bastaria um único relato. Assim, Mateus escreve em seu evangelho sobre pontos que Lucas não menciona, e vice-versa.

Meu objetivo aqui será então combinar os relatos dos evangelhos de Mateus e de Lucas para apresentar um decurso possível da história do Natal.

Visitas Angelicais aos Pais

Comecemos com o anúncio do nascimento do Senhor Jesus no evangelho de Lucas: “No sexto mês Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galileia, a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria” (Lucas 1.26-27).

Lucas confirma que Maria vivia em Nazaré e que ali o anjo apareceu a ela. Este foi o primeiro acontecimento: Maria recebe em Nazaré o anúncio do nascimento do Senhor Jesus ainda antes de engravidar, pois a continuação do texto diz: “Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus” (Lucas 1.31).

Quando o anjo lhe apareceu, Maria ainda não estava grávida, mas então, tendo em vista sua confiança em Deus e sua declaração ao dizer: “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra” (v. 38), o Espírito Santo veio sobre Maria e ela engravidou.

Em seguida, um anjo apresentou-se a José a respeito disso num momento em que Maria já estava grávida, conforme se lê no evangelho de Mateus – uma vez que Lucas não cita José, totalmente atropelado pela ocorrência: “Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: ‘José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo’” (Mateus 1.18-20).

O fato de que José “pretendia anular o casamento secretamente” significa que de algum modo e em algum momento ele havia descoberto a gravidez da sua noiva, e só depois disso é que também apareceu um anjo a ele. Essa circunstância permite supor que a visita de Maria a Isabel – que somente Lucas relata – tenha ocorrido quando José ainda não sabia nada da gravidez.

Portanto, poderá ter ocorrido o seguinte: Maria recebe o anúncio do nascimento: “Você ficará grávida”. Após sua resposta “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra”, ela engravida. Segue-se então sua visita a Isabel (Lucas 1.39-56), e o versículo 56 termina dizendo: “Maria ficou com Isabel cerca de três meses e depois voltou para casa”. Ou seja, Maria retorna a Nazaré grávida de três meses e não sabe como o seu ingênuo noivo reagirá a essa situação... correndo mesmo o risco de talvez ser apedrejada como prostituta e adúltera ou, no mínimo, ser repudiada. Enquanto, então, José decide chocado separar-se de Maria, o anjo lhe aparece com as palavras: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o quer nela foi gerado procede do Espírito Santo” (Mateus 1.20b). Este é o segundo acontecimento: um anjo também anuncia a José, em Nazaré, o iminente nascimento do Senhor Jesus.

O nascimento do Senhor Jesus ocorreu em Belém, exatamente como Deus quis e como havia sido predito pelos profetas.

Com isso já chegamos ao nascimento propriamente dito do Senhor Jesus. – E onde ele nasceu? “É claro que em Nazaré – é evidente!” Mas não: quem crê isso, nunca esteve presente num culto natalino, e talvez até suponha que Pôncio tenha sido o irmão de Pilatos. O nascimento do Senhor Jesus ocorreu em Belém, exatamente como Deus quis e como havia sido predito pelos profetas.

O Nascimento de Jesus

Com isso, deixamos Nazaré temporariamente e vamos a Belém. Este é o terceiro acontecimento: o nascimento do Senhor Jesus em Belém. Lucas explica-nos então como foi que isso aconteceu: “Naqueles dias, César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano. Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. E todos iam para a sua cidade natal, a fim de alistar-se. Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galileia para a Judeia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi. Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho. Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2.1-7).

Maria e José são forçados a deixar Nazaré e viajar a Belém. É uma distância de aproximadamente 130 quilômetros, em parte através de regiões montanhosas. Não é sem motivo que o texto informa que “subi[ram] da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia” (Lucas 2.4, BKJ). Não foi um passeio plano, e com tudo isso não devemos esquecer que Maria estava em estado adiantado de gravidez quando empreendeu com José essa longa jornada. Devem ter viajado por mais ou menos um semana e, considerando as circunstâncias e as dificuldades da viagem, não teria sido incomum que Maria já tivesse dado à luz a criança quando ainda estavam a caminho. Nesse caso, o Salvador do mundo não teria nascido nem em Nazaré nem em Belém, mas em algum lugar intermediário. Deus, porém, proveu que o parto só ocorresse quando Maria e José chegassem a Belém, encontrando finalmente uma pousada, exatamente segundo a predição de Miqueias 5.2: “Mas tu, Belém-Efrata, embora pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel...”.

Maria e José são forçados a deixar Nazaré e viajar a Belém. É uma distância de aproximadamente 130 quilômetros, em parte através de regiões montanhosas.

Na mesma noite do nascimento do Senhor Jesus, um anjo aparece aos pastores no campo: “Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos. E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor resplandeceu ao redor deles; e ficaram aterrorizados. Mas o anjo lhes disse: ‘Não tenham medo. Estou trazendo boas-novas de grande alegria para vocês, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor’. Então correram para lá e encontraram Maria e José e o bebê deitado na manjedoura” (Lucas 2.8-11,16). Este é o quarto acontecimento: os pastores junto à manjedoura.

Até aqui, tudo parece encaixar-se bem, mesmo porque Lucas nos fornece um belo quadro cronológico. Porém, como já vimos, Lucas não dá um relato completo, mas deixa a palavra com Mateus para completar aquilo que ele omite. Assim ocorre, por exemplo, o evento com os chamados magos do oriente. Voltemos ao evangelho de Mateus: “Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: ‘Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo’” (Mateus 2.1-2). Este é o próximo acontecimento: os magos veem uma estrela e viajam para Jerusalém.

O que, porém, não sabemos é quando os magos realmente se puseram a caminho. Teriam partido imediatamente após a primeira aparição celeste, quem sabe já no dia seguinte, ou será que primeiro fizeram investigações a respeito dessa estrela extraordinária? De qualquer modo devem ter necessitado de algum tempo com os preparativos para essa longa viagem. Uma vez que o texto não expõe nada com clareza a respeito, não é possível saber. Contudo, lembremos que neste quinto ponto, em conexão direta com o nascimento do Senhor Jesus e com a visita dos pastores à manjedoura, uma estrela brilha para os magos a uma distância de aproximadamente mil quilômetros, uma estrela que os alerta sobre o nascimento do Senhor Jesus. Em razão disso, eles empreendem a longa viagem até Jerusalém porque era lá que esperavam encontrar o rei dos judeus.

Continuando com Lucas: “Completando-se os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, o qual lhe tinha sido dado pelo anjo antes de ele nascer” (Lucas 2.21). Maria e José ainda permanecem em Belém – e supõe-se que nesse meio tempo tenham encontrado um alojamento normal. Então, oito dias após o nascimento e a visita dos pastores, o bebê é circuncidado conforme exige a lei. Este é o sexto acontecimento: a circuncisão do Senhor Jesus em Belém enquanto os magos do oriente se põem a caminho para render homenagem ao recém-nascido rei dos judeus.

Lucas não dá um relato completo, mas deixa a palavra com Mateus para completar aquilo que ele omite.

Em seguida, lemos: “Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor (como está escrito na Lei do Senhor: ‘Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor’)” (Lucas 2.22-23). Este é o sétimo acontecimento: a apresentação do Senhor Jesus no templo em Jerusalém a fim de atender ao mandamento de Levítico 12.1-4. Portanto, cerca de 40 dias depois, Maria e José vão a Jerusalém, distante apenas cerca de 10 quilômetros de Jerusalém. O que quer dizer que Maria e José permaneceram no mínimo 40 dias em Belém, e que toda a parentela – primos, primas, vovó, vovô – até então ainda não tinham visto o bebê Jesus em Nazaré, a cerca de 130 quilômetros de distância. Somente agora, após cerca de 40 dias, a família se encontra em Jerusalém e os magos do oriente estão em algum lugar num congestionamento junto ao Eufrates.

Continuando a ler o evangelho de Lucas, vemos que Maria e José retornaram com seu filho a Nazaré: “Depois de terem feito tudo o que era exigido pela Lei do Senhor, voltaram para a sua própria cidade, Nazaré, na Galileia” (Lucas 2.39). – Finalmente de volta ao lar, na sua cidade. E finalmente também a parentela curiosa pode abraçar a jovem família e entregar seus presentes... se, pois é, se não fosse Mateus...

Ainda falta algo. Como ficaram os magos do oriente? Será que não chegaram ao seu destino? E não houve aí ainda uma matança de crianças em Belém e uma fuga para o Egito? Sim, de fato: mas quando e como? Conforme dissemos, o relato de Lucas permite supor que a família retornou de Jerusalém para Nazaré. Segundo Mateus, porém, parece que a família só retornou bem mais tarde. Examinemos melhor essa aparente contradição na próxima semana.


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

O ÚLTIMO HOMEM (JUSTO) NA TERRA

TEMPLO DE SALOMÃO

 

O Último Homem (Justo) na Terra

Jeff Kinley

Em meio a todo esse pecaminoso frenesi global, Deus encontrou um homem que se destacou entre bilhões. “Porém Noé encontrou favor aos olhos do Senhor” (Gênesis 6.8). Descrito como “homem justo, íntegro entre o povo da sua época”, Noé era um homem que “andava com Deus” (Gênesis 6.9). Mesmo não sendo perfeito, Noé tinha integridade. E, ainda que certamente não fosse isento de culpa, Noé ainda era inocente, ou um homem de alto caráter e reputação morais. Em contraste com o caráter perverso, odioso e violento de seus pares, ele se manteve puro, decente e civilizado. Não havia sujeira na vida de Noé. Ele sentia a pressão de se conformar à impiedade de sua geração, mas também se sentia chamado a ser diferente dela em caráter e estilo de vida (ver 2Coríntios 6.14-18).

O desafio de viver na cultura do mundo envolve não se deixar consumir pelo pecado inerente a ela. Não há dúvida que nós cristãos estamos destinados a viver neste mundo, mas não derivamos dele nossa identidade nem nossos valores porque não pertencemos a ele (João 17.16). Usando a sabedoria, podemos nos manter conectados com as pessoas e a sociedade sem permitir que atitudes, crenças e condutas ímpias nos moldem ou influenciem (João 17.11,14-18; Romanos 12.2). Em sua essência, o cristão não é nem um pouco melhor que qualquer outra pessoa, e Jesus condena aqueles que exibem sua fé com uma atitude de arrogância (Mateus 23). Somos chamados a demonstrar humildade, amor e compaixão, mesmo em relação àqueles de quem discordamos veementemente. Esse equilíbrio pode ser difícil de alcançar, e muitas vezes significa ter uma voz dissidente e isolada. Ou ser o único justo. Em geral, significa não se deixar levar pela correnteza, mas nadar contra ela. Seguir a Deus pode até acarretar decisões e comportamentos que gerem ridicularização, zombaria e mesmo ódio.

Somos chamados a demonstrar humildade, amor e compaixão, mesmo em relação àqueles de quem discordamos veementemente.

Noé sabia como era.

Ele era justo em “sua época”. Seguia a Deus aqui e agora, respondendo ao contexto de sua própria geração. Decidido a andar com Deus, manteve-se limpo em meio a um mundo poluído – não por sua própria justiça; antes, para se preservar. Ele era justo. Mas o que exatamente fazia de Noé alguém tão justo aos olhos de Deus? Qual era sua história? Como Noé se tornou “Noé”?


Fé Resistente

Noé estava plenamente convencido da realidade de algo que ainda não conseguia enxergar. E é exatamente isso que a fé faz. Ela capacita aqueles que creem para ver o invisível. A conhecer o “ainda não”. A ir em frente em confiante obediência, independentemente do quanto isso o faça parecer esquisito, ridículo ou controverso. E Deus honra aqueles que escolhem os seus caminhos “ridículos” em detrimento da “sabedoria” convencional do ser humano (1Coríntios 1.18-29).

Um único homem ou mulher com fé consegue resistir a um exército de antagonistas. E havia uma legião de opositores em torno de Noé. A desvantagem era de bilhões para um.

Mas será que, diante das implicações físicas, espirituais e sociais de sua hercúlea tarefa, Noé alguma vez experimentou momentos de dúvida? Terá o filho de Lameque em algum momento vacilado na fé enquanto trabalhou durante um século, dia após dia, naquele projeto? Se o rei Davi, o apóstolo Pedro e João Batista tiveram momentos importantes em que sua fé praticamente faltou, é razoável assumir que Noé também tenha enfrentado esses momentos. Ele certamente passou várias noites em claro durante aqueles 120 anos, com dores lancinantes nas costas, machucados nas pernas ou mãos inchadas e feridas, pensando: “Deus, será que tudo isso realmente vale a pena? Será que esse dilúvio realmente vai acontecer, ou eu imaginei tudo isso? Será que meu barco vai flutuar, ou será que vou afundar e me afogar com os demais? Tu realmente falaste comigo anos atrás, ou estou aqui desperdiçando meu tempo e minha vida? Será que os céticos e cínicos têm razão no que dizem a meu respeito? Será que todos verão que sou um tolo? Essa é realmente a única maneira de nos salvar? Não tem um jeito mais fácil de realizar tua vontade?”.

Mesmo que não tenha passado por dúvidas crônicas e contínuas, Noé, como todos os crentes, com certeza teve ataques satânicos e de insegurança. É provável que sua própria natureza pecaminosa também tenha agido, inundando sua mente com apreensão ocasional e ondas de autopiedade. Ele também ficava cansado. Exausto de usar machados, serras e martelos. E os milhares de insultos lançados regularmente em sua direção ameaçavam desgastar a camada de fé que protegia seu coração. Afinal de contas, Noé continuava sendo apenas um ser humano. Mas, a despeito de suas limitações mortais, com o tempo ele aprendeu a desenvolver e exercitar o seu músculo da fé. Era a sua fé forte que o tirava da cama a cada manhã. O exercício da fé ajudava-o a suportar a dor e o cansaço. Ela protegia-o contra as afiadas setas verbais daqueles que o ridicularizavam.

Nossos ideais românticos sobre ser um crente forte adquirem perspectiva quando a corrida da nossa fé atinge a marca dos 10 ou 20 quilômetros.

Acreditar em Deus por causa de algo grande soa muito nobre. Alguns até consideram isso admirável. Tentar fazer uma obra grande para o Senhor é algo bom. Mas a realidade da vida em um mundo cheio de pecado é que essa fé real muitas vezes fica ensanguentada e suja, difícil e desafiadora. Esse é o tipo de fé que vai além da pura teoria e alcança a ação. Ela vai da cabeça e do coração para suas mãos, pés e boca. Esse não é o tipo de fé sobre o qual se fala ou escreve. Esse é o tipo de fé que se vive (ver Tiago 2.14-26). Não é hipotética, mas prática. Embora invisível, outros podem enxergá-la. É uma fé que trabalha. Se necessário, ela sacrifica e sofre. É uma fé manchada de sangue. Daquele tipo marcado por feridas e cicatrizes. Um pouco desfiada nas pontas. Rasgada e lacerada em alguns lugares. Batida, mas não estragada. Com aparência de quem levou uma surra, mas ainda ousada. Aparentemente derrotada, mas mantendo-se determinada. E – o melhor de tudo – é sua. Como um par favorito de sapatos: quanto mais é usado, mais confortável lhe parece.

Essa é a fé aprovada na batalha.

Não é atraente, mas com certeza é linda.

Nossos ideais românticos sobre ser um crente forte adquirem perspectiva quando a corrida da nossa fé atinge a marca dos 10 ou 20 quilômetros. Quão forte seria sua fé se todas as pessoas à sua volta estivessem contra você? Se cada ser humano vivo em torno de você o julgasse um tolo? E se quisessem tirar sua vida por causa da sua fé? Ou se sabotassem seus esforços para cumprir a missão dada por Deus? Será que Noé sofreu com sabotadores? Será que houve prejuízos porque alguém colocou fogo numa pilha de madeira ou roubou ferramentas e materiais? De qualquer forma, ele continua fazendo o que Deus lhe pedira, até nos menores detalhes (Gênesis 6.22). É isso que a fé faz. Ela obedece. E não há nada de glamoroso nisso. Apenas glorioso.

Noé tinha fé.

QUEM É O SEU CRISTO?


 

Quem é o “seu” Cristo?

Daniel Lima

O ambiente era tenso. Após algumas conversas, eu e certo irmão nos encontrávamos novamente. Eu tinha a pesada tarefa de tentar mostrar-lhe porque achava que o caminho que ele havia escolhido era um caminho que desagradava a Deus. Ele, insistente, queria que eu compreendesse suas escolhas, e, talvez mais que isso, que eu apoiasse suas escolhas. Após abrirmos mais uma vez a Bíblia para apontar o que, para mim, é claro, chegamos a um impasse.

Como última alternativa, virei minha Bíblia para ele, que estava do outro lado da mesa, e, apontando para um versículo, disse: “Meu irmão, se você consegue explicar sua escolha diante deste versículo, eu passo a concordar com você”. Eu não estava brincando. Na verdade, eu queria muito encontrar um espaço para não continuar naquela tensão. Eu queria muito não ser o opositor, o “estraga prazeres”. Houve momentos antes deste encontro que até mesmo orei para que Deus passasse de mim este cálice.

Este homem não era um herege, teoricamente não negava a autoridade bíblica, era membro da igreja, havia participado desta comunidade por muitos anos e era tido como um cristão sincero. Após ler mais uma vez o versículo, meu irmão pensou e respondeu: “O meu Jesus, a quem eu sigo e tenho amado todos estes anos, não diria isso aqui!”. E ele disse isso sabendo muito bem que o texto que eu apontava era um texto bíblico que confrontava diretamente o caminho que ele havia decidido seguir. Neste momento eu me dei conta que nós não seguíamos o mesmo Jesus.

Não podemos nos deixar levar pela tentação de produzir em nossas mentes um “Cristo” mais de acordo com nossas preferências, pelo simples fato de que este não será Jesus Cristo, Senhor e Salvador.

Em João 17.17, Jesus afirma: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. Assim, Jesus afirma que a Bíblia é a verdade. Essa é a visão que o próprio Cristo tinha da Palavra. Como pode então alguém afirmar que crê em Cristo, mas não na Palavra? É necessário perguntar em que “Cristo” esta pessoa crê? Quem afirma crer num Jesus que difere da revelação bíblica certamente, ou cria um Jesus que se adequa às suas perspectivas (homem criando deus...), ou afirma ter alguma outra revelação superior à própria Bíblia.

Paulo já enfrentou durante seu ministério pessoas que pregavam um outro evangelho. Reagindo com força a estes, ele escreve em Gálatas 1.6-9:

Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que pregamos a vocês, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém anuncia a vocês um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!

Em resumo, não podemos nos deixar levar pela tentação de produzir em nossas mentes um “Cristo” mais adequado, mais agradável, mais de acordo com nossas preferências, pelo simples fato de que este não será Jesus Cristo, Senhor e Salvador, mas apenas um ideal que anestesia nossas ansiedades. O próprio Paulo nos alerta contra isso em 1Coríntios 3.11: “Porque ninguém pode colocar outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo”.

Com isso eu preciso lhe perguntar: qual é o “seu” Cristo? Ele é o autor e consumador da tua fé (Hebreus 12.2)? Ele é o Cordeiro de Deus (João 1.29), a Luz do Mundo (João 8.12), o Bom Pastor (João 10.11), a Ressurreição e a Vida (João 11.25) e o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6)? Não siga um salvador feito sob encomenda para seus interesses, siga aquele que sustenta todas as coisas por sua palavra poderosa (Hebreus 1.3).

Minha oração é que você e eu possamos conhecer e continuar conhecendo o Jesus da Bíblia, o único que pode nos salvar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

QUAIS SÃO AS MARCAS DE UMA SEITA???


 

Quais são as marcas de uma seita?

Bobby Conway

Na cultura religiosamente eclética da atualidade, rotular um grupo como uma seita pode ofender algumas pessoas, mas ideias nunca mudaram de forma tão abundante como acontece atualmente. Vivemos numa cultura em que a informação está se multiplicando com muita velocidade, e não faltam alegações de falsas verdades neste mundo cheio de tantas ideias conflitantes.

Lidar com ensinos falsos não é algo novo. O apóstolo João escreve: “Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1João 4.1). Se a igreja primitiva precisava exercitar seu discernimento, quanto mais precisamos nós, dois mil anos depois? Aqui estão duas marcas simples para discernir no que diz respeito às seitas.

Se a igreja primitiva precisava exercitar seu discernimento, quanto mais precisamos nós, dois mil anos depois?

Uma seita pode ser marcada teologicamente. Isso é visto em sua rejeição de uma ou mais das principais doutrinas cristãs, ou em sua adesão a elas. Tipicamente, uma seita é marcada por revelação adicional, uma visão distorcida de Cristo, desconsideração do pecado original, desconstrução da Trindade, uma redefinição da graça e uma salvação com base em obras.

Uma seita pode ser marcada sociologicamente. Seitas são frequentemente lavagens cerebrais por um líder ultra-autoritário, como no trágico caso de David Koresh, o líder do Ramo Davidiano em Waco, Texas (EUA). Ou uma organização ultra-autoritária, como a Sociedade Torre de Vigia, que supervisiona o grupo sectário conhecido como Testemunhas de Jeová. Esses líderes e organizações criam uma divisão sociológica entre seus seguidores e o mundo, o que inevitavelmente promove o isolacionismo. Os líderes de seitas muitas vezes ditam o que seus seguidores devem acreditar, pensar, falar, sentir, comer, beber e até mesmo vestir. Algumas seitas são fáceis de identificar, enquanto outras são mais difíceis de serem detectadas pelas pessoas com menos discernimento.

Assinatura Digital

Para reconhecer uma seita, você primeiro deve estar enraizado teologicamente em sua própria fé. Certifique-se de ser um estudante da Escritura. Uma vez que esteja biblicamente fundamentado, compare o que os mórmons ou Testemunhas de Jeová dizem sobre Jesus, a Trindade, a salvação, a cruz, a eternidade, a Escritura e o pecado. Você perceberá que eles até podem usar o mesmo palavreado, mas suas crenças, quando contrastadas com o cristianismo, são totalmente diferentes.

Publicado com permissão do ministério The One Minute Apologist (disponível em: oneminuteapologist.com/what-are-the-marks-of-a-cult/).

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Bobby Conway é o fundador e apresentador do ministério One Minute Apologist, especializado em fornecer respostas rápidas e fundamentadas sobre a defesa da fé cristã. É mestre em teologia pelo Dallas Theological Seminary e doutor pelo Southern Evangelical Seminary na área de apologética. Casado com Heather, tem 2 filhos e vive no sul da Califórnia, onde leciona no Calvary Chapel Bible College. Autor do livro Duvidando em Direção à Fé, publicado no Brasil pela Chamada.

sábado, 19 de setembro de 2020

A GRANDE VERDADE


 

A Grande Verdade

Daniel Lima

A toda luz corresponde uma escuridão, já que escuridão é ausência de luz. Da mesma forma, cada mentira é a negação de uma verdade. Na semana passada falei sobre a Grande Mentira, que é essencialmente a distorção de quem é Deus e a sua substituição por qualquer coisa criada (Romanos 1.18-23). As consequências para quem acredita na Grande Mentira são a distorção do seu raciocínio e o escurecer de seus corações. Seguindo o argumento acima, a Grande Mentira nega a Grande Verdade.

A Grande Verdade não se resume apenas a uma declaração ou mesmo a várias afirmações. A Grande Verdade é uma pessoa: Jesus Cristo.

Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.” (João 14.6)

No entanto, simplesmente afirmar que Jesus é a verdade não descreve a nós a riqueza de informações e implicações por trás dessa declaração. Por isso eu te convido a me acompanhar enquanto analiso alguns dos conceitos fundamentais da passagem de Colossenses 1.15-23, para compreendermos melhor do que se trata a Grande Verdade.

No verso 15 Paulo declara que Jesus é a revelação, a imagem de Deus. Por isso, como Deus é a base de toda realidade, podemos dizer que ele é a própria verdade. Em uma conversa há alguns anos com um jovem que atravessava um momento delicado de decisão sobre sua vida, ele, após alguns momentos, reclamou: “Não dá pra conversar contigo Daniel... Você sempre volta pra Bíblia!”. Sei que isso era frustrante para ele e sua reclamação tinha um tom de acusação, mas eu me senti elogiado. “Realmente”, eu respondi, “já descobri há muito tempo que não posso confiar em mim mesmo para determinar o que é verdade e o que não é. Preciso de algo muito maior e mais seguro. Eu depositei minha fé em Jesus, conforme revelado na Bíblia.”

Nos versos 16-17 Paulo descreve características de Jesus como Criador. No verso 17 uma frase se destaca para mim: “... nele tudo subsiste”. O sentido dessa declaração é que nossa própria existência está baseada em Jesus. Ele segura os átomos da existência por sua vontade. Assim como um sonho ou imaginação nossa, caso Deus decidisse deixar de “pensar em nós”, deixaríamos de existir. É em sua atenção e em seu poder que reside nossa própria existência.

Nos versos 21-23a temos um explicação desta Grande Verdade. Vamos ler com cuidado para acompanharmos o argumento do apóstolo Paulo:

Antes vocês estavam separados de Deus e, na mente de vocês, eram inimigos por causa do mau procedimento de vocês. Mas agora ele os reconciliou pelo corpo físico de Cristo, mediante a morte, para apresentá-los diante dele santos, inculpáveis e livres de qualquer acusação, desde que continuem alicerçados e firmes na fé...

Primeiramente, lemos que éramos inimigos de Deus. Nós não éramos, nem somos, intrinsecamente bons. Essa verdade tem sido combatida pelo ser humano desde os primórdios. Diferentes ideologias e religiões têm declarado que somos bons, que o ser humano é puro, não tem pecado. De fato, a própria expressão pecado tem sido combatida e denunciada pela sociedade atual como opressiva, retrógrada e radical, até mesmo por pregadores ditos cristãos. No entanto, um aspecto fundamental da grande verdade é este: somos culpados! Se negarmos nossa culpa, se nos recusarmos a encarar nossos erros, a Grande Verdade não tem sentido. A própria morte de Cristo se torna inútil.

Se negarmos nossa culpa, se nos recusarmos a encarar nossos erros, a Grande Verdade não tem sentido.

O verso 22 indica que fomos reconciliados pelo corpo e morte de Cristo para então sermos apresentados santos e irrepreensíveis. Mais uma vez, a Grande Mentira procura negar que precisamos de reconciliação. Assim, afirmações de que Deus não está irado, de que ele não tem nada contra nós e de que na verdade todos seremos aceitos por ele devido ao seu amor abundam. Procura-se apresentar um Deus que ama e não tem princípios morais; tudo pode, basta “amar”, mesmo que a definição de “amar” seja em geral muito parecida com “o que me faz sentir bem”.


A Grande Verdade é que existe um Deus, que ele é todo poderoso e que nossa própria existência depende dele. Ao mesmo tempo, nós somos inimigos pelo nosso “mau procedimento” e precisamos desesperadamente de reconciliação com ele. Essa reconciliação não é como um indulto sem custo, pois exigiu a própria vida de Cristo. O ser humano só se torna inculpável, livre de qualquer acusação, a partir do momento em que reconhece este Deus Todo Poderoso, reconhece sua necessidade radical e se entrega em fé.

Em um mundo que se esforça tanto para promover a Grande Mentira e para sufocar a Grande Verdade, eu te convido a buscar mais e mais aquele que é a própria verdade. Oro para que a verdade tome mais e mais raiz na sua e na minha vida, e, como resultado, possamos refletir em nosso viver a imagem do Pai.


sábado, 12 de setembro de 2020

A GRANDE MENTIRA

 

A Grande Mentira

Daniel Lima

A vida parece ser feita em camadas. Conhecemos alguém e a primeira impressão pode nos atrair ou repelir. No entanto, com enorme frequência, ao conhecer melhor a pessoa podemos perceber camadas mais profundas que vão confirmar ou transformar nossa primeira impressão. Assim, alguém com quem não simpatizamos a princípio pode vir a ser nosso amigo mais fiel e íntimo. O mesmo ocorre em quase todas as áreas, por isso primeiras impressões podem ser tão enganosas.

O mesmo ocorre com nossas lutas espirituais. Um vício nunca se limita apenas ao prazer imediato que nos confere o objeto de nossa adicção. Por trás de toda dependência há um grande vazio emocional ou existencial que cada um procura preencher como pode. E por trás desse vazio há crenças e posturas que permitem que ele continue a exercer sua influência em nossa vida. Acerca disso, as palavras de C. S. Lewis são tão esclarecedoras:

Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo.[1]

Nesse sentido, uma mentira existe como fundamento de todo conflito humano. Podemos chamá-la de “A Grande Mentira”. Um resumo básico seria: Deus é soberano e bom, mas eu nego isso e tento encontrar meu próprio caminho. Sua primeira versão neste mundo foi aquela apresentada pela serpente no jardim do Éden, mas percebo Paulo falando da mesma estratégia satânica em Romanos 1.18-23. Vamos tentar explicitar o que é essa grande mentira e, desde já, eu desafio cada leitor a examinar seu próprio coração e analisar de que modo essa mentira tem afetado sua caminhada com Jesus.

Os versos 16 e 17 do mesmo capítulo fazem um resumo do próprio evangelho. O verso 18 começa com a palavra “portanto”, ou seja, vai descrever a base do próprio evangelho:

Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça.

O evangelho se faz necessário, pois a ira de Deus não só existe, mas é demonstrada, apresentada contra toda impiedade e injustiça. Vivemos numa época em que ira é algo sempre negativo ou errado. Assim, hoje muitos cristãos negam ou rejeitam a ideia de que Deus pode se irar. No entanto, a Bíblia contém inúmeras referências à ira de Deus. Podemos ter certeza de que é uma ira santa e justa e não meramente uma explosão de raiva. E a ira de Deus se manifesta contra duas grandes áreas: impiedade (rebelião contra Deus) e injustiça (exploração do próximo). Não deveria nos surpreender que a ira de Deus se manifesta contra o que Jesus ensina como o resumo da lei: amarás a teu Deus e ao teu próximo (ver Mateus 22.36-40).

Paulo explica não só contra o que a ira de Deus se manifesta, mas contra quem: “... homens que suprimem a verdade pela injustiça”. Agora nossa atenção é arrastada para o que esses homens (assim como você e eu) fizeram – em resumo, uma camada mais profunda. Eles não só se rebelaram contra Deus e exploraram o próximo; o fundamento dessas atitudes é que eles suprimiram (esconderam, enterraram, negaram, afogaram) a verdade debaixo da injustiça.


Adão e Eva aceitaram a mentira de que havia uma plano melhor. Eles enterraram a verdade de Deus – de que foram feitos à imagem deste Deus e de que Deus tinha o bem-estar deles em mente – pela injustiça de que a desobediência era um caminho melhor... Se refletirmos um pouco, todo pecado se resume à mesma atitude. Deus se manifesta, se revela, se apresenta, mas eu sufoco essa verdade por algo que eu acho melhor. Ao continuar seu argumento em Romanos 1.21-23, Paulo apresenta algumas consequências desta atitude:

Porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis.

Vamos olhar com um pouco mais de atenção estas consequências:

  1. Seus pensamentos tornaram-se fúteis. Ao negar a verdade, preciso elaborar alguma mentira, alguma distorção para “completar” o quadro. Com isso meus pensamentos ficam comprometidos; por mais cativantes que sejam, são distorcidos e, em última análise, falsos.

  2. Corações insensatos se obscureceram. Coração nos escritos de Paulo é tanto a sede da mente como das emoções e da vontade. Tudo isso fica obscurecido. Não significa que tudo fica errado, mas que todos os aspectos ficam comprometidos, distorcidos. Não podemos perceber a solução devido à escuridão de nossas almas, devido ao fato de que já negamos a verdadeira solução.

  3. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. Por isso, como insanos, procuramos uma solução onde não existe, pois nos recusamos a reconhecer a verdade.

  4. Passaram a adorar a criação e não o Criador. Fomos feitos para buscar fora de nós as respostas para a vida. Assim, tendo negado a priori a única resposta, precisamos fantasiar, imaginar para nós soluções falsas.

O texto de Paulo descreve a situação de um não convertido. Contudo, reconheço em minha vida e na vida de vários cristãos atitudes que expressam traços dessa grande mentira. São momentos em que eu me recuso a reconhecer a verdade de Deus e “invento” para mim uma outra explicação, que no fundo, no fundo, pela orientação do Espírito Santo, eu sei que não é verdade. Assim, oro, por você e por mim, para que o evangelho tenha seu impacto completo e contínuo em minha vida e na sua e que possamos identificar, nos arrepender e resistir à Grande Mentira.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

COMO NOS TEMPOS DE NOÉ

 

JESUS VOLTARÁ E AS PESSOAS IRÃO SE ARREPENDER PORQUE NÃO DARÁ TEMPO MAIS DE SE SALVAR; NÓS AVISAMOS DIARIAMENTE PARA ESSE EVENTO, MAS COMO NOS TEMPOS DE NOÉ, A  MAIORIA NÃO ACREDITA MESMO SABENDO QUE UM DIA VEM O ARREPENDIMENTO.

JESUS: ALFA E ÔMEGA

 

Jesus: Alfa e Ômega

Norbert Lieth

Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todos os povos da terra se lamentarão por causa dele. Assim será! Amém. ‘Eu sou o Alfa e o Ômega’, diz o Senhor Deus, ‘o que é, o que era e o que há de vir, o Todo-poderoso’” (Apocalipse 1.7-8).

Terceira afirmação: Jesus é o alfa e o ômega

O alfa e o ômega são a primeira e a última letras do alfabeto grego, respectivamente. Com isso Jesus diz é que ele é quem falou a primeira palavra da história mundial e que ele também falará a última.

Assim, quando lemos na primeira página da Bíblia: “Disse Deus: Haja...”, vemos que foi Jesus Cristo. Ele é a segunda pessoa da Trindade não criada. A definição da Bíblia a respeito da pessoa de Jesus é descrita da seguinte forma: “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens” (João 1.1-4).

Quando lemos aqui que “aquele que é a Palavra... era Deus”, e, ao lermos sobre a volta de Jesus no livro de Apocalipse, “Vi os céus abertos... e o seu nome é Palavra de Deus” (Apocalipse 19.11,13), então isso igualmente comprova que Jesus também é Deus. Ele estava presente na criação. Por intermédio dele foram feitas todas as coisas. Ele falou as primeiras palavras para a fundação do mundo e ele também falará a última palavra.

Teologia Pra Vida

A palavra final não está com os grandes políticos deste mundo, por mais poderosas que suas afirmações possam soar. Não é o que as pessoas afirmam e afirmavam que permanecerá no final, por mais pretensioso que possa soar. Não são os grandes pensadores e poetas que terão razão, por mais sábios que possam soar. Não, Jesus Cristo dirá a última palavra, tanto a respeito deste mundo quanto a respeito das nações e também sobre cada pessoa, individualmente. Sua Palavra continuará soando na eternidade e nunca perderá seu significado. Por isso, é conveniente obedecer a ele. As grandes coisas deste mundo se vão, mas Jesus Cristo voltará!

Série As Cinco Afirmações Mais Impressionantes Já Feitas

  1. As Cinco Afirmações Mais Impressionantes Já Feitas
  2. Todos o Verão Quando Ele Voltar
  3. Todos os Povos da Terra se Abalarão Quando Ele Voltar
  4. Jesus: Alfa e Ômega
  5. Jesus É, Era e Há de Vir

quinta-feira, 11 de junho de 2020

ESPERANÇA

Esperança

Samuel Rindlisbacher
A esperança é uma das características básicas da vida humana e está indiscutivelmente ligada ao ser humano. Assim, o náufrago tem esperança de salvamento, o enfermo de cura, o prisioneiro de liberdade e o idoso de mais tempo de vida. É a esperança que leva milhares de pessoas a semanalmente preencherem novos talões de apostas, para que a deusa da felicidade “Fortuna” derrame sua fonte de riqueza sobre elas. Sim, o apaixonado que foi rejeitado, mesmo contra todas as evidências, tem a esperança de um final feliz!
A esperança faz parte do ser humano. A esperança é um sinal da existência humana, mas também da imperfeição da vida humana. Ali onde não há mais esperança resta apenas a morte ou a realização. Assim, a esperança é igual à respiração da alma. Se esta nos é tirada, surge o desespero que leva à falta de esperança e de sentido da vida.
Conviccoes Cristas - Seu Ritmo
Vista sob a ótica cristã, a esperança é um dos pontos mais centrais da fé: “Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor” (1Co 13.13). Nesse sentido, a esperança se apoia nas promessas de Deus em sua Palavra. Por meio dessa Palavra temos o apoio, sim, o “ânimo para mantermos a esperança” (Rm 15.4, NVT). O acontecimento na cruz do Gólgota é a base para essa esperança cristã, “pois nessa esperança fomos salvos” (Rm 8.24a). Essa esperança nos é concedida por meio da habitação do Espírito Santo em nós: “Pois é mediante o Espírito que nós aguardamos pela fé a justiça, que é a nossa esperança” (Gl 5.5).
“Todavia, de acordo com a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, onde habita a justiça.”
Todavia, essa esperança não se limita apenas a este mundo, pois está escrito: “Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de compaixão” (1Co 15.19). Mais do que isso, ela se estende para além do que é visível neste mundo – para o futuro mundo de Deus: “Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus trará, mediante Jesus e com ele, aqueles que nele dormiram” (1Ts 4.13- 14). A esperança se nutre também a partir de um outro mundo. De um mundo onde habita a justiça! “Todavia, de acordo com a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, onde habita a justiça” (2Pe 3.13). Mas com isso a esperança não exclui as dificuldades da vida cotidiana; sim, ela não exclui tentações, problemas, dúvidas nem medos. Em tudo, porém, a esperança dirige o olhar para além de tudo isso e conta com o auxílio e com a intervenção de Deus! É o que lemos: “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu” (Rm 5.5).
A esperança dirige nosso olhar para o céu na expectativa do auxílio e da intervenção de Deus. Ao mesmo tempo, a esperança também está “ligada à terra”, pois ela abre nosso olhar para o vizinho, o próximo ao nosso redor, pois a esperança quer que também estes participem dessa esperança que nos foi concedida, conforme diz o apóstolo Pedro: “Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que pedir a razão da esperança que há em vocês” (1Pe 3.15b).
Assim, a esperança proporciona consolo na tribulação, ânimo em situações sem perspectiva, enxuga lágrimas e sara feridas. Além disso, a esperança dirige nosso olhar para o céu, na expectativa da salvação vindoura, nos concede luz na escuridão, confiança na enfermidade e portas abertas para o próximo. Acima de tudo, a esperança é uma âncora que, nos vendavais de nosso tempo, nos fixa na eternidade. Não é à toa que se diz: “Enquanto eu respiro, eu tenho esperança”, e: “A esperança é a última que morre!”.
Por isso, depositemos nossa esperança naquele do qual a Bíblia diz: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre” (Hb 13.8). Essa esperança nunca será desapontada!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

PODEMOS ADAPTAR A BÍBLIA AOS NOSSOS GOSTOS?

Podemos adaptar a Bíblia aos nossos gostos?

Bobby Conway
“Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua lei e a ela obedeça de todo o coração” (Salmo 119.34).
Com relação à Bíblia, vivemos em uma cultura de buffet, onde as pessoas selecionam e escolhem o que gostam e desconsideram o que desgostam. No entanto, não podemos mastigar a carne e jogar fora os ossos quando se trata da Palavra de Deus. Não temos o direito de evitar ou mudar alguma coisa para encaixá-la nos nossos gostos.
Se você lê a Bíblia há mais tempo, certamente já se deparou com uma passagem que foi difícil de digerir. Pode ter sido uma passagem sobre o pecado, arrependimento, condenação, sofrimento, ira ou mesmo sobre o inferno. Aqui está a chave: se no fundo do nosso coração tivermos um desgosto por algo da Palavra de Deus, tal como a doutrina do pecado, não temos o direito de modificar a Bíblia para torná-lo mais digerível. Nosso dever é o de nos alinharmos com a Palavra de Deus, e não alinhá-la às nossas preferências. Nossa obrigação é perguntar: “O que diz a Bíblia?”, e não: “O que eu quero dizer?”.
Nosso dever é o de nos alinharmos com a Palavra de Deus, e não alinhá-la às nossas preferências.
Quando algo na Palavra de Deus não é nada saboroso para nós, precisamos compreender que o problema somos nós, não Deus. Nossa responsabilidade não é a de modificar a Deus (ele é imutável) ou criar um Deus de acordo com a nossa imaginação, mas examinar nosso coração para descobrir o porquê de estarmos resistindo à sua Palavra. Quando nossas emoções entram em conflito com a verdade teológica, precisamos resistir à tentação de diluir as Escrituras para acalmar nossas emoções. Ao invés disso, precisamos ver nisso algo ligado à santificação e nos perguntar: “Por que as minhas emoções resistem a essa verdade teológica?”.
A resposta muitas vezes será bastante reveladora.
Na próxima vez em que você lutar para aceitar uma porção da Escritura, pergunte a si mesmo: “Lá no fundo, eu tenho dificuldades com a justiça de Deus? Eu perdi a visão da incompreensível santidade de Deus? Fiquei cego para a profundidade da minha própria depravação? Eu creio que Deus é simultaneamente justo e amoroso?”.
Lembre-se de que são as porções difíceis que muitas vezes revelam os problemas do nosso coração. Muitas vezes as coisas contra as quais mais lutamos são as que revelam as falhas de caráter escondidas que combatemos mais intensamente. Por fim, o que importa é confiar. Confiamos na natureza de Deus e cremos que ele é bom? Se for assim, isso poderá nos ajudar a passarmos confiadamente pelas porções não tão saborosas das Escrituras.
Publicado com permissão do ministério The One Minute Apologist (disponível em: https://oneminuteapologist.com/can-we-adapt-the-bible-to-our-tastes/).

terça-feira, 2 de junho de 2020

RESSURREIÇÃO: FATO OU FICÇÃO?



Ressurreição: Fato ou Ficção?

Bobby Conway
Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver o lugar onde ele jazia.” (Mateus 28.6)
Após o primeiro domingo de Páscoa, não demorou muito para que as pessoas criassem afirmações falsas buscando desacreditar a ressurreição de Jesus Cristo. Elas sabiam que o cristianismo desmoronaria se conseguissem lançar sementes de dúvida sobre a ressurreição. De fato, Paulo escreve: “E, se Cristo não ressuscitou, inútil é a fé que vocês têm, e ainda estão em seus pecados” (1Coríntios 15.17).
Aqui estão algumas teorias que críticos da ressurreição procuraram promover:
O corpo de Jesus foi roubado. Essa foi a primeira teoria proposta. Porém, se o corpo de Jesus realmente tivesse sido roubado, você não acha que os ladrões iriam mostrar o corpo quando os discípulos começaram a dizer “ele ressuscitou”? Eles iriam acabar com o blefe dos discípulos. Definitivamente. E se os discípulos tivessem roubado o corpo – argumento utilizado pelos líderes judeus (Mateus 28.11-15) – você acha que eles morreriam como mártires por uma farsa? É claro que não. Como já foi dito: “Muitos morrem por algo que acreditam ser verdade, mas ninguém morre por algo que acredita ser mentira”.
As pessoas estavam tendo alucinações. Escarnecedores dizem que as testemunhas que alegaram ver Jesus após a sua morte deveriam estar alucinando. No entanto, após a sua ressurreição, Jesus apareceu a um grande número de pessoas em diversas ocasiões diferentes; e, em certa ocasião, ele apareceu para mais de 500 pessoas de uma só vez (1Coríntios 15.3-8). Agora, em meus dias festeiros pré-Jesus, eu entendia o que era uma alucinação, e posso dizer a você que 500 pessoas não alucinam dessa forma. Elas viram algo. Elas viram ELE. Vivo.
Jesus desmaiou. Popularizada no século dezoito, essa teoria sugere que Jesus não morreu de fato na cruz, mas que meramente desmaiou. Depois, uma vez dentro do túmulo, sua consciência retornou e ele mesmo retirou a pedra da entrada. Mas pense comigo: Jesus havia sido tão severamente flagelado que precisou da ajuda de Simão de Cirene para carregar sua cruz (Lucas 23.26). Sua cabeça tinha múltiplas feridas pela coroa de espinhos, seus pulsos e tornozelos tinham sido pregados na cruz e ele recebeu um corte lateral. Depois de ter sido retirado da cruz, seu corpo ainda foi enrolado em cerca de 34 quilos de linho. Você acha que Jesus conseguiria retomar sua consciência, desembrulhar-se e mover a pesada pedra do caminho?
O fato é... Jesus está vivo. Às vezes é mais fácil acreditar nos fatos do que criar ficções. Então prossiga; coloque sua cabeça para dentro do túmulo. Você verá que ela está vazia e que o Jesus vivo está pronto para mudar a sua vida. Hoje.