quinta-feira, 11 de junho de 2020

ESPERANÇA

Esperança

Samuel Rindlisbacher
A esperança é uma das características básicas da vida humana e está indiscutivelmente ligada ao ser humano. Assim, o náufrago tem esperança de salvamento, o enfermo de cura, o prisioneiro de liberdade e o idoso de mais tempo de vida. É a esperança que leva milhares de pessoas a semanalmente preencherem novos talões de apostas, para que a deusa da felicidade “Fortuna” derrame sua fonte de riqueza sobre elas. Sim, o apaixonado que foi rejeitado, mesmo contra todas as evidências, tem a esperança de um final feliz!
A esperança faz parte do ser humano. A esperança é um sinal da existência humana, mas também da imperfeição da vida humana. Ali onde não há mais esperança resta apenas a morte ou a realização. Assim, a esperança é igual à respiração da alma. Se esta nos é tirada, surge o desespero que leva à falta de esperança e de sentido da vida.
Conviccoes Cristas - Seu Ritmo
Vista sob a ótica cristã, a esperança é um dos pontos mais centrais da fé: “Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor” (1Co 13.13). Nesse sentido, a esperança se apoia nas promessas de Deus em sua Palavra. Por meio dessa Palavra temos o apoio, sim, o “ânimo para mantermos a esperança” (Rm 15.4, NVT). O acontecimento na cruz do Gólgota é a base para essa esperança cristã, “pois nessa esperança fomos salvos” (Rm 8.24a). Essa esperança nos é concedida por meio da habitação do Espírito Santo em nós: “Pois é mediante o Espírito que nós aguardamos pela fé a justiça, que é a nossa esperança” (Gl 5.5).
“Todavia, de acordo com a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, onde habita a justiça.”
Todavia, essa esperança não se limita apenas a este mundo, pois está escrito: “Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de compaixão” (1Co 15.19). Mais do que isso, ela se estende para além do que é visível neste mundo – para o futuro mundo de Deus: “Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus trará, mediante Jesus e com ele, aqueles que nele dormiram” (1Ts 4.13- 14). A esperança se nutre também a partir de um outro mundo. De um mundo onde habita a justiça! “Todavia, de acordo com a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, onde habita a justiça” (2Pe 3.13). Mas com isso a esperança não exclui as dificuldades da vida cotidiana; sim, ela não exclui tentações, problemas, dúvidas nem medos. Em tudo, porém, a esperança dirige o olhar para além de tudo isso e conta com o auxílio e com a intervenção de Deus! É o que lemos: “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu” (Rm 5.5).
A esperança dirige nosso olhar para o céu na expectativa do auxílio e da intervenção de Deus. Ao mesmo tempo, a esperança também está “ligada à terra”, pois ela abre nosso olhar para o vizinho, o próximo ao nosso redor, pois a esperança quer que também estes participem dessa esperança que nos foi concedida, conforme diz o apóstolo Pedro: “Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que pedir a razão da esperança que há em vocês” (1Pe 3.15b).
Assim, a esperança proporciona consolo na tribulação, ânimo em situações sem perspectiva, enxuga lágrimas e sara feridas. Além disso, a esperança dirige nosso olhar para o céu, na expectativa da salvação vindoura, nos concede luz na escuridão, confiança na enfermidade e portas abertas para o próximo. Acima de tudo, a esperança é uma âncora que, nos vendavais de nosso tempo, nos fixa na eternidade. Não é à toa que se diz: “Enquanto eu respiro, eu tenho esperança”, e: “A esperança é a última que morre!”.
Por isso, depositemos nossa esperança naquele do qual a Bíblia diz: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre” (Hb 13.8). Essa esperança nunca será desapontada!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

PODEMOS ADAPTAR A BÍBLIA AOS NOSSOS GOSTOS?

Podemos adaptar a Bíblia aos nossos gostos?

Bobby Conway
“Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua lei e a ela obedeça de todo o coração” (Salmo 119.34).
Com relação à Bíblia, vivemos em uma cultura de buffet, onde as pessoas selecionam e escolhem o que gostam e desconsideram o que desgostam. No entanto, não podemos mastigar a carne e jogar fora os ossos quando se trata da Palavra de Deus. Não temos o direito de evitar ou mudar alguma coisa para encaixá-la nos nossos gostos.
Se você lê a Bíblia há mais tempo, certamente já se deparou com uma passagem que foi difícil de digerir. Pode ter sido uma passagem sobre o pecado, arrependimento, condenação, sofrimento, ira ou mesmo sobre o inferno. Aqui está a chave: se no fundo do nosso coração tivermos um desgosto por algo da Palavra de Deus, tal como a doutrina do pecado, não temos o direito de modificar a Bíblia para torná-lo mais digerível. Nosso dever é o de nos alinharmos com a Palavra de Deus, e não alinhá-la às nossas preferências. Nossa obrigação é perguntar: “O que diz a Bíblia?”, e não: “O que eu quero dizer?”.
Nosso dever é o de nos alinharmos com a Palavra de Deus, e não alinhá-la às nossas preferências.
Quando algo na Palavra de Deus não é nada saboroso para nós, precisamos compreender que o problema somos nós, não Deus. Nossa responsabilidade não é a de modificar a Deus (ele é imutável) ou criar um Deus de acordo com a nossa imaginação, mas examinar nosso coração para descobrir o porquê de estarmos resistindo à sua Palavra. Quando nossas emoções entram em conflito com a verdade teológica, precisamos resistir à tentação de diluir as Escrituras para acalmar nossas emoções. Ao invés disso, precisamos ver nisso algo ligado à santificação e nos perguntar: “Por que as minhas emoções resistem a essa verdade teológica?”.
A resposta muitas vezes será bastante reveladora.
Na próxima vez em que você lutar para aceitar uma porção da Escritura, pergunte a si mesmo: “Lá no fundo, eu tenho dificuldades com a justiça de Deus? Eu perdi a visão da incompreensível santidade de Deus? Fiquei cego para a profundidade da minha própria depravação? Eu creio que Deus é simultaneamente justo e amoroso?”.
Lembre-se de que são as porções difíceis que muitas vezes revelam os problemas do nosso coração. Muitas vezes as coisas contra as quais mais lutamos são as que revelam as falhas de caráter escondidas que combatemos mais intensamente. Por fim, o que importa é confiar. Confiamos na natureza de Deus e cremos que ele é bom? Se for assim, isso poderá nos ajudar a passarmos confiadamente pelas porções não tão saborosas das Escrituras.
Publicado com permissão do ministério The One Minute Apologist (disponível em: https://oneminuteapologist.com/can-we-adapt-the-bible-to-our-tastes/).

terça-feira, 2 de junho de 2020

RESSURREIÇÃO: FATO OU FICÇÃO?



Ressurreição: Fato ou Ficção?

Bobby Conway
Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver o lugar onde ele jazia.” (Mateus 28.6)
Após o primeiro domingo de Páscoa, não demorou muito para que as pessoas criassem afirmações falsas buscando desacreditar a ressurreição de Jesus Cristo. Elas sabiam que o cristianismo desmoronaria se conseguissem lançar sementes de dúvida sobre a ressurreição. De fato, Paulo escreve: “E, se Cristo não ressuscitou, inútil é a fé que vocês têm, e ainda estão em seus pecados” (1Coríntios 15.17).
Aqui estão algumas teorias que críticos da ressurreição procuraram promover:
O corpo de Jesus foi roubado. Essa foi a primeira teoria proposta. Porém, se o corpo de Jesus realmente tivesse sido roubado, você não acha que os ladrões iriam mostrar o corpo quando os discípulos começaram a dizer “ele ressuscitou”? Eles iriam acabar com o blefe dos discípulos. Definitivamente. E se os discípulos tivessem roubado o corpo – argumento utilizado pelos líderes judeus (Mateus 28.11-15) – você acha que eles morreriam como mártires por uma farsa? É claro que não. Como já foi dito: “Muitos morrem por algo que acreditam ser verdade, mas ninguém morre por algo que acredita ser mentira”.
As pessoas estavam tendo alucinações. Escarnecedores dizem que as testemunhas que alegaram ver Jesus após a sua morte deveriam estar alucinando. No entanto, após a sua ressurreição, Jesus apareceu a um grande número de pessoas em diversas ocasiões diferentes; e, em certa ocasião, ele apareceu para mais de 500 pessoas de uma só vez (1Coríntios 15.3-8). Agora, em meus dias festeiros pré-Jesus, eu entendia o que era uma alucinação, e posso dizer a você que 500 pessoas não alucinam dessa forma. Elas viram algo. Elas viram ELE. Vivo.
Jesus desmaiou. Popularizada no século dezoito, essa teoria sugere que Jesus não morreu de fato na cruz, mas que meramente desmaiou. Depois, uma vez dentro do túmulo, sua consciência retornou e ele mesmo retirou a pedra da entrada. Mas pense comigo: Jesus havia sido tão severamente flagelado que precisou da ajuda de Simão de Cirene para carregar sua cruz (Lucas 23.26). Sua cabeça tinha múltiplas feridas pela coroa de espinhos, seus pulsos e tornozelos tinham sido pregados na cruz e ele recebeu um corte lateral. Depois de ter sido retirado da cruz, seu corpo ainda foi enrolado em cerca de 34 quilos de linho. Você acha que Jesus conseguiria retomar sua consciência, desembrulhar-se e mover a pesada pedra do caminho?
O fato é... Jesus está vivo. Às vezes é mais fácil acreditar nos fatos do que criar ficções. Então prossiga; coloque sua cabeça para dentro do túmulo. Você verá que ela está vazia e que o Jesus vivo está pronto para mudar a sua vida. Hoje.

TEMPO E REALIDADE

Tempo e a nova realidade

Daniel Lima
Somos criaturas de hábito. Lutamos com algumas circunstâncias até atingirmos um ponto de relativo equilíbrio que nos satisfaça. Uma vez ali, fincamos os pés (ainda que façamos ensaios de avanço) e queremos garantir as conquistas. Com isso nos acostumamos com o status quo, com as coisas como elas são, com nosso jeito de fazer as coisas. Até que o status quo não exista, as coisas como são não sejam e nosso jeito não dê mais jeito!
A mente humana busca repetir o que tem dado certo para poupar energia. E isso é bom. Só não pode nos escravizar e nos impedir de perceber a realidade ao nosso redor. Um lado positivo de toda crise é a revisão de todos os nossos hábitos. Tenho conversado com várias pessoas que descobriram maneiras mais ágeis e fáceis de fazer coisas; modos de trabalhar, conversar e ministrar que não teriam considerado antes da crise.
A mudança mais aguda nestes tempos de quarentena é com relação ao uso do nosso tempo. Não só muitos têm ficado ociosos por falta de oportunidade de trabalho, como muitos que começaram a trabalhar de casa estão descobrindo quanto tempo gastavam em deslocamentos. Como temos usado esse tempo a mais? O modo como lidávamos com o tempo não volta mais. Uma nova forma de lidar com o tempo se faz necessária.
Apesar da enxurrada de recursos cristãos sendo oferecidos, ainda tenho encontrado mais proximidade de Deus em um tempo a sós com um caderno, uma caneta e minha Bíblia.
Muitos têm falado que o mundo não voltará a ser como era. Há algumas mudanças que devem se perpetuar mesmo após a pandemia. Pode haver exagero, mas tenho certeza de que o ambiente de trabalho, o sistema de estudos, algumas relações comerciais e mesmo sociais certamente mudarão. O que você acha que deve ser preservado em sua vida? O que será que vai mudar? E, se mudar, como preservar os absolutos enquanto nos adaptamos?
Eu sou levado a considerar as palavras do apóstolo Paulo em Efésios 5.15-16:
Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus.
Somos chamados a viver como sábios durante a pandemia e depois desta. Não sabemos ao certo tudo que vai mudar, mas a expressão de Paulo “aproveitando ao máximo cada oportunidade” me inspira e desafia. Deixe-me, com muito temor e tremor, compartilhar alguns princípios para considerarmos enquanto examinamos como aproveitar (e não só lamentar) as mudanças que estão sobre nós:
  • Tempo de trabalho. Paulo nos exorta a termos cuidado, ou seja, não é algo que vai acontecer por acaso, é necessário intencionalidade. Muitos de nós vamos mudar nosso ritmo de trabalho. Com isso, podemos aproveitar e priorizar como vamos usar nosso tempo. Talvez você consiga concentrar seu trabalho mais cedo, ou mais tarde, para investir um período maior em família e com amigos. Vários de nós vamos migrar para o “home office” e não teremos mais o tempo de deslocamento. Enquanto alguns vão aproveitar esse tempo a mais para o que priorizam, outros vão simplesmente trabalhar por mais tempo.
  • Tempo em família e com amigos. Costumávamos reclamar que não tínhamos tempo para conversar em família ou com amigos. As possibilidades virtuais (para quem as tem) têm aberto novas possibilidades. Recentemente me reconectei com um amigo com quem não falava há cerca de 20 anos! Ainda nesta semana recebi um contato de outro amigo que me encorajou tremendamente. Pessoalmente eu sinto falta do encontro cara a cara, mas tenho sido muito abençoado por encontros virtuais. Quero estar aberto e atento a estas novas oportunidades.
  • Tempo com Deus. O motivo mais frequentemente usado para não investir numa vida devocional vibrante é “falta de tempo”. A quarentena tem forçosamente mudado nosso ritmo. Se não formos sábios, em pouco tempo estaremos “correndo” ainda mais. Precisamos explorar e investir em momentos e maneiras de nos conectarmos com Deus. Pessoalmente, apesar da enxurrada de recursos cristãos sendo oferecidos (com a melhor das intenções), ainda tenho encontrado mais proximidade de Deus em um tempo a sós com um caderno, uma caneta e minha Bíblia. Mas a disponibilidade de acesso tem me empurrado a estar permanentemente conectado.
  • Tempo para servir pessoas. Sem dúvida, nada substitui um momento pessoal em que podemos servir alguém presencialmente. No entanto, essas linhas estão ficando cada vez mais difusas. Para a nova geração, um relacionamento virtual é tão significativo quanto um relacionamento presencial, e muitas vezes gera menos ansiedade. De que forma podemos ministrar uns aos outros nos encorajando, ouvindo e compartilhando por meios virtuais? De que forma podemos ultrapassar a barreira do fake e sermos reais na mídia?
Essas são apenas algumas reflexões sobre o tempo. Quero estar pronto a tempo e fora de tempo para compartilhar da esperança que habita em mim (ver 2Timóteo 4.21Pedro 3.15). Minha oração é que você, eu e toda a igreja do Senhor Jesus saiba estar presente neste mundo, mesmo com tantas mudanças.