sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

HISTÓRIA DO NASCIMENTO DE JESUS


 

A História do Nascimento de Jesus

Thomas Lieth

A Bíblia contém dois relatos do nascimento do Senhor Jesus – nos evangelhos de Mateus e de Lucas. Se compararmos esses dois relatos, nota-se que não coincidem plenamente, o que, afinal, não deixa de ter sua lógica; caso contrário, bastaria um único relato. Assim, Mateus escreve em seu evangelho sobre pontos que Lucas não menciona, e vice-versa.

Meu objetivo aqui será então combinar os relatos dos evangelhos de Mateus e de Lucas para apresentar um decurso possível da história do Natal.

Visitas Angelicais aos Pais

Comecemos com o anúncio do nascimento do Senhor Jesus no evangelho de Lucas: “No sexto mês Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galileia, a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria” (Lucas 1.26-27).

Lucas confirma que Maria vivia em Nazaré e que ali o anjo apareceu a ela. Este foi o primeiro acontecimento: Maria recebe em Nazaré o anúncio do nascimento do Senhor Jesus ainda antes de engravidar, pois a continuação do texto diz: “Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus” (Lucas 1.31).

Quando o anjo lhe apareceu, Maria ainda não estava grávida, mas então, tendo em vista sua confiança em Deus e sua declaração ao dizer: “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra” (v. 38), o Espírito Santo veio sobre Maria e ela engravidou.

Em seguida, um anjo apresentou-se a José a respeito disso num momento em que Maria já estava grávida, conforme se lê no evangelho de Mateus – uma vez que Lucas não cita José, totalmente atropelado pela ocorrência: “Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: ‘José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo’” (Mateus 1.18-20).

O fato de que José “pretendia anular o casamento secretamente” significa que de algum modo e em algum momento ele havia descoberto a gravidez da sua noiva, e só depois disso é que também apareceu um anjo a ele. Essa circunstância permite supor que a visita de Maria a Isabel – que somente Lucas relata – tenha ocorrido quando José ainda não sabia nada da gravidez.

Portanto, poderá ter ocorrido o seguinte: Maria recebe o anúncio do nascimento: “Você ficará grávida”. Após sua resposta “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra”, ela engravida. Segue-se então sua visita a Isabel (Lucas 1.39-56), e o versículo 56 termina dizendo: “Maria ficou com Isabel cerca de três meses e depois voltou para casa”. Ou seja, Maria retorna a Nazaré grávida de três meses e não sabe como o seu ingênuo noivo reagirá a essa situação... correndo mesmo o risco de talvez ser apedrejada como prostituta e adúltera ou, no mínimo, ser repudiada. Enquanto, então, José decide chocado separar-se de Maria, o anjo lhe aparece com as palavras: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o quer nela foi gerado procede do Espírito Santo” (Mateus 1.20b). Este é o segundo acontecimento: um anjo também anuncia a José, em Nazaré, o iminente nascimento do Senhor Jesus.

O nascimento do Senhor Jesus ocorreu em Belém, exatamente como Deus quis e como havia sido predito pelos profetas.

Com isso já chegamos ao nascimento propriamente dito do Senhor Jesus. – E onde ele nasceu? “É claro que em Nazaré – é evidente!” Mas não: quem crê isso, nunca esteve presente num culto natalino, e talvez até suponha que Pôncio tenha sido o irmão de Pilatos. O nascimento do Senhor Jesus ocorreu em Belém, exatamente como Deus quis e como havia sido predito pelos profetas.

O Nascimento de Jesus

Com isso, deixamos Nazaré temporariamente e vamos a Belém. Este é o terceiro acontecimento: o nascimento do Senhor Jesus em Belém. Lucas explica-nos então como foi que isso aconteceu: “Naqueles dias, César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano. Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. E todos iam para a sua cidade natal, a fim de alistar-se. Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galileia para a Judeia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi. Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho. Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2.1-7).

Maria e José são forçados a deixar Nazaré e viajar a Belém. É uma distância de aproximadamente 130 quilômetros, em parte através de regiões montanhosas. Não é sem motivo que o texto informa que “subi[ram] da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia” (Lucas 2.4, BKJ). Não foi um passeio plano, e com tudo isso não devemos esquecer que Maria estava em estado adiantado de gravidez quando empreendeu com José essa longa jornada. Devem ter viajado por mais ou menos um semana e, considerando as circunstâncias e as dificuldades da viagem, não teria sido incomum que Maria já tivesse dado à luz a criança quando ainda estavam a caminho. Nesse caso, o Salvador do mundo não teria nascido nem em Nazaré nem em Belém, mas em algum lugar intermediário. Deus, porém, proveu que o parto só ocorresse quando Maria e José chegassem a Belém, encontrando finalmente uma pousada, exatamente segundo a predição de Miqueias 5.2: “Mas tu, Belém-Efrata, embora pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel...”.

Maria e José são forçados a deixar Nazaré e viajar a Belém. É uma distância de aproximadamente 130 quilômetros, em parte através de regiões montanhosas.

Na mesma noite do nascimento do Senhor Jesus, um anjo aparece aos pastores no campo: “Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos. E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor resplandeceu ao redor deles; e ficaram aterrorizados. Mas o anjo lhes disse: ‘Não tenham medo. Estou trazendo boas-novas de grande alegria para vocês, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor’. Então correram para lá e encontraram Maria e José e o bebê deitado na manjedoura” (Lucas 2.8-11,16). Este é o quarto acontecimento: os pastores junto à manjedoura.

Até aqui, tudo parece encaixar-se bem, mesmo porque Lucas nos fornece um belo quadro cronológico. Porém, como já vimos, Lucas não dá um relato completo, mas deixa a palavra com Mateus para completar aquilo que ele omite. Assim ocorre, por exemplo, o evento com os chamados magos do oriente. Voltemos ao evangelho de Mateus: “Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: ‘Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo’” (Mateus 2.1-2). Este é o próximo acontecimento: os magos veem uma estrela e viajam para Jerusalém.

O que, porém, não sabemos é quando os magos realmente se puseram a caminho. Teriam partido imediatamente após a primeira aparição celeste, quem sabe já no dia seguinte, ou será que primeiro fizeram investigações a respeito dessa estrela extraordinária? De qualquer modo devem ter necessitado de algum tempo com os preparativos para essa longa viagem. Uma vez que o texto não expõe nada com clareza a respeito, não é possível saber. Contudo, lembremos que neste quinto ponto, em conexão direta com o nascimento do Senhor Jesus e com a visita dos pastores à manjedoura, uma estrela brilha para os magos a uma distância de aproximadamente mil quilômetros, uma estrela que os alerta sobre o nascimento do Senhor Jesus. Em razão disso, eles empreendem a longa viagem até Jerusalém porque era lá que esperavam encontrar o rei dos judeus.

Continuando com Lucas: “Completando-se os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, o qual lhe tinha sido dado pelo anjo antes de ele nascer” (Lucas 2.21). Maria e José ainda permanecem em Belém – e supõe-se que nesse meio tempo tenham encontrado um alojamento normal. Então, oito dias após o nascimento e a visita dos pastores, o bebê é circuncidado conforme exige a lei. Este é o sexto acontecimento: a circuncisão do Senhor Jesus em Belém enquanto os magos do oriente se põem a caminho para render homenagem ao recém-nascido rei dos judeus.

Lucas não dá um relato completo, mas deixa a palavra com Mateus para completar aquilo que ele omite.

Em seguida, lemos: “Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor (como está escrito na Lei do Senhor: ‘Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor’)” (Lucas 2.22-23). Este é o sétimo acontecimento: a apresentação do Senhor Jesus no templo em Jerusalém a fim de atender ao mandamento de Levítico 12.1-4. Portanto, cerca de 40 dias depois, Maria e José vão a Jerusalém, distante apenas cerca de 10 quilômetros de Jerusalém. O que quer dizer que Maria e José permaneceram no mínimo 40 dias em Belém, e que toda a parentela – primos, primas, vovó, vovô – até então ainda não tinham visto o bebê Jesus em Nazaré, a cerca de 130 quilômetros de distância. Somente agora, após cerca de 40 dias, a família se encontra em Jerusalém e os magos do oriente estão em algum lugar num congestionamento junto ao Eufrates.

Continuando a ler o evangelho de Lucas, vemos que Maria e José retornaram com seu filho a Nazaré: “Depois de terem feito tudo o que era exigido pela Lei do Senhor, voltaram para a sua própria cidade, Nazaré, na Galileia” (Lucas 2.39). – Finalmente de volta ao lar, na sua cidade. E finalmente também a parentela curiosa pode abraçar a jovem família e entregar seus presentes... se, pois é, se não fosse Mateus...

Ainda falta algo. Como ficaram os magos do oriente? Será que não chegaram ao seu destino? E não houve aí ainda uma matança de crianças em Belém e uma fuga para o Egito? Sim, de fato: mas quando e como? Conforme dissemos, o relato de Lucas permite supor que a família retornou de Jerusalém para Nazaré. Segundo Mateus, porém, parece que a família só retornou bem mais tarde. Examinemos melhor essa aparente contradição na próxima semana.


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

O ÚLTIMO HOMEM (JUSTO) NA TERRA

TEMPLO DE SALOMÃO

 

O Último Homem (Justo) na Terra

Jeff Kinley

Em meio a todo esse pecaminoso frenesi global, Deus encontrou um homem que se destacou entre bilhões. “Porém Noé encontrou favor aos olhos do Senhor” (Gênesis 6.8). Descrito como “homem justo, íntegro entre o povo da sua época”, Noé era um homem que “andava com Deus” (Gênesis 6.9). Mesmo não sendo perfeito, Noé tinha integridade. E, ainda que certamente não fosse isento de culpa, Noé ainda era inocente, ou um homem de alto caráter e reputação morais. Em contraste com o caráter perverso, odioso e violento de seus pares, ele se manteve puro, decente e civilizado. Não havia sujeira na vida de Noé. Ele sentia a pressão de se conformar à impiedade de sua geração, mas também se sentia chamado a ser diferente dela em caráter e estilo de vida (ver 2Coríntios 6.14-18).

O desafio de viver na cultura do mundo envolve não se deixar consumir pelo pecado inerente a ela. Não há dúvida que nós cristãos estamos destinados a viver neste mundo, mas não derivamos dele nossa identidade nem nossos valores porque não pertencemos a ele (João 17.16). Usando a sabedoria, podemos nos manter conectados com as pessoas e a sociedade sem permitir que atitudes, crenças e condutas ímpias nos moldem ou influenciem (João 17.11,14-18; Romanos 12.2). Em sua essência, o cristão não é nem um pouco melhor que qualquer outra pessoa, e Jesus condena aqueles que exibem sua fé com uma atitude de arrogância (Mateus 23). Somos chamados a demonstrar humildade, amor e compaixão, mesmo em relação àqueles de quem discordamos veementemente. Esse equilíbrio pode ser difícil de alcançar, e muitas vezes significa ter uma voz dissidente e isolada. Ou ser o único justo. Em geral, significa não se deixar levar pela correnteza, mas nadar contra ela. Seguir a Deus pode até acarretar decisões e comportamentos que gerem ridicularização, zombaria e mesmo ódio.

Somos chamados a demonstrar humildade, amor e compaixão, mesmo em relação àqueles de quem discordamos veementemente.

Noé sabia como era.

Ele era justo em “sua época”. Seguia a Deus aqui e agora, respondendo ao contexto de sua própria geração. Decidido a andar com Deus, manteve-se limpo em meio a um mundo poluído – não por sua própria justiça; antes, para se preservar. Ele era justo. Mas o que exatamente fazia de Noé alguém tão justo aos olhos de Deus? Qual era sua história? Como Noé se tornou “Noé”?


Fé Resistente

Noé estava plenamente convencido da realidade de algo que ainda não conseguia enxergar. E é exatamente isso que a fé faz. Ela capacita aqueles que creem para ver o invisível. A conhecer o “ainda não”. A ir em frente em confiante obediência, independentemente do quanto isso o faça parecer esquisito, ridículo ou controverso. E Deus honra aqueles que escolhem os seus caminhos “ridículos” em detrimento da “sabedoria” convencional do ser humano (1Coríntios 1.18-29).

Um único homem ou mulher com fé consegue resistir a um exército de antagonistas. E havia uma legião de opositores em torno de Noé. A desvantagem era de bilhões para um.

Mas será que, diante das implicações físicas, espirituais e sociais de sua hercúlea tarefa, Noé alguma vez experimentou momentos de dúvida? Terá o filho de Lameque em algum momento vacilado na fé enquanto trabalhou durante um século, dia após dia, naquele projeto? Se o rei Davi, o apóstolo Pedro e João Batista tiveram momentos importantes em que sua fé praticamente faltou, é razoável assumir que Noé também tenha enfrentado esses momentos. Ele certamente passou várias noites em claro durante aqueles 120 anos, com dores lancinantes nas costas, machucados nas pernas ou mãos inchadas e feridas, pensando: “Deus, será que tudo isso realmente vale a pena? Será que esse dilúvio realmente vai acontecer, ou eu imaginei tudo isso? Será que meu barco vai flutuar, ou será que vou afundar e me afogar com os demais? Tu realmente falaste comigo anos atrás, ou estou aqui desperdiçando meu tempo e minha vida? Será que os céticos e cínicos têm razão no que dizem a meu respeito? Será que todos verão que sou um tolo? Essa é realmente a única maneira de nos salvar? Não tem um jeito mais fácil de realizar tua vontade?”.

Mesmo que não tenha passado por dúvidas crônicas e contínuas, Noé, como todos os crentes, com certeza teve ataques satânicos e de insegurança. É provável que sua própria natureza pecaminosa também tenha agido, inundando sua mente com apreensão ocasional e ondas de autopiedade. Ele também ficava cansado. Exausto de usar machados, serras e martelos. E os milhares de insultos lançados regularmente em sua direção ameaçavam desgastar a camada de fé que protegia seu coração. Afinal de contas, Noé continuava sendo apenas um ser humano. Mas, a despeito de suas limitações mortais, com o tempo ele aprendeu a desenvolver e exercitar o seu músculo da fé. Era a sua fé forte que o tirava da cama a cada manhã. O exercício da fé ajudava-o a suportar a dor e o cansaço. Ela protegia-o contra as afiadas setas verbais daqueles que o ridicularizavam.

Nossos ideais românticos sobre ser um crente forte adquirem perspectiva quando a corrida da nossa fé atinge a marca dos 10 ou 20 quilômetros.

Acreditar em Deus por causa de algo grande soa muito nobre. Alguns até consideram isso admirável. Tentar fazer uma obra grande para o Senhor é algo bom. Mas a realidade da vida em um mundo cheio de pecado é que essa fé real muitas vezes fica ensanguentada e suja, difícil e desafiadora. Esse é o tipo de fé que vai além da pura teoria e alcança a ação. Ela vai da cabeça e do coração para suas mãos, pés e boca. Esse não é o tipo de fé sobre o qual se fala ou escreve. Esse é o tipo de fé que se vive (ver Tiago 2.14-26). Não é hipotética, mas prática. Embora invisível, outros podem enxergá-la. É uma fé que trabalha. Se necessário, ela sacrifica e sofre. É uma fé manchada de sangue. Daquele tipo marcado por feridas e cicatrizes. Um pouco desfiada nas pontas. Rasgada e lacerada em alguns lugares. Batida, mas não estragada. Com aparência de quem levou uma surra, mas ainda ousada. Aparentemente derrotada, mas mantendo-se determinada. E – o melhor de tudo – é sua. Como um par favorito de sapatos: quanto mais é usado, mais confortável lhe parece.

Essa é a fé aprovada na batalha.

Não é atraente, mas com certeza é linda.

Nossos ideais românticos sobre ser um crente forte adquirem perspectiva quando a corrida da nossa fé atinge a marca dos 10 ou 20 quilômetros. Quão forte seria sua fé se todas as pessoas à sua volta estivessem contra você? Se cada ser humano vivo em torno de você o julgasse um tolo? E se quisessem tirar sua vida por causa da sua fé? Ou se sabotassem seus esforços para cumprir a missão dada por Deus? Será que Noé sofreu com sabotadores? Será que houve prejuízos porque alguém colocou fogo numa pilha de madeira ou roubou ferramentas e materiais? De qualquer forma, ele continua fazendo o que Deus lhe pedira, até nos menores detalhes (Gênesis 6.22). É isso que a fé faz. Ela obedece. E não há nada de glamoroso nisso. Apenas glorioso.

Noé tinha fé.

QUEM É O SEU CRISTO?


 

Quem é o “seu” Cristo?

Daniel Lima

O ambiente era tenso. Após algumas conversas, eu e certo irmão nos encontrávamos novamente. Eu tinha a pesada tarefa de tentar mostrar-lhe porque achava que o caminho que ele havia escolhido era um caminho que desagradava a Deus. Ele, insistente, queria que eu compreendesse suas escolhas, e, talvez mais que isso, que eu apoiasse suas escolhas. Após abrirmos mais uma vez a Bíblia para apontar o que, para mim, é claro, chegamos a um impasse.

Como última alternativa, virei minha Bíblia para ele, que estava do outro lado da mesa, e, apontando para um versículo, disse: “Meu irmão, se você consegue explicar sua escolha diante deste versículo, eu passo a concordar com você”. Eu não estava brincando. Na verdade, eu queria muito encontrar um espaço para não continuar naquela tensão. Eu queria muito não ser o opositor, o “estraga prazeres”. Houve momentos antes deste encontro que até mesmo orei para que Deus passasse de mim este cálice.

Este homem não era um herege, teoricamente não negava a autoridade bíblica, era membro da igreja, havia participado desta comunidade por muitos anos e era tido como um cristão sincero. Após ler mais uma vez o versículo, meu irmão pensou e respondeu: “O meu Jesus, a quem eu sigo e tenho amado todos estes anos, não diria isso aqui!”. E ele disse isso sabendo muito bem que o texto que eu apontava era um texto bíblico que confrontava diretamente o caminho que ele havia decidido seguir. Neste momento eu me dei conta que nós não seguíamos o mesmo Jesus.

Não podemos nos deixar levar pela tentação de produzir em nossas mentes um “Cristo” mais de acordo com nossas preferências, pelo simples fato de que este não será Jesus Cristo, Senhor e Salvador.

Em João 17.17, Jesus afirma: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. Assim, Jesus afirma que a Bíblia é a verdade. Essa é a visão que o próprio Cristo tinha da Palavra. Como pode então alguém afirmar que crê em Cristo, mas não na Palavra? É necessário perguntar em que “Cristo” esta pessoa crê? Quem afirma crer num Jesus que difere da revelação bíblica certamente, ou cria um Jesus que se adequa às suas perspectivas (homem criando deus...), ou afirma ter alguma outra revelação superior à própria Bíblia.

Paulo já enfrentou durante seu ministério pessoas que pregavam um outro evangelho. Reagindo com força a estes, ele escreve em Gálatas 1.6-9:

Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que pregamos a vocês, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém anuncia a vocês um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!

Em resumo, não podemos nos deixar levar pela tentação de produzir em nossas mentes um “Cristo” mais adequado, mais agradável, mais de acordo com nossas preferências, pelo simples fato de que este não será Jesus Cristo, Senhor e Salvador, mas apenas um ideal que anestesia nossas ansiedades. O próprio Paulo nos alerta contra isso em 1Coríntios 3.11: “Porque ninguém pode colocar outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo”.

Com isso eu preciso lhe perguntar: qual é o “seu” Cristo? Ele é o autor e consumador da tua fé (Hebreus 12.2)? Ele é o Cordeiro de Deus (João 1.29), a Luz do Mundo (João 8.12), o Bom Pastor (João 10.11), a Ressurreição e a Vida (João 11.25) e o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6)? Não siga um salvador feito sob encomenda para seus interesses, siga aquele que sustenta todas as coisas por sua palavra poderosa (Hebreus 1.3).

Minha oração é que você e eu possamos conhecer e continuar conhecendo o Jesus da Bíblia, o único que pode nos salvar.